Saturday, December 31, 2011

fim

cantar ou declamar as 'marcas do que se foi' já virou clichê. mas não deixou de ser verdade. dois mil e onze foi um ano difícil. MUITO difícil. mas, ao mesmo tempo, cada dificuldade trouxe um aprendizado, uma lição que vai ficar pra vida toda. pessoas entraram na minha vida, umas permaneceram e outras poucas foram embora. mas a vida é como o mar do rio de janeiro: a onda vem e volta. a cada ano que passa a gente vai deixando nossas marcas. seja na vida das pessoas, seja na nossa própria. e é importante que não nos esqueçamos disso. é, é... final de ano chega e vem todos aqueles sentimentos de final de ano. é natural, não é? uma hora bate a tristeza, a melancolia, outra hora a esperança e a alegria. porque sempre que um novo ano se inicia vem o friozinho na barriga de como vai ser dessa vez. vai ser diferente? vai ser pior? vai ser melhor? será que minhas metas serão alcançadas? não interessa. porque, isso eu aprendi bem, você está vivo. mais importante que qualquer outra coisa que você ache que é mais importante: nunca esqueça que você está vivo. agradeça sempre por isso. agradeça a Deus, a Buda, a Alah, à ciência ou qualquer outra coisa em que você acredite. porque não existe melhor plano, melhor meta, melhor objetivo e melhor presente de ano novo do que viver. ache alguma coisa pelo que viver, agarre-se a ela e não solte até que apareça outra. estarmos vivos é a melhor dádiva que poderíamos receber. pode viver por alguém, pra alguém ou por qualquer outra coisa. mas se conseguir viver por você mesmo, você não precisará de mais nada. o ano foi difícil? foi. mas sobrevivemos. realmente não há cruz maior que possamos carregar. um dois mil e doze cheio de infinitas surpresas para todos nós. boas ou ruins. porque em tudo na vida tem que haver o equilíbrio.

'este ano quero paz no meu coração
quem quiser ter um amigo
que mê a mão
o tempo passa e com ele caminhamos todos juntos sem parar
nossos passos pelo chão vão ficar
marcas do que se foi
sonhos que vamos ter
todo dia nasce novo em cada amanhecer'

Thursday, December 29, 2011

in in in

ok. de repente tá lá tudo bem, tudo no seu devido lugar, tranquilo e calmo como deveria estar. você, não satisfeito com a situação cômoda em que se encontra, resolve mexer no que tá quieto. pimba! acordou aquele que vive no fundo do lago ness num piscar de olhos. sedenta vontade nos olhos, nas mãos, no corpo inteiro. e é bem naquela hora que não dá pra resistir. você ainda tenta raciocinar, deixar completamente o lado sentimental de lado e partir numa viagem completamente cética para o seu interior. impossível. quando você tenta é porque a resistência já não surte tanto efeito quanto você achava. e aí, meu irmão, fudeu. claro que nem tudo tem um lado negativo, mas, instantaneamente, o redemoinho de emoções cerebrais te deixa tão zonzo que você esquece até o caminho de casa. não há receita, não há remédio pra curar a dor, senão o tempo. e tem aquelas dores que você até achava que tinham sido curadas, mas não foram. então aguenta mais um pouco, segura a onda, não se deixa levar pela emoção. pensa, pensa, pensa. talvez não fosse possível antes, mas é o melhor que se tem a fazer hoje.

Tuesday, December 27, 2011

o que há de vir

as vezes é assim. as vezes é assado. as vezes não é a hora certa, as vezes pode, também, não ser a hora errada. as vezes, simplesmente, você pode não estar estar preparado. e aceitar isso pra si é complicado. porque, quando você carrega uma bagagem positiva do ano que vai acabando, a possibilidade das coisas negativas tomarem seu assento é completamente inexplicável. e você, de repente, quer deixar tudo pra trás. sem saber distinguir o que deve realmente ficar e o que deve ultrapassar as barreiras de um trinta e um de dezembro. porque... é complicado. dizem por aí que a vida é simples e quem complica somos nós. mas o que seríamos sem as complicações que colocamos à nossa frente, não? seríamos chatos. completamente chatos. sem complicações a vida não teria emoção, não teria o desgaste da separação, muito menos a constatação saudável de uma conciliação. e não estar preparado é completamente justificável. porque preparação não envolve rito, não envolte juntar todas as armas disponíveis, muito menos traçar uma estratégia fictícia sobre como seria algo que nem você mesmo sabe explicar o que é. preparação envolve muito mais do que a própria cabeça é capaz de raciocinar. envolve sentimento, sentimentalismo e algumas burocracias interminentemente solicitadas pelo coração. preparação envolve cuidado. é assim. ou assado.

Sunday, December 25, 2011

papai noel,

esse ano me comportei direitinho. comecei o ano pedindo a deus para que o restante fosse bom. pedi que muitas coisas boas acontecessem. é, definitivamente, aconteceram. talvez eu tenha me comportado como um menino bobo de vez em quando, mas quem não é de vez em quando nesse mundo adulto cheio de responsabilidades, não? e, bem, posso ter dito algumas palavras indesejáveis a pessoas que não mereciam. mas se eu soube pedir desculpas, conta? extrapolei o limite de minha própria sanidade, agi comigo de uma forma que eu jamais agiria com qualquer outra pessoa. mas... me arrependi, serve? tomei atitudes desesperadas, outras pensadas, outras arriscadas. e sofri as consequências. de todo, veio os aprendizados. aprendi a pedir perdão de coração, e que ser perdoado pode fazer comigo quase setenta por cento do que um orgasmo faz. comi minha família, como devoraria um prato de brigadeiro de panela igual o que a minha mãe faz. meus irmãos, meus pais, meus tantos outros parentes e amigos me possuíram de uma forma que eu jamais chamaria um exorcista para retirá-los de mim. e, olha papai noel, mesmo que mais perto do fim do ano, eu tive a lição mais importante da minha vida, e espero que isso conte quando pensar em me dar um presente: aprendi a cuidar de mim. passei a realmente existir para mim mesmo. me tornei egoísta, egocêntrico como talvez nunca tenha sido. e isso é um ponto positivo. ser altruísta demais não me trouxe somente satisfação pessoal - o que, na verdade, nem é tão altruísta assim, nao é mesmo? - mas algumas decepções pelo caminho. e ser altruísta comigo mesmo me fez acreditar que, sim, eu ainda posso ser feliz. eu não sei o que pedir de presente, porque, definitivamente, meu maior presente já me foi dado. apesar de todas as angústias, meus maiores presentes já me foram dados durante todo ano. e - hehe -, se isso conta, eu posso ter deixado de acreditar em você lá quando eu tinha sete anos, mas deixar de acreditar, pra mim, não significa que você não exista. essa certeza, afinal, fica para as minhas crianças. pensa aí no que eu mereço. juro que aceito sem juros, sem correção monetária e sem piedade. afinal o senhor ainda é o bom velhinho, não?

com carinho,
Jeronymo Artur

um dia foi

deito-me na sacada ao som do vento, que insiste em me fazer companhia. sozinho nesse apartamento, minha vida, de longe, parece tão vazia, insignificante. insignificante eu: gênio indomável, cavalo selvagem, palhaço de circo com platéia formada de espelhos. e não de narciso, mas de um vazio interior. internamente desato meus cadarços, como se fosse possível voar. esqueço-me que não tenho asas e praticamente cometo suicídio ao tentar me lançar desse tão alto precipício que é a minha mente. mentalizo lembranças infantis como se pudessem me fazer voltar no tempo, como se pudesse ser criança novamente e me livrar de todos os males que o amadurecimento traz. trago em mim o desejo de que, certa ou incertamente, consiga renovar meu espírito e transformar espelhos na platéia que um dia desejei ter.

Friday, December 23, 2011

se perdeu

as palavras me escapam a toda hora. elas vem num momento em que não tenho a possibilidade de dizê-las ou mantê-las presentes. no caminho em que dirijo, enquanto atravesso a rua, quando olho uma vitrine. e vem bonitas, charmosas, cheias de encantos que outrora eu até poderia pensar não serem meus. mas aí somem. e quando tenho a chance de eternizá-las elas não vem de jeito nenhum. ultimamente acredito que elas não fazem questão de manter-se comigo. abandonam-me. me deixam em um canto qualquer de sua imensidão, onde só se pode encontrar as mesmas, as mesmas, as mesmas. e me repito, vou sempre me repetindo. tento transformar o vácuo literário em um redemoinho de emoções e pensamentos e não me sobra nada. nada. o nada que me acompanha. tem coisas que te pegam de surpresa e te deixam sem palavras. tem situações que acontecem e te deixam sem palavras. tem dias que passam e te deixam sem palavras. coisa meio que anormal pra mim, pois teria um mundo de vocábulos a despejar, no mais sincero dos agradecimentos. hoje? hoje anormal é eu conseguir corresponder às expectativas daqueles que conhecem meu ‘dom’. peço de presente de natal, meu presente do papai-noel, que eu volte a escrever como antes. não precisa ser melhor, basta que eu consiga escrever novamente.

Thursday, December 08, 2011

perdoa


Perdoa pelo tardar de minha vinda
Perdoa pelo aumento de gasto da renda mensal
Perdoa pelo receio em dizer que te amo
Perdoa por gritar contigo quando me fazia cócegas
Perdoa por ter exigido tanto quando não precisava
Perdoa pelo receio em dizer que te amo
Perdoa por sempre te querer mais em casa
Perdoa por ter medo de falar com você
Perdoa pelo receio em dizer que te amo
Perdoa por não ter sido o melhor aluno sempre
Perdoa por não ter feito o curso que eu queria
Perdoa pelo receio em dizer que te amo
Perdoa por ter dormindo tantas vezes fora de casa
Perdoa pelas noites de insônia que te dei
Perdoa pelo receio em dizer que te amo
Perdoa por não te visitar por muito tempo
Perdoa por não fazer um papel que deveria estar fazendo
Perdoa pelo receio em dizer que te amo
Perdoa por não te honrar com um casamento
Perdoa por não saber se vou te dar um netinho
Perdoa pelo receio em dizer que te amo
Perdoa por não saber como dar a força necessária
Perdoa pelo choro, pela preocupação, pela noite mal dormida
Mas é que, se antes eu tinha receio, hoje eu preciso dizer que eu te amo.

Tuesday, December 06, 2011

...

acho que cansei um pouco das palavras.
ou elas cansaram um pouco de mim.

Friday, December 02, 2011

em tantas cores

foi na diferença entre o riso e a saudade que se fez. um dia precisou abrir mão de um futuro promissor. mas precisou por si só. sua riqueza não se fazia de moedas de ouro, mas de sorrisos alheios. não era lá, nem cá. era, simplesmente. sem passado, sem futuro, vivendo apenas no presente. sem rosto, sem nome, sobrenome ou coisas afins. apenas uma identidade. um passo saltado. maquiagem, maquiagem, maquiagem. não para se esconder, mas para deixar-se ser. e ser uma infinitude de outros seres. um onde, um quando. um não existe, talvez. porque sua alma, essa sim, há de existir. e existir em outros, em tantos, em tantos outros. outros que carregam no corpo, no cérebro, no coração a fantasia de que, um dia, poderão vir a ser.

*imagem gentilmente cedida por V.M.

Tuesday, November 08, 2011

é só o vento lá fora

e não foi que, de repente, você se viu onde jamais pensou estar? por toda a vida você se preocupou tanto em cuidar para que tudo estivesse bem conosco, que esqueceu de cuidar mais de você. não, nossa intenção não é criticá-lo. porque, sabe? de uma forma ou de outra, do seu jeito, você fez o seu trabalho. e não só o seu trabalho, mas algo que lhe deu prazer. com todos os percalços, dificuldades enfrentadas, teu foco te fazia seguir em frente, superando todos os obstáculos. teu foco? nos ver levando a vida que você sempre desejou para nós: próspera. quantos anos sem férias, quantos investimentos educacionais, quantos anos dedicados a estar dentro de uma sala simplesmente para que nos visse dentro de nossas próprias salas lá na frente. e aí você se viu vitorioso. conseguiu o que mais queria. e foi se deixando desistir. porque o que era preciso fazer já estava feito. mas nós queremos te falar que não. ainda não está feito. porque nunca vai estar. a não ser que todos partamos para outro plano. e é importante que você saiba que não queremos que pense assim, justamente porque queremos que você participe também das nossas próprias batalhas. se você lutou tanto por isso, porque se entregar agora? levanta daí, põe esses membros pra funcionar. não se deixe abater por uma provação que Deus colocou no seu caminho. é só mais uma das tantas que você já enfrentou na vida. porque nós, Pai, nós queremos você aqui, juntinho da gente, sorrindo, brincando e, claro, rabugento. a gente te ama. e é por te amar que agora estamos cumprindo um papel que já não é preciso que seja mais seu. agora quem está cuidando somos nós. cuidando de você para que, aí sim, nossa vida seja próspera.

Thursday, October 27, 2011

acreditar

dizem por aí que as palavras tem poder. ao meu ver, os pensamentos também tem. e um sonho só vai deixar de ser um sonho quando você acreditar que ele pode deixar de ser. quando o medo de fracassar for perdido, dando lugar a uma sensação de confiança que talvez nunca se tenha sentido. não que eu queira ser o senhor da razão - que, aliás, nem seria possível - mas o fato de acreditar, pra mim, sempre fez mais sentido. acreditar que é capaz transforma um ser humano num ser extraordinário. porque, acreditando, se vai além. tentar, tentar, tentar. ninguém se torna experiente sem ter errado pelo menos uma vez na vida. errar é o que faz acertar. e não desistir também. eu, particularmente, costumo acreditar mais nas pessoas do que em mim mesmo, então é meio que faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. mas acredito nas pessoas, sim. acredito no potencial que todas elas tem. pode ser que, hoje, seja pouco, mas garanto que, amanhã, esse pouco será muito. acredite em si mesmo. encare as possibilidades que a vida traz. porque, de uma forma ou de outra, você vai descobrir e perceber quantas coisas você é capaz de fazer. eu sempre acreditei. e continuo acreditando.

Saturday, October 22, 2011

mal dormi

tive sonhos intercalados entre o bem e o mal na última noite. o do bem não me marcou muito, tenho algumas poucas migalhas de recordação. mas o do mal passou o dia rodando na minha cabeça como um filme. é incrível como as coisas ruins permeiam meu pensamento mais que as coisas boas. escolha própria? auto-defesa da desorganização mental? eu não sei... as vezes fico pensando no que mais preciso fazer para conseguir passar um dia inteiro tranquilo. fui torturado, massacrado e completamente deturpado com coisas que passei anos contra forjar nesse corpo. no sonho. me mostravam fotografias, falavam palavras mordazes, empurrando para dentro dos meus olhos as coisas mais tristes que eu poderia ler. tenho aqui, vivas, as imagens desse sonho que me atormentou durante todo o dia. espero dormir e sonhar coisas boas. ou pelo menos lembrar apenas delas. por favor, Deus, ajuda nesses pensamentos noturnos essa noite. peço, pelo menos, apenas essa noite.

yo

sou do tipo que desiste fácil. tão fácil que acontece antes mesmo d'eu começar. quando foco em algo que, de repente, se mostra impossível pra mim, deixo de lado e passo a buscar outra coisa. e, no fim das contas, não faço nada. inércia total. não por completo, mas odeio o fato de ficar no ócio até o fim do ano. e, mesmo odiando, vou ficar. por vontade própria. de repente, 'não mais que de repente', é disso que eu preciso.

Tuesday, October 11, 2011

culpa?

Eu me culpo sem motivo. A culpa insiste em se acumular na minha mente a cada momento em que alguém se dirige à minha pessoa para lembrar que quem fez a escolha foi você. É, definitivamente, toda escolha envolve uma renúncia. Óbvio. Aprendi isso ainda na fase do vestibular. Escolher ir embora ao invés de cursar o a faculdade que eu sonhava. (O que, no fim, nem deu certo, afinal fui obrigado a ficar aqui e me tornar bacharel no curso que motivaria minha mudança).

Eu queria, sinceramente, não me importar com infinitas coisas que me preocupam. Parar de gostar de sofrer, digamos. É difícil. Aliás, é muito difícil. Algumas pequenas coisas são inteiramente pequenas coisas. Mas sabe a bola de neve, que começa com uma bolinha que cabe na palma da mão, que se torna capaz de esmagar uma multidão? Pois é. São pequenas coisas que trazem à tona tantas outras. E, enquanto o silêncio por vezes é a melhor arma contra o sofrimento, outras é a forma mais indigna de cuidar do próprio coração.

E, por incrível que pareça, eu me culpo sem motivo. Eu transformo minha própria decepção em culpa. Sim, eu me decepcionei. Diversas vezes na vida, durante esses vinte e três anos. Com os mais variados tipos de pessoas. Mas as decepções que mais machucam aqui dentro são aquelas que sentimos através de atitudes de pessoas que você tanto, mas tanto, considera como suas. Dou ênfase à essa palavra, pois quero apenas frisar que não falo de ser dono, mas de fazer parte da minha vida.

Me perguntaram uma vez: essas pessoas te ligaram pra saber como você estava? Ou pelo menos pra saber se essa história era verdade? Eu respondi que não, claro. Afinal não tinha a menor noção do que estava acontecendo. Pois é, esses são seus amigos foi o que veio em seguida. Adoro ironia. E utilizo dela para dizer que mesmo os que ligaram para saber como eu estava ou que sabiam que a história era verdade – pela minha boca – também são meus amigos. Não faço a menor questão de me explicar, pois a carapuça, com certeza, não serve para todos, e estas exceções sabem bem disso.

Se fossem pessoas ignorantes, vá lá. Mas odeio a simpatia do sorriso que mascara as verdadeiras intenções. Até porque, infelizmente, apesar de não ser idiota, ainda tenho meu quê de ingenuidade. E cair no papo dos que são meus amigos acaba sendo, lindamente, uma prova disso. Porque, no fim das contas, só muito tempo depois é que consigo distinguir quem é o mocinho e quem é o vilão. E eu ainda me culpo sem motivo. Apesar de que eu deveria me culpar sim. Mas pelo fato de acreditar na bondade de algumas pessoas, principalmente quando elas já me provaram o contrário outras vezes.

“Eu não vou mudar não
Eu vou ficar sim
Mesmo se for só não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final, assim calado, eu sei
Que vou ser coroado rei de mim

Los Hermanos

Saturday, October 08, 2011

preciso te dizer algo

preciso te dizer algo: é difícil encontrar você. é difícil olhar pra você. aliás, é difícil tentar não olhar pra você. mas, por quê? para que, talvez, não cruzemos os olhares. para que, talvez, não te veja olhando para outra pessoa. tento não te olhar para poder segurar a vontade de, de repente, pular em seus braços, olhar em seus olhos, beijar sua boca e depois dizer que te amo, bem baixinho, no seu ouvido.

preciso te dizer algo: achei que fosse fácil. achei que fosse fácil lidar com todo esse turbilhão de sentimentos que me rondam a mente e o coração. pensei que iria ser fácil simplesmente apertar sua mão e lhe dar um abraço, sem sentir aquele calafrio ou tremor do coração apaixonado. pensei que seria fácil olhar em seus olhos, mas... nem isso eu consigo.

preciso te dizer algo: agir racionalmente é completamente diferente do que agir sentimentalmente. porque, sendo racional, conseguimos driblar qualquer tipo de emoção. mas, sendo sentimental, a vida nos prega peças com as quais, muitas vezes, nos tornamos impossíveis de ser protagonistas e interpretar com exatidão aquilo que o script nos pede.

preciso te dizer algo: abra mão de tudo o que lhe faz mal. antes que você perceba que definitivamente te fazem mal. talvez, nessa hora, seja tarde demais. pra você mesmo. porque, por mais que inconscientemente, alguns perpetuam o mal. e é difícil distinguir o mal do bem nos momentos em que o desespero bate à porta. sou prova disso e posso te garantir que o melhor a se fazer é se afastar enquanto é tempo.

preciso te dizer algo: eu te amo. mais do que eu podia imaginar. pode até parecer clichê, e que o seja. mas eu te amo, apesar de qualquer distância que possa existir. digo, distância física, porque meu coração, esse que bate forte aqui, ainda tá aí, do ladinho do seu. eu te amo porque eu te conheço. eu conheço essa pessoa que tá aí dentro. e, talvez, eu te conheça mais do que você mesmo se conhece. eu te amo porque, além de suas qualidades, conheço todos os seus defeitos.

preciso te dizer algo: nunca esqueça de nada que eu tenha te falado algum dia. porque nunca menti pra você. nunca ousei trair sua confiança. nunca usei a palavra nunca com você, a não ser na ocasião em que disse nunca vou te deixar. porque nunca te deixei. você sempre esteve comigo, e eu sempre estive com você. se não fisicamente, dentro do coração.

preciso te dizer algo: eu não esqueci você. e nem pretendo. você, definitivamente, é parte de mim. assim como eu sei que sou parte de você. e metades não se separam, apenas se desencontram. e um dia há de haver um encontro. não um encontro qualquer, mas mais um encontro de corpos, de beijos, de almas. como outrora já aconteceu. porque amor, ah o amor, pode demorar o tempo que for, une as pessoas. e, um dia, há de nos unir de novo.

Friday, October 07, 2011

você é bem como eu

ele tentava de todas as formas sustentar uma máscara em sua face. não conseguia utilizar da sobriedade para tanto. abusava do álcool, da maconha, da cocaína, dos cogumelos, ácidos e quaisquer outras anfetaminas que alterassem seu estado natural. justamente para não sê-lo. sua naturalidade era inerente à sua sinceridade, aos seus afagos, aos seus anseios, às suas possibilidades, à sua necessidade diária de vida. mas viver, para ele, por mais que ousasse diferenciar-se de tantos à sua volta, era justamente transgredir quaisquer normas impostas, por quem quer que fosse, ao seu ser. e não era. não era ninguém. mas também não era alguém. não conseguia, sóbrio, dizer determinadas verdades. não conseguia, sóbrio, desvencilhar-se de tantas mentiras. inebriado, por qualquer uma de suas drogas, era capaz de sonhar alto e complacer-se de todas as coisas que almejava, mas quando voltava ao seu estado normal achava tudo aquilo impossível de ser conquistado. não acreditava em si mesmo. e passou a não acreditar nas palavras alheias. era expulso dos bares, das casas noturnas e de todos os ambientes em que os serventes não conseguiam ultrapassar as sete horas da manhã. dali, se não se rendesse e fosse pra casa, estacionava no posto de gasolina e enchia o isopor - que carregava no banco de trás de seu carro - com cerveja. mas aquele, aquele não era ele. o ele era outro. o ele era forte, era determinado, era um fiel espectador dos sonhos que achava que não podia realizar. se desobrigava de cumprir as ordens porque se sentia na necessidade de estar participando ardentemente das rodas que costumava frequentar.

- eu odeio esse tipo de coisa, sabe?
- o quê?
- a pessoa sabe que não pode fazer uma coisa, e faz do mesmo jeito.
- ?
- é como uma autoflagelação. você é brilhante, tem força de vontade, mas luta contra ela e eu, sinceramente, não consigo te entender.
- mas...
- mas nada. não existe uma resposta, não tem como eu te entender, cara. como é que tu não pode tomar essa merda e fica tomando? isso não é teimosia, rapaz. isso é fraqueza. você é fraco.
- você me acha fraco?
- não. aliás, eu acho você uma das pessoas mais fortes que eu conheço.
- e como você diz que é fraqueza?
- não se entrega, bixo. você é forte. mas o que eu quero te dizer é que você tá sendo fraco.
- não to, não.
- está. e muito.
- só porque eu to tomando uma cerveja?
- não, porque você tá indo contra tudo aquilo que você tanto me frisou.
- e o que foi?
- se você não fizer por você, ninguém vai fazer.
- isso eu sei.
- pois é. e ninguém vai fazer. não que ninguém se importe com você. mas você tem que se bastar, lembra?

ele lembrou que tinha força de vontade. lembrou que conseguia sobreviver sem tudo aquilo que acreditava precisar para viver. lembrou que, na realidade, ele não precisava sobreviver. ele precisava viver. e percebeu que, para que isso acontecesse, aquela máscara tinha que ser tirada de sua face. conseguiu desatar o nó que a atava em sua cabeça. ainda era difícil olhar o mundo com outros olhos depois de tanto tempo. mas já era possível perceber que, olhando naturalmente, aquele mundo era ainda mais bonito.


*homenagem muito intensa para priscila luena

Wednesday, October 05, 2011

Tuesday, October 04, 2011

o silêncio as vezes diz mais que mil palavras. por outras, corta como lâmina qualquer coisa que exista dentro de nós.

o retorno

de braços abertos eu fui. de braços abertos eu voltei. bem recepcionado lá eu fui. bem recepcionado aqui eu estou. o que muda mesmo, de verdade, é o ambiente, sabe? o que muda mesmo é sair da popularização para o anonimato e voltar deste para àquele. a gente tem que ter uma visão de 360 graus sim. mas na nossa mente, não na vida dos outros. welcome home, jeronymo artur.

saí em busca de uma paz espiritual. não para um encontro com jesus cristo, mas um encontor com mim mesmo. posso garantir que não me encontrei completamente, mas encontrei as respostas para muitas de minhas questões. em todos os sentidos. saí em busca de uma paz interior no lugar por onde me apaixonei. brasília me trouxe muitas coisas positivas, muitos pensamentos positivos, muito foco positivo. não só pelas conversas, pelas experiências, pelas confidências, mas pelos pensamentos meus colocados quase que completamente em ordem. voltar para rio branco me traz paz porque sei as pessoas que vou encontrar aqui. encontrar, vulgo, celebrar com. porque tem algumas que eu não faço a mínima questão de encontrar. quarenta e duas páginas tem meu diário de viagem. não transcreverei pra cá porque, como já disse uma vez, sei bem o que devo escrever ou não. sei bem distinguir o que eu quero que os outros saibam e o que não saibam. os que precisam saber, sabem. e ponto. valeu os últimos vinte dias. foram vinte dias que talvez me guiem pela vida inteira. convivência familiar, cumplicidade na amizade, auto-retiro mental. voltei para minha cama, para meu quarto, para minha casa, minha rua, minhas pessoas, minha cidade. mas voltei também para a boca dos outros, para o olhar dos outros, para a fofoca e assunto dos outros. e sabe o que é melhor? voltei sem me importar muito com isso. rio branco me traz paz, pelas pessoas que eu tenho aqui. rio branco me traz paz porque foi aqui que nasci. rio branco me traz paz porque, hoje, mais do que nunca, eu sei diferenciar o que é bom do que é ruim. daqui uns dias começo a varredura física, porque a mental, deus me ajude, eu espero ter deixado lá em brasília. brasília de tão perto distâncias. brasília de tanta poesia, história, lugares, pessoas. brasília, filha de um visionário. brasília que um dia eu volto. de passagem, de férias e, quem sabe, de vez. permaneço aqui, então. mas agora me permaneço em movimento. porque é dele que eu preciso pra realizar meu sonho. não me basta mais sonhar e idealizar. agora eu quero realizar.

Tuesday, September 13, 2011

mix sentimental

a primeira parte do dia me trouxe agonia. telefonemas me acordando e me fazendo lembrar detalhadamente do que estava sonhando anteriormente. sonho bom. sonho com respostas para muitas das minhas perguntas e questionamentos, creio eu. sonho com meu imaginário à flor da pele e dos sentimentos. uma certa ansiedade. uma certa expectativa. uma certa resolução de coisas mal resolvidas. mas, era um sonho. a realidade é um pouco diferente.

a alegria que um perdão faz no seu dia. a alegria que alguém de longe de traz, assim, de repente. e te pega desprevenido. uma expectativa não correspondida. surpreendida. fui pego de surpresa pelas felicitações, pelos desejos de uma boa viagem, pelos abraços sinceros e carinhosos de tanta gente, do jeitinho que eu gosto de me sentir quando estou assim, tão perto de partir. e são só, a princípio, quinze dias. mas parece uma eternidade. ir à brasília é sempre uma eternidade. de não querer voltar nunca mais.

o recado mal dado, mas bem recebido. bem entendido. a consciência firme, mas o coração que acelera e entende cada palavra. cada palavra ali secreta, mas que o segredo eu conheço. e a esperança, a velha esperança que eu carrego comigo sempre. essa não há de morrer nunca. mas ser menos é impossível. já foi mais, já é mais e sempre será. mesmo que esse ainda não seja o momento. mas menos é impossível. e a saudade fica aqui dentro, guardadinha. porque o egoísmo permanece lutando contra. e, ainda nesse momento, é ele que prevalece.

e então a franqueza, o vem aqui que eu vou te explicar e a cara de espanto, de desespero, de revolta, de medo, de preocupação. uma face tão misturada de sentimentos que o traziam para uma serenidade fora do comum. pára de sentir culpa, você nunca me decepcionou. e a emoção, o choro, a cumplicidade de uma troca de eu te amo entre irmãos. um eu te amo que diz: não sai de mim não, não se perde de novo, eu estou aqui para o que der e vier, você é meu irmão mais novo. e, putaqueopariu, aquele abraço mais reconfortante de todos. lágrimas? lágrimas de felicidade: você está aqui, é o que importa.

antes de encerrar o dia, o último dia - por quinze dias - nessa cidade, o encontro. a troca de sorrisos. o falar demais que me é tão característico. e a sinceridade que lhe é tão característica. e de longe ela veio, e pra longe eu vou. e era necessário o encontro que, sabe-se lá quando vai acontecer. em apenas duas horas a calma, a tranquilidade, a paz daquela voz me acalentando o coração, elogiando minhas atitudes, colocando esse ser aqui tão pra cima quanto o céu. ela está, mas ela vai. e não sei se ainda nos encontramos. mas sei que, seja quando for, será que como se o dia de hoje fosse ontem. porque, eu já sei, com a gente é assim.

pra fechar, uma chuva, uma chuva do nada nessa madrugada. a velha chuva que eu espero nos momentos felizes, nos momentos tristes. mas hoje era um bom dia, hoje foi um bom dia, hoje eu trouxe muitas recordações, muitas declarações, muitas palavras sinceras. e a chuva, bem a chuva é o meu choro que tá preso e que Deus me deu de presente antes de partir. vou pra uma aventura, vou encarar muitas coisas nos próximos dias. mas o coração acalentado é o grande segredo de partir em paz. daqui a pouco eu volto. e tudo há de ser diferente. sim, Deus, eu estou confiando em você.

do lima e dos santos

estavam os dois sabe-se lá em que situação. só se sabia ser particular. ele aparentava seu tormento pois seus olhos inchados indicavam o choro que descera anteriormente pelo seu rosto. ela, não adiantava tentar esconder: a maquiagem borrada a transformava na pessoa frágil que não queria aparentar. já havia algumas horas que tinham sentado na última mesa do bar. um som ambiente, alguns rapazes sentados enchendo o saco do barman e eles dois buscando explicações para o que quer que tivesse acontecido horas antes. cada um viera de um lugar diferente. buscando carinho, afago, redenção. se abraçaram e entraram onde escolherem ser o lugar ideal para depositar todas as mágoas.

a garrafa de whisky já estava abaixo da metade. o balde de gelo quase vazio. uma música começou a tocar. the bees trazia recordações a ambos. boas e ruins. como se estivessem em sintonia, os dois se levantaram. passaram a balançar o corpo quase não se aguentando em pé. a cabeça de cada um deles girando para lados contrários. um de frente pro outro, com algumas poucas trocas de olhares. mas compenetrados em uma cumplicidade absurda que ultrapassava a barreira mental, unindo-os em um único pensamento: depois daqui, se reerguer. ouviram ainda mais uma música. velvet underground embalou a saída de ambos para onde quer que fossem. mas, dessa vez, foram juntos. o sabe-se lá o quê que tinham não prestou informação. não deixou nome, nem recado. e nem se sabe se teve solução.

*escrito com Caroline Santos.

quase

agora já falta um dia. falta um dia pra dar um tempo daqui. pra desconectar a mente dos problemas e das problemáticas. pra desviar a atenção das fofocas e fofoqueiros. pra tentar se livrar das dores e das doenças. falta apenas um dia pra partir pra um lugar pelo qual eu me apaixonei perdidamente aos sete anos de idade. pra olhar pela janela da sala de estar e ter em vista outro horizonte: árvores, árvores, mais árvores e céu azul. falta um dia pra ter a companhia de duas das pessoas que mais amo na face da terra para passear, curtir os shoppings, visitar os médicos e rever os familiares. falta um dia, apenas um dia, para que brasília vire minha casa por quinze dias. e pra que eu possa sentir de perto e por completo algo que só tem me vindo aos pedacinhos: felicidade.

Monday, September 12, 2011

blackbird



'blackbird singing in the dead of night,
Take these broken wings and learn to fly.
All your life, you were only waiting for the moment to arise...'

fui na missa sábado passado. o padre falava, no sermão, sobre perdoar. jesus disse que não se deveria perdoar apenas sete vezes, mas setenta vezes sete. sete é um número divino, dizem. sete é o dia do meu aniversário. sete, por muitas vezes foi meu número da sorte. é o dobro de sete o dia da minha viagem. talvez, eu não sei, seja sete o número de vezes que eu já me arrependi profundamente em toda a minha vida. mas, hoje, um dos meus arrependimentos teve um fim. não que eu tenha voltado ao passado e desfeito uma das coisas mais horríveis que eu pude fazer. mas eu pedi perdão. e eu fui perdoado. e, se não fui completamente, pude, pelo menos, oferecer um sorriso e ser retribuído. hoje eu pude desengasgar tantas palavras que estavam na minha garganta. hoje eu pude chorar e colocar pra fora todo o desprezo ridículo que eu já pude dar na minha vida. hoje eu pude dizer a alguém que amava o quanto sentia por não ter podido sequer me despedir. e a coisa mais impressionante de tudo isso foi poder ler que queriam me abraçar naquele momento, para todo o sempre. a coisa mais impressionante foi que eu não precisaria pedir o perdão para tê-lo. porque o que é verdadeiro, pode passar o tempo que for, continua sendo verdadeiro.

esperança

Não me digam que a esperança é a última que morre. Ela é, sim, a primeira que nasce. Porque sem esperança jamais haveria a vida. A esperança de que um passado jamais pode se assemelhar a um futuro. Muito menos que um futuro pode se igualar ao presente ou ao passado. Porque a esperança, aquela que não morre, não há de empalidecer a alma que aí (e aqui) dentro ainda se carrega. Mais vivaz e muito, mas muito mais imponente que qualquer outro sentimento (dos bons e dos ruins) que se pode sentir, a esperança é capaz de transformar o indivíduo naquilo que ele, outrora, não imaginava ser. E, mais importante, a vê-lo exatamente como ele é não e conseguia se enxergar. A esperança, a eterna esperança. Porque a esperança não morre. Ela simplesmente nasce. E é imortal. Jamais a última que morre.

Sunday, September 11, 2011

true colors

eu odeio me fazer de coitado. odeio me sentir um coitado. odeio deixar transparecer qualquer coisa que me faça parecer um coitado. gostaria de poder comprar uma diária de um quarto cheio de objetos quebráveis para jogar no chão, na parede ou em qualquer outro lugar onde eles se despedaçassem. a partir de hoje (e não vou prometer, pois não sei se poderei cumprir) eu continuarei a escrever sobre as coisas da vida, da minha vida. independente de tristes ou felizes. eu continuarei a escrever. escrever. mas, a partir de hoje, eu vou deixar de falar, eu vou deixar de expressar qualquer sentimento o máximo que eu puder. qualquer sentimento, qualquer acontecimento, qualquer ambição que eu possua. partiria para sempre se pudesse. voltaria apenas nas férias. anseio enormemente que isso possa acontecer. recomeçar. hoje a raiva me consome, não como antes, mas me consome. me consome por saber que algumas das pessoas que mais me conhecem na vida, cogitaram, em um momento sequer, a possibilidade de eu estar mais preocupado em fazê-las desistir de um desejo que de estar junto às pessoas que eu amo. não deixei de amar ninguém por isso, não deixei de sentir, por um minuto sequer, que eu fosse menos importante. mas, hoje, definitivamente, eu tento prometer para mim mesmo: apenas escreva. deixe que saibam de você apenas pelas suas palavras escritas. e que assim seja. to deixando a vitrine da vida. vou passar a ser mais transeunte que manequim.

eu tenho um cara de desenho

ao mesmo tempo em que o cansaço, o saco cheio, a revolta e o desentendimento tomam conta de mim, o modo como algumas pessoas tentam me fazer pensar de outra forma é reconfortante. não que elas consigam introduzir esse pensamento na minha mente, mas elas conseguem me fazer sentir melhor por não poder estar com elas. esse é mais um post de homenagem, mas dessa vez sem pedido de desculpas. um pedido, apenas: todas as vezes que me encontrar, me abrace do jeito que me abraçou hoje. enquanto escrevia o post anterior, evitava pensar na tal esperança de que falei outra vez. mas bastou um telefonema, bastou uma mensagem e pronto. e dali cinco minutos, que eu resolvi passar sentado na jardineira em frente à minha casa acalmando-me com o cigarro, ele parou o carro, me olhou nos olhos e me deu o abraço mais apertado do mundo. o abraço que eu, literalmente, precisava naquele momento. e é sempre assim. eu posso ter decepcionado muita gente, posso ter deixado alguns na mão quando precisaram de mim, mas nessas horas, nessas malditas horas em que mais preciso, alguém está ali para estender-me um ombro amigo. hoje, cara de desenho, rodrigo ou, como eu prefiro chamar, rod eu devo a você a fuga e as lágrimas que eu precisava. e, nunca esqueça, meu mundo sem a sua presença não seria tão realista, ou até seria, mas sem essa graça da sua ironia. e sem esse seu jeito de falar curto e grosso comigo que, tenho certeza, muitas vezes só eu entendo. você é o tipo de cara que todos deveriam conhecer, e que todos deveriam ser irmão. mas, preciso garantir a vocês, leitores, morram de inveja porque eu o conheço e o tenho como irmão. obrigado pela companhia, pelas conversas mais francas do mundo (hehe) e pelo abraço mais que necessário que eu precisava essa hora. eu amo você.

Saturday, September 10, 2011

cansaço

sento na frente do computador. começo a digitar algumas poucas palavras. mas aperto o backspace e desisto. aí começo de novo e aqui estamos nós. mas não é que não concorde com o que estava escrito antes. só não sei como dizer. não sei como descrever a sensação que anda permeando meu coração nos últimos dias. ou na mente, sei lá. a cada dia que passa vou sentindo meu eu sendo cerceado a cada momento que passa. clarisse já falou bem sobre isso. ao mesmo tempo em que a inveja alheia e o ódio por ela vão se misturando aqui dentro, a minha válvula de escape começa a ser limitada. precisamos de um horário, a que horas volta, a que horas vem. se sentir pressionado, lesionado na única coisa que vem te mantendo bem nos últimos dias, é como amarrar uma criança na perna da mesa e colocar um doce a uma distância que ela só consiga estender os dedos, mas não consiga alcançar. não sei até quando, não sei quanto tempo, não sei o quanto aguento. me sinto como aquele punhado de areia da praia nas mãos, que se esvai quando a água passa por cima. meu desejo mais sincero não posso escrever aqui. mas queria, definitivamente, que ele acontecesse. ânima, quem sabe. analisar, analisar, analisar. a viagem tá perto, e eu to esperando ansiosamente.

pseudo irmandade

vou repetir, de forma mais grossa, o que disse em um post anterior: a vida alheia interessa MUITO aos outros nessa maldita cidade pequena em que eu moro. preciso fazer mais um desabafo aqui porque, definitivamente, quando essa situação acontece dentro da sua própria casa, realmente você percebe não que a casa caiu, mas quanto material de décima qualidade você utilizou para construí-la. eu vou avisar, logo de cara: cuidado com quem você tem em casa. porque o sorriso e pseudo sinceridade-confiança existem. decepção ronda a gente diariamente (eu que o diga), mas uma atrás da outra as vezes já é demais, não Deus? não quero desejar nada de ruim, não quero exaltar palavras de baixo calão, porque aquele lance de que tudo o que você deseja aos outros volta em dobro pra você é bem verdade. FELIZMENTE eu tenho pessoas maravilhosas ao meu lado. FELIZMENTE eu tenho familiares que me amam de verdade, FELIZMENTE eu tenho amigos que me amam do jeitinho deles, mas que sabem demonstrar isso nos pequenos detalhes. apesar de tudo, apesar de toda a falta de consideração e decepção que tive nesses últimos dois dias, eu ainda tenho esperança. como disse num texto que escrevi anteriormente (e ainda não postei aqui) a esperança não é a última que morre, mas a primeira que nasce. e a que vive eternamente. sem esperança não há vida. e eu posso garantir, com firmeza e propriedade, alguns ainda fazem esse sentimento brotar dentro do meu coração. porque JAMAIS eu vou deixar que a baixaria alheia atinja o meu ego, o meu interior, a minha integridade. isso eu posso garantir: íntegro até o fim. e foda-se os filhos da puta que tentam fazer da vida alheia um inferno. tudo o que você deseja aos outros volta em dobro pra você. então aguarde, meu bem (apesar do que sei que você, a quem dirigo a mensagem, não vai ler isso), a vingança é prato que se come frio. mas não se preocupe, não sou eu quem vai colocá-lo na geladeira. isso você está fazendo por si mesma. ops, espera mais um pouquinho. ainda não tá gelada o suficiente. fica a mensagem pr'aqueles que pensam que alguém pode destruir seus sonhos. nunca esqueçam: seus sonhos são seus, a realização deles depende de vocês. e aqueles que que por acaso cogitam a possibilidade de destruí-los vão apenas sofrer a decepção de vê-los sendo realizados. não precisam mandar tomar naquele lugar. basta dar entender que isso não é capaz de abatê-los. libertem-se das más companhias, das más influências, das provavéis possibilidades de traição. deixem que a inveja se propague perante eles. porque é aí que está o grande segredo: fazer com que tudo se volte contra eles mesmos.


Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez, eu sei
Escuridão já vi pior, de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.
Tem gente que está do mesmo lado que você
Mas deveria estar do lado de lá
Tem gente que machuca os outros
Tem gente que não sabe amar
Tem gente enganando a gente
Veja a nossa vida como está
Mas eu sei que um dia a gente aprende
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!
(...)
Nunca deixe que lhe digam que não vale a pena
Acreditar no sonho que se tem
Ou que seus planos nunca vão dar certo
Ou que você nunca vai ser alguém
(...)
Se você quiser alguém em quem confiar
Confie em si mesmo
Quem acredita sempre alcança!

Thursday, September 08, 2011

ego, egoísta, egocêntrico

tem aquele dia em que você fica esperando ansiosamente que acabe. tem alguns desses dias que você até queria que começasse, mas depois que começa você só quer que termine. se você não dormir querido (e só dormir) pode ter certeza que essas vinte e quatro horas não passarão tão rápido. preciso acordar desse meu sonho eterno e fixar um mantra na minha mente: não devo esperar dos outros o que faço por eles. até porque eu faço com prazer. faço porque gosto, faço porque sei fazer, e faço porque não sou altruísta: fazer brotar um sorriso no rosto de alguém é inerente a fazer um sorriso brotar no meu rosto. gosto da felicidade alheia, gosto de agradar, gosto de gostar. e esse sou eu. não é para que gostem de mim. não quero ser o mais querido de todos, o mais amado de todos, o mais amigo de todos, muito menos o melhor de todos. mas tem aquele dia, sabe? aquele dia que você fica esperando ansiosamente que acabe. e tem alguns desses dias que você até queria que começasse, mas depois que começa você só quer que termine. você esperou, desistiu, retomou a idéia, recebeu, foi presenteado, parabenizado, declarou-se, chorou, presenteou. mas faltou alguma coisa. faltou a surpresa. quanto a mim, bem, eu continuarei surpreendendo (sem falsa modéstia). esse sou eu né?

Wednesday, September 07, 2011

para que os ausentes saibam (e que os presentes lembrem)

Sim. Mais uma vez eu invento essa história de fazer discurso no meu aniversário. É minha forma de chamar a atenção, né? A escrita... Mas, ao contrário de algumas outras vezes, hoje eu não sei bem o que dizer. Escrevo isso imaginando milhões de coisas que acabo não conseguindo colocar no papel.

Nos últimos cinco anos o dia sete de setembro se tornou algo homérico. Aniversário do Artur chegando era sinônimo de uma grande festa, de uma grande comemoração, de muita música, muita bebida, muita diversão e, sempre, alguma confusão para dar aquela incrementada.

Hoje estamos aqui. Em tão poucos quanto comparados aos últimos cinco anos. Volto a repetir o que disse ano passado: alguns vão, alguns vêm, alguns permanecem. Eu quero fazer um discurso pra falar que essa festa é pra vocês, meus amigos, minha família. Minha comemoração hoje não se resume apenas a estar vivo e completar mais uma volta ao redor do sol, mas em ter certeza da presença de vocês comigo. Cada um com seu lugarzinho especial, cada um com sua qualidade especial, cada um com seu defeito especial.

Talvez eu tenha cometido muitos erros, mas sei que hoje devo pensar nos acertos. Também se faz necessário um pedido de desculpas. Desculpas por ter feito alguns sofrerem, desculpas por ter causado algumas dores, desculpas por ainda não ter dado as devidas explicações a quem preciso, desculpas pelos esquecimentos e pelos bolos que dei em alguns.

Muitas coisas aconteceram nesses últimos meses. Muitas mudanças, muitas transformações. Talvez para melhor, talvez para pior. Mas... Isso nunca se sabe não é? A dúvida, essa incerteza da vida, é o que nos surpreende a cada dia. A busca, a insatisfação que nos move para que busquemos sempre o melhor dentro de nós e para nós.

Infelizmente alguns não puderam estar presentes. A distância aumenta o amor, mas diminui a presença física. Mas, de qualquer forma me sinto querido dentro de cada um que está (e que não está) aqui hoje.

Pra finalizar quero fazer um agradecimento muito mais que especial pro sangue que corre em minhas veias. Pra todos esses que estiveram tão perto de mim nos últimos tempos, e de quem eu fiquei tão longe em alguns momentos. Agradeço pela paciência, pela compreensão, pelo cuidado e, principalmente, por esse amor condicional que vocês sentem e me fazem sentir por vocês, meus amores, minha família.

vem do coração

o dia hoje nasceu cinzento. apesar do céu azul que começava a se mostrar pela janela do meu quarto. tem fumaça por toda a cidade. não se sabe de onde, mas nunca é de lugar nenhum. porque querem culpar, mas ninguém quer ser culpado. o trabalho foi como de costume, também. na verdade criei expectativas que poderia sair mais cedo, e na verdade precisei sair depois do horário. mas ainda deu tempo de comprar algumas coisas que precisava. hoje poderia ser um dia qualquer. e, na verdade, pode ser pra você um dia qualquer. mas é meu aniversário.

hoje é meu aniversário e eu passo a vivenciar os meus vinte e três anos. eu não fiz convite personalizado, não fiz festa exuberante, muito menos extravasei nos comes e bebes. hoje é meu aniversário e eu fiz o que, no atual momento, considerei o melhor a se fazer. não que fosse, que seja, que será. mas chorei, sorri e sabe-se lá quantas emoções eu senti. na verdade, mesmo que eu saiba que a maioria não vai ler isso, eu queria mesmo era agradecer por cada pedacinho desses que vocês me permitem ter no coração de vocês. um sincero, um grande e um mais que agradável abraço e beijo para todos. obrigado por esse cadinho de sorriso que cada um soube fazer esse rosto aqui expressar. eu amo vocês.

[e espero que tenham gostado da lembrancinha]

Thursday, September 01, 2011

pra um irmão

as vezes a gente esquece mesmo. esquece uma caneta, esquece uma camisa, esquece de colocar o relógio, de comprar pilha pro controle remoto, esquece de colocar gasolina no carro, esquece de levar o carro pra revisão, esquece de levar aquele papel pro trabalho, esquece de entregar os filmes na locadora, esquece de apagar a luz, de jogar a roupa dentro do cesto, de fechar a tampa do tubo de pasta de dente, enfim, esquece de muita coisa. mas quando a consequência desse esquecimento atinge somente você, tudo bem. não, nem sempre é tudo bem. mas comparado ao fato de você esquecer de ligar para um de seus melhores amigos no dia do aniversário dele, todo esse esquecimento é, sim, tudo bem. não consegui ligar pra ouvir a voz dele, pedir desculpas em seguida, e ouvir toda aquela educação e calmaria que só ele tem dizendo tudo bem cara, relaxa. ou mesmo um puta que pariu, bixo! valeu aí por ter esquecido meu aniversário!. De qualquer uma das formas eu me sentiria mal. Porque se sou importante para ele como tenho certeza que sou, em caso contrário eu ficaria chateado. com raiva não, mas entristecido. E não tem desculpas, não tem motivo, não tem qualquer outra explicação, muito menos qualquer coisa que seja plausível. Só quero deixar bem claro, publicamente, que errei, que sinto culpa, mas que, em nenhum de qualquer desses momentos desde que te conheci eu deixei de te amar e te ter como meu irmão. você, chorão, cidão, santiago, santi, irmão e todos os outros pseudônimos pelos quais já te chamei, mora no fundo do meu coração. tem um lugar especial aqui guardado, sempre. você me conhece e deve imaginar o quanto eu sinto, e o quanto estou me sentindo mal, em não ter feito uma sequer ligação no último sábado. por ter simplesmente passado 24 horas sem ter dado pelo menos um parabéns. mas, se isso ajuda em algo, quero que você saiba que quando me pedem pra pensar em quem são meus amigos, você é um daqueles que sempre esteve lá. e eternamente estará. independentemente da saudade e de qualquer coisa que nos mantenha um mínimo distantes um do outro. eu amo você.

Wednesday, August 31, 2011

de um dos meus orgulhos

O ser humano dá valor ao que é importante quando está na iminência da perda ou na perda total. Se as pessoas pensassem que não houvesse amanhã e que entes queridos se vão, amariam mais e esqueceriam a guerra de egos em que se vive hoje.

Yan Odin
meu primeiro sobrinho, de quinze anos,
de uma inteligência e caráter ímpares,
cujo futuro na escrita já me está comprovado.


Monday, August 29, 2011

inesperado

é difícil respirar. é difícil conversar. é difícil aguentar. dentro da gente. a armadura flexível que chamam de pele por vezes se mostra indiferente ao que o cérebro corresponde por dentro. é fácil sorrir, dar as mãos, abraçar, beijar e se comunicar como se tudo dentro da cabeça estivesse em ordem. não se enganem, meus caros, nossa mente é nosso pior inimigo. não se sabe porquê, não se sabe quando a decisão foi tomada, não se sabe o que levou a isso. e creio que nunca se saberá. a única coisa que se sabe é como. como fez, como foi encontrado, como estava. e dói no peito. dói no peito de cada um que, de qualquer forma que seja, já teve o prazer de ser contagiado por aquele sorriso, por aquelas poucas palavras trocadas, por qualquer tipo de gesto que demonstrava quão bom ele era. uma dor anônima, invisível, hoje se extravasa nos olhos de amigos e familiares. a dor e o sofrimento da perda perpetuarão por muitos tempo, talvez pra sempre, dentro de cada um que pôde dar o seu adeus, e daqueles que preferiram guardar outra imagem dele: aquele sorriso alegre, ladeado por duas bochechas rosadas. vai em paz, illimani. que os anjos te acompanhem. e que Deus te proteja.

Sunday, August 28, 2011

'olha só o que eu achei...'

henrique estava a ponto de ter um colapso. além de achar que alguém o seguia e que todas as pessoas lhe vigiavam e julgavam com o olhar, suas idas a cozinha já não eram apenas para abrir a geladeira e pensar. a cada vez que a abria buscava algo para alimentar a gula que crescia dentro dele. uma ansiedade disfarçada de gula, na verdade. passou a entupir seu organismo de refrigerantes e chocolates. essa era parte boa, a que ele gostava. a que ele não gostava era quando, depois de acordar, percebia um aumento na protuberância que carregava no abdômen.
- tá gordinho, heim henry?
- academia e dieta segunda-feira.
sempre a segunda-feira. e sempre a segunda-feira que nunca chega. e, além do mais, henrique era daquele tipo de pessoa que não gosta de começar nada durante a semana. é meio como um ciclo vicioso de começar começando tudo. e passa tempo, e tempo passa, e passatempo, de chocolate e recheado, que era seu preferido. e mais um dia chegava ao início. depois da festança alimentícia, do abastecimento de refrigerante e da degustação de chocolates ele se preparava para ver o sol nascer. era nostálgico. e há muito tempo não acontecia. seu único receio era saber tudo aquilo que o alvorecer trazia junto com ele: todos os seus medos banhados pela luz da manhã, visíveis a quem lhe seguia, a quem lhe vigiava, e a quem o julgava só com o olhar. era por tudo isso que preferia não sair de casa.

Saturday, August 27, 2011

'explica a grande fúria do mundo...'

vai fazer dois meses que eu praticamente não saio de casa. e o que me preocupa é que isso não tem sido um problema. na verdade tem sido um alívio. escrevo isso aqui esperando ansiosamente que alguém na mesma situação me diga: calma, eu estou passando/já passei por isso. é incomodante se sentir bem em ficar apenas em casa. porque isso é, realmente, um problema. daqueles pequenos que, depois de pensar um pouco sobre eles, inesperadamente se transformam em um dos grandes. hoje senti vontade de me embriagar. comprar uma caixinha de cerveja, sentar na varanda da minha casa, ligar o som do carro e curtir a madrugada solitária desse sábado. cortei meu dedo do pé. meu sobrinho olhou e disse que a dor mesmo ia vir depois que eu molhasse pra lavar. é, algumas dores ficam piores depois que você tenta limpar o lugar ferido.

Friday, August 26, 2011

em cinco anos

fico lembrando desses meus últimos anos na faculdade: meus colegas de classe, em sua maioria, já tinham planos de carreira para quando terminasse o curso. uns queriam ser procuradores, outros promotores, defensores, juízes ou simplesmente exercer a advocacia (que já é uma tarefa bem árdua quando se trata de conseguir uma clientela). e aí eu lembro que ouvia esses planos e a única observação que eu fazia era que, no máximo, eu queria ser um analista judiciário (que basta ter o curso de direito pra exercer).

apesar de já ter prestado o exame da ordem duas vezes (sem sucesso), nunca quis seguir carreira de advogado. simplesmente queria ter a oab e ponto. pra quê? pra dizer que tinha. de uma certa forma acabava por sentir aquela pitadinha de inveja dos meus colegas que já sonhavam com a carreira jurídica, já sabiam o que queriam fazer, enfim, mesmo que sem uma certeza absoluta, já tinham pelo menos uma noção de onde queriam estar dali cinco anos.

aí você me pergunta porque inveja. bem, porque apesar de dizer que eu só queria ser um analista judiciário, eu não sabia bem ao certo se era realmente aquilo que eu queria fazer. é engraçado porque, quando eu tinha sete anos, eu fiz um planejamento profissional pra mim: me formar em direito, ser promotor, depois juiz, em seguida desembargador, diretor do tribunal de justiça (na minha inocência infantil achava que esse era o maior cargo do tj) e, por fim, quando me aposentasse seria homenageado com uma rua em meu nome.

sim, eu só tinha sete anos. mas, como diria joseph climber, a vida é uma caixinha de surpresas. e muita coisa aconteceu nesses quase dezesseis anos que se passaram. o fato é que se você me perguntar onde eu quero estar daqui a cinco anos eu não saberei responder. talvez amanhã eu acorde e de repente tenha um insight. mas a probabilidade quase zero de isso acontecer não me dá muita esperança.

Wednesday, August 24, 2011

para todos vocês ou de tudo um pouco

é de verdade que o coração pulsa. é de verdade que o sentimento está lá. é de verdade que a gente sabe que é melhor não encontrar. é de verdade que aguentar machuca dentro do peito. é de verdade que não adianta ninguém falar. é de verdade que não há o que falar. é de verdade que a pureza existe. é de verdade que a beleza persiste. é de verdade que só de amor não se vive. é de verdade que ocupar a cabeça ajuda. é de verdade que a troca de olhares não muda. é de verdade que um maço de cigarros acalma o desespero. é de verdade que o álcool faz esquecer por um momento. é de verdade que a distância atrapalha. é de verdade que travamos lutas diárias. é de verdade que saber pode te fazer enxergar. é de verdade que as vezes é melhor não contar. é de verdade que se deixa um fruto. é de verdade que o galho pode ser bruto. é de verdade que a gente se assusta. é de verdade que a notícia nem sempre é uma bruxa. é de verdade que a mentira é uma faca de dois gumes. é de verdade que a esperança é um vaga-lume. é de verdade que a luta não acaba. é de verdade que tudo é uma batalha. é de verdade que as vezes se ultrapassa os próprios limites. é de verdade que solução pra tudo existe. é de verdade que o desespero as vezes ecoa. é de verdade que pra se segurar no outro essa é a hora boa. é de verdade que sempre se tem um problema. é de verdade que se deve dar perdão e não pena. é de verdade que algumas coisas vem na hora imprópria. é de verdade que, sem saber, as vezes aquela é a hora. é de verdade que aos olhos vem lágrimas. é de verdade que sempre tem a melhor escapada. é de verdade que se deve manter por perto seus inimigos. é de verdade que se deve manter do seu lado os seus familiares e amigos.

[cada um desses trechos tem um pouquinho de cada um dos meus. um pouquinho que, sem eles perceberem, eu percebi. e com seus defeitos, e com seus trejeitos, e com seus lampejos e com suas qualidades, eu os amo infinitamente]

Sunday, August 21, 2011

o repolho ou aquilo que eu sou

não, eu não canto muito bem. além do cigarro, eu não bebo muita água durante o dia. uma garganta seca não ajuda muito, ainda mais quando não se tem conhecimento técnico, treino e prática do respirar com o diafragma. isso não me impede de baixar músicas em versão karaokê, ligar o microfone e fingir que estou me apresentando no american idol, got talent, glee project ou ídolos mesmo.

é, eu também não sei se atuo muito bem. nunca fiz teatro, a não ser aquelas interpretações de clássicos da literatura nas aulas do primeiro e segundo grau. e, a não ser que apresentar trabalho possa se incluir aqui, evito ao máximo me colocar na frente de uma platéia inteira para falar qualquer coisa (excluo meu discurso de formatura). mas essa é uma das coisas que as aulas de teatro te proporcionam não é? ajudam você a lidar com a vergonha de subir no palco.

escrever? bem, talvez eu escreva razoavelmente. nunca consegui passar de cinco páginas, mas com pequenos textos eu já percebo que evoluí bastante. claro que uma boa escrita é inerente a uma boa leitura, então, na verdade, preciso é ler mais para poder aprimorar minhas técnicas ao escrever. criatividade eu acho que já tenho (não que seja suficiente, mas já ajuda).

há uns sete, oito anos, entrei num curso para aprender a tocar violão. fiz isso duas vezes. e nunca pratiquei em casa. só treinava durante a aula e passei a querer ser autodidata alguns anos depois. mas logo parei também. não que não gostasse ou não quisesse, apenas parei. hoje sou louco para aprender a tocar violino. me apaixonei por esse som orquestrante. mas não esqueci o violão. esse eu ainda aprendo também.

e então me pedem que eu escolha uma coisa só pra fazer? minha cabeça pode querer mil coisas por ser anormal. mas e esse sentimento que, definitivamente, aperta o coração? tem certeza que ele vem só do querer que você sente na cabeça? é possível que, realmente, você escolha somente uma coisa pra fazer, quando seu coração te faz sentir que você é capaz de tantas outras? e as possibilidades de uní-las? e aquelas mil possibilidades que te rondam, enquanto você sabe escrever, cantar, atuar, pintar, desenhar ou tocar algum instrumento?

não, não me diga que eu só posso escrever porque nisso eu sou bom. eu quero fazer um curso e aprender a atuar. eu quero aprender as técnicas e conseguir cantar. eu quero baixar inúmeras cifras e traduzí-las. e eu sei que tudo isso é possível. eu sei que um trabalho me prende, que uma cobrança inconsciente me faz ter mais preocupação com quantos reais eu vou ter amanhã do que se estarei feliz amanhã. logo eu que sempre fui tão admirador do carpe diem.

não sei o que aconteceu comigo. não sei onde eu perdi meus anseios: se quando desisti da faculdade de publicidade, se durante a faculdade de direito ou se quando achei que meu futuro era um concurso público. só sei que, em algum momento, nesses últimos seis anos, deixei de ser papoula e me tornei um repolho. desse mesmo que a gente encontra em supermercado: fechado, enrolado em plástico. sem ter para onde se abrir.

Friday, August 19, 2011

eu tenho um sonho

eu tenho um sonho. dentre tantos outros sonhos. um sonho que me faz chorar a cada minuto que eu penso que é quase impossível realizá-lo. sim, porque sonhos são sonhos. e para que você os traga do campo das idéias para a realidade em que se vive é necessário muito esforço e vencer muitos obstáculos. talvez você diga que para realizar um sonho só depende da força de vontade. talvez você diga que impossível é aquilo que ninguém tentou fazer ainda. eu poderia abrir mão de tudo e realizá-lo. meter a cara e ver se dá em alguma coisa. ou mesmo que não dá em nada. eu tenho um sonho que me faz chorar a cada vídeo, a cada leitura, a cada fotografia que me faz acreditar cada vez mais que essa dificuldade de realizá-lo não é só falta de força de vontade, mas a distância que me separa do resto do mundo. não que eu odeie o lugar onde estou, só tenho, a cada dia, uma maior certeza de que aqui não é o meu lugar. eu sei que muitos passam por essa situação, e que eu sou só mais um em um milhão, mas eu sinto que o tempo tá passando, que eu to ficando pra trás, que cada vinte e quatro horas que eu passo aqui são vinte e quatro horas mais longe de onde eu estaria bem melhor. talvez eu devesse comprar uma passagem de ônibus, pegar a estrada, passar fome e descobrir o mundo. mas a insegurança me invade de uma forma que eu, sinceramente, não sei como lidar. rio branco, eu te amo. mas infelizmente eu só te tenho em meu coração como algo que deveria ser o meu passado.

Monday, August 15, 2011

vinte e quatro horas

De repente sinto o brilho dos meus olhos ser ofuscado pelo vazio que assola meu corpo. Enquanto brilhante, sentimental e amoroso, a atenção se volta para esse ser que, algumas horas, não sei se sou eu mesmo. Então, quando vazio, transformo qualquer impulso de brilhantismo, sentimentalismo e amorosidade em palavras duras, desentendimentos e frieza. Por vezes sei que pareço egoísta. Não no bom sentido de pensar primeiro em si mesmo, mas no sentido de simplesmente demonstrar que não ligo para os sentimentos alheios. E eu ligo. Mais do que deixo transparecer nessas vezes. E dói. Porque, bem lá no interior, eu sei que aquela seriedade que se exterioriza pelos lábios cerrados nada mais é que uma máscara que, sem que eu pedisse, a vida me deu. Deus não nos dá um fardo maior que possamos carregar. E qual seria a graça da vida, sem os fardos que ela nos dá, não é? Já faz um mês e meio. Um mês e meio que eu cheguei ao ápice dos sentimentos dolorosos, das atitudes impensadas, das decisões equivocadas. E, as vezes, parece que tudo o que vem sendo feito não está ajudando em nada. São só alguns momentos, mas eles estão lá. Eles existem, mesmo que no meu subconsciente. Existem, mesmo que nos meus sonhos. Existem, mesmo que na minha falta de sono. São momentos que duram cinco, dez, quinze minutos. Por vezes, horas. Nunca um dia inteiro. Um dia inteiro é muito tempo, são vinte e quatro horas. E, durante vinte e quatro horas, existem todos os momentos. Momentos eufóricos, esses sim, são os melhores. Momentos em que eu acho que o mundo e tudo do mundo conspiram ao meu favor. Momentos em que eu sou capaz de fazer qualquer coisa, de atingir qualquer objetivo. E aí os objetivos se tornam peças comuns do dia a dia. E transformam as expectativas em meras possibilidades impossíveis de ser alcançadas. Eram três projetos, já não tenho mais nenhum. Eram cinco faculdades, só existe apenas uma. Eram incontáveis sonhos prestes a realizar, já não me restam interesses a buscar. Só existe um medo, sabe? O medo de achar que o tal do equilíbrio não virá.

Sunday, August 14, 2011

choveu

hoje choveu. depois de muito tempo, hoje choveu. não sei se para os casais apaixonados, não sei se para acalentar as odes de tristeza, não sei se para confortar os corações amargurados. eu só sei que hoje choveu. e eu não sei dizer que euforia, que melancolia, que tristeza e que saudade que me deu. de tudo um pouco, um pouco de tudo. já não é possível sentar no asfalto e pular de sobressalto quando ouvir a aproximação de um carro. já não é tão tranquilo se deitar no chão molhado, sentindo os pingos no meu rosto, e ouvindo apenas o barulho das gotas e do vento, com tantas crianças correndo pela casa. hoje choveu apenas por alguns minutos. mas o suficiente para contrariar o sol que insistia em queimar minha pele. é dia dos pais e estavam todos aqui. não teve homenagem, café da manhã, carro de mensagem. mas teve a confraternização familiar, essa coisa gostosa de participar. mas hoje choveu, e aquela nostalgia, aquela magia que a chuva traz, não foi o suficiente pra me fazer lavar a alma.

Friday, August 12, 2011

Morar em Rio Branco é isso

Morar em Rio Branco é isso: o que você fala, o que você faz, o que você pensa e, principalmente, o que você escreve toma proporções que é impossível mesurar. É por isso que muitos ficam calados, é por isso que muitos sofrem em silêncio. O julgamento das outras pessoas te torna escravo dos seus próprios sentimentos, sem que seja coerente explicar alguma coisa ou simplesmente se explicar. Para você mesmo. Você fica refém do que os outros vão pensar de você e isso te faz sofrer mais ainda. Se manifestar na internet, principalmente escrevendo em blogs, é a forma que muitos encontram para extravasar todos aqueles sentimentos, sejam bons ou ruins, e compartilhar com outras pessoas que, muitas vezes, sentem o mesmo. Anonimamente.

Porque morar em Rio Branco é isso: ou você se manifesta anonimamente ou as pessoas vão te olhar torto quando te encontrarem na rua. Eu, particularmente, escolhi não ser um anônimo. Assino minhas publicações com meu nome, da mesma forma que assino um documento registrado em cartório. Por quê? Porque, de certa forma, acho que ainda sei distinguir aquilo que as pessoas realmente não precisam saber daquilo que eu quero que elas saibam. Não conto tantas histórias reais, não detalho tudo o que sinto, não especifico qualquer coisa que aconteça na minha vida. Meu blog não é um diário, é um pequeno manifesto de tudo o que se passa dentro da minha cabeça, do meu coração.

Mas morar em Rio Branco é isso: você pode apenas encontrar uma pessoa e perguntar se está tudo bem. Quando essa troca de cumprimento for passada a uma terceira pessoa ela já saberá que você estava com cara de choro, muito pálido, andando apressado. E dali pra frente é possível escrever um livro sobre um simples encontro no Mercado Velho. Se eu falo sobre algumas coisas aqui, as pessoas tem o direito de comentar sim, afinal eu tornei público o que estava sentindo. Mas, gente, precisa deturpar ou simplesmente engrandecer tanto? Que dificuldade é essa de procurar algo mais útil pra fazer que ficar falando isso ou aquilo de quem nem mesmo conhece?

É que morar em Rio Branco é isso: não tem coisa mais útil pra fazer que falar da vida alheia né? Porque o interessante mesmo é achar que conhece a pessoa a fundo, que é o melhor amigo só porque leu alguma coisa na internet. Só porque você sabe um mínimo da vida da pessoa, isso já te dá o direito de achar que sabe da vida inteira. Se eu falo de coisas tristes por aqui, não significa que minha vida inteira eu fui triste. Do mesmo jeito, se eu falar de coisas alegres, não quer dizer que eu sempre fui alegre. Aliás, quem consegue viver uma vida inteira apenas n’um estado de alegria ou de tristeza, sinceramente precisa procurar um médico urgente.

Ser feliz ou ser triste não é condição de vida. É apenas um estado de espírito. As vezes dura mais, as vezes dura menos. E ninguém escolhe isso, gente. Nem sempre essa história de o sofrimento é opcional é verdadeira. E quem sente, quem passa, sabe disso. Tudo bem, a partir do momento que eu escrevo qualquer coisa do tipo aqui, isso se torna público e dá direito às pessoas comentarem qualquer coisa. Mas as pessoas que nunca sentiram nada do gênero, sintam-se privilegiadas. E espero que isso nunca aconteça com vocês. Apesar de muitos acharem o máximo isso acontecer com alguém pra terem o que comentar nos barzinhos no fim de semana. Morar em Rio Branco é isso: se sujeitar à comemoração dos outros pelo estado em que você se encontra para que as rodadas de cerveja não fiquem sem assunto.

Thursday, August 11, 2011

Legião Urbana - Clarisse



Estou cansado de ser vilipendiado, incompreendido e descartado
Quem diz que me entende nunca quis saber
(...)
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes
Como uma ampulheta imóvel, não se mexe, não se move, não trabalha.
(...)
Viver em dor, o que ninguém entende
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer.
(...)
Ninguém entende, não me olhe assim
Com este semblante de bom-samaritano
Cumprindo o seu dever, como se eu fosse doente
Como se toda essa dor fosse diferente, ou inexistente
Nada existe pra mim, não tente
Você não sabe e não entende
(...)
A falta de esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo
E que estamos destruindo o futuro
E que a maldade anda sempre aqui por perto
(...)
Um mundo onde a verdade é o avesso
E a alegria já não tem mais endereço
Clarisse está trancada no seu quarto
Com seus discos e seus livros, seu cansaço
Eu sou um pássaro
Me trancam na gaiola
E esperam que eu cante como antes
(...)
Clarisse só tem 22 anos...

Tuesday, August 09, 2011

fases da vida

To cansado de sentir as pessoas me olhando com olhos de piedade. Sim, por mais que se neguem a assumir isso, para mim e para si mesmas, eu sei que o sentimento em maior quantidade é esse. Não sei se é piedade pelo que eu tenho, pelo que eu sinto, por como eu estou, pelo que eu não conquistei, pelo que eu desisti ou pelas tantas outras coisas que eu tenho medo de tentar. E, também, não sei lidar com isso dentro de mim. Aliás, é difícil lidar com qualquer coisa que venha daqui de dentro. Não importa se felicidade ou tristeza, se alegria ou angústia, se orgulho ou decepção. Comigo mesmo. E aí, meu caro, se eu não sei lidar com meus próprios sentimentos, como lidar com o dos outros? É nessa fase que me encontro. Nessa fase de estar completamente alheio ao que se passa aqui dentro e ao que se passa dentro dos outros. Sem controle em qualquer dessas situações. O que fazer? Se eu não sei lidar com isso, eu lá vou saber o que fazer, oras!

sem sentido

Sinto uma dor no peito. Meu coração ofegante deixa minha respiração em semelhante estado. Não se sabe a causa da dor, não se sabe a causa do sofrimento. Um simples dedilhar no violão é capaz de transformar um iluminado sol em uma fervorosa tempestade interna. Não interessam as canções, os autores, suas letras, nem suas melodias. Assim como tantas outras coisas na vida, basta que existam. É a angústia de se dar com o que já está aí. É o peso de carregar o que já se tem. É o medo de enfrentar qualquer outra coisa diferente que venha pela frente. Até o que outrora era frio, agora é dor na barriga. Não sei o que escrever, ou se devo descrever. Porque não sei bem até que ponto é possível se distinguir o que é bem do mal do bom e do mau.

Monday, August 08, 2011

onde está a paz?

é algo no mínimo engraçado: quando estou feliz e quando estou com raiva as palavras não me veem de uma forma concisa. uma coisinha aqui, outra ali. no estágio da depressão, da tristeza, consigo escrever textos e mais textos externando todo esse sentimento que me deixa pra baixo. é nessa hora que as melhores palavras vêm, nessa hora que as melhores frases se encaixam. com isso o maior número de textos (que eu considero) bons que eu já escrevi aqui vem dessas fases. sou um admirador da depressão, se assim podemos dizer. admiro falar da melancolia, admiro falar do desespero, admiro falar da tristeza que nunca vai passar. e, nessas horas, o que te conforta é que algumas pessoas se sentem exatamente como você. você percebe que não é único no mundo. e que dar as mão, sem necessariamente acorrentar a alma, mas tentando segurar a barra ali, todo mundo junto, ajuda. mas, antes de qualquer coisa, é preciso encontrar um foco. sim, sim! precisa-se organizar a cabeça, colocar as idéias no lugar, descobrir aquele algo que vai te inspirar a sair do fundo do poço. eu costumo atirar pra todos os lados, tentanto acertar um alvo que me traga uma resposta mais clara. mas isso não é o desespero? onde se encontra a paz? alguém possui um mapa da quatro-rodas que indique exatamente o percurso a se fazer para se chegar até ela? ou a viagem a ser feita é justamente aquela mais difícil e cheia de curvas, buracos e desvios necessários, para justamente chegar até dentro de você?

Saturday, August 06, 2011

onde fica você?

as vezes a vida segue por caminhos completamente diferentes daqueles que imaginávamos. de repente você se pega numa encruzilhada, onde uma das setas indica o que você quer e a outra, que é a que você segue, indica o que os outros querem e esperam de você. isso deixa sua personalidade, seu orgulho e sua vontade no chão. em prol da personalidade, do orgulho e da vontade dos outros. é sobre isso que se solidifica aquilo que você vai carregar pra vida inteira. to cansado de engavetar meus sonhos em virtude dos sonhos alheios.

Saturday, July 30, 2011

oscilação

É demais pedir que deixe a música melancólica continuar tocando? Não quero ouvir um samba, se não for falando mal de amigos, mal de amores, mal da vida. É um estado em que me encontro e que não me interessa melhorar. Porque melhorar? Aliás, pra quê melhorar? Prefiro deitar na cama e deixar que o remédio me leve a um sono profundo. Prefiro dormir para não pensar, do que me forçar a não pensar. Por quê? Porque não dá. Não consigo simplesmente me olhar no espelho e dizer: vai tomar no cu seu filho da puta, olha a vida maravilhosa que você tem. Não consigo.

Mas hoje o dia está lindo! Que céu azul, que pessoas maravilhosas, que família mais companheira que eu tenho. Meu trabalho está uma beleza. Meus colegas de trabalho brincam comigo enquanto eu coloco os fones de ouvido e começo a cantar meio alto atrapalhando o serviço deles. É muita felicidade, meu Deus. E aquele mestrado que eu tanto quero fazer? Inscrições abertas. Eba! E tem ainda as duas faculdades que ainda estão no começo e eu preciso terminar. Ah! E mais dois concursos daqui um mês, mas eu só vou estudar pra um deles. Quero tudo, quero tudo.

Mas a nuvem cinzenta no fim da tarde traz aquele sereno fino junto com um vento cortante. Pego o carro e saio percorrendo as estradas. Pra lá e pra cá. As vezes na contramão esperando que algum caminhão não me veja e me acerte em cheio. Quem eu sou? Um merda. Porque tanto sofrimento para as pessoas que me querem bem? Porque tantas palavras frias, tantos atos inconseqüentes, só pelo prazer do sofrimento alheio? Ah! Hoje eu to de saco cheio. Quero sumir, quero que o mundo suma comigo. Quero que Deus me tire a chance de tentar me reerguer. Quero que Deus me leve daqui.

Então meus sobrinhos me sorriem. E que felicidade. Tantas crianças pela casa. Tanta harmonia em conjunto nesse dia chuvoso. E que chuva maravilhosa! Dizem que lava a alma. Será? Bem, a minha está bem lavada. Estou feliz, estou feliz. Decidi que vou comprar aquela TV em que eu posso assistir filmes em 3D. E o computador de última geração que eu tanto queria. Ah! Sem esquecer, é claro, de trocar meu carro, que já há algum tempo não anda direito. E preciso renovar meu guarda-roupa também! Tem roupas lá que já tem um ano inteiro de idade. Não dá, não dá. Preciso renovar, preciso me renovar!

-

É assim que algumas pessoas levam a vida. E não adianta tentar entender. Só quem passa, só quem vive, só quem sente é que sabe. Por mais que se tente arrumar desculpas (ah, isso é besteira! ah, deixa de ser bobo, você não tem nada! bipolar? desculpa esfarrapada pras merdas que faz), infelizmente a coisa é real e toma conta de muita gente por aí. Alguns que nem sabem o que tem.

Thursday, July 28, 2011

apague a luz

'...um dia claro, um momento raro. é assim, que sempre seja assim.
que não se acabe nunca. e não mude jamais.'
Correu, correu, correu até o corpo dizer que cansava: tropeçou e caiu. Sentiu a dor fincando seu peito na estrada de pedras.

amanhã

não é possível saber o que acontecerá amanhã. um simples ato pode mudar todo o percurso daquilo que você imagina que possa acontecer. daí estava eu no consultório médico olhando duas crianças brincarem. irmãos, um talvez de seis anos, outro de um. e aí vem aquele pensamento na cabeça: 'será que um dia eu terei um filho?'

pro lado de lá

Ele não tinha medo de ser romântico. Pelo contrário. Mas havia perdido completamente o interesse em ser assim. As coisas já não podiam ser compensadas. Estava se deteriorando cada vez mais, por dentro e por fora. Enquanto seu coração lamentava a perda, seu corpo expressava o quanto estava acabado. Seus olhos pesavam quase que iguais à sua cabeça. Seus pés não agüentavam mais carregar seu corpo. Inútil! Ele gritava para si mesmo. Sabia que ali estavam as sobras de uma vida já sem sentido. E preferiu calar-se. Moveu-se para fora de sua própria vida. Seriam dois agora.
Os tempos eram outros e toda aquela ansiedade, que antes o consumia, havia passado. O arrependimento resolveu que o incomodaria sempre que tivesse oportunidade, e isso acontecia agora com tanta freqüência que ele já não podia contar nos dedos. Suas lágrimas eram secas. Haviam se esgotado completamente. Fora atingido a pontapés naqueles últimos dias, e se sentia fraco. Queria gritar. Mas seus gritos não pareciam fazer nenhum sentido.

O único resquício do seu vício era o cheiro forte de cigarro que dominava todo o apartamento. Ele, como de costume, estava sentado próximo à janela, olhando a paisagem urbana decorada por prédios e poluição. Sentia-se deslocado, quase que invadido em seu próprio refúgio, como se pudessem lhe roubar aqueles momentos que se tornariam únicos.

Já não pertencia àquele lugar. E aquelas pessoas que o cumprimentavam quando passava eram como estranhos que se fingiam simpáticos. Suas esperanças e sonhos haviam mudado, da mesma forma que a noite vira dia, num período de vinte e quatro horas.

artur e carol

estavam os dois sentados na mesma mesa onde compartilhavam todas aquelas idéias há mais de um ano. o lugar era chamado de dois e quarenta e nove, ou mercantil, ou et cetera. amigos eles eram há quase uma década, mas aquelas tardes todas só passaram a ser compartilhadas naquele fatídico dia oito de outubro de dois mil e nove.

há um ano atrás, o sol estava quente, mas não tão quente quanto hoje em dia. um telefonou pro outro para trocar uma idéia acerca das roupas que usariam dali uma semana numa festa à fantasia:
- ah, carol, acho que vou de mickey mouse.
- pois é, eu to afim de ir de cinderela.
- ah, ta aí, acho uma boa idéia. mas deixa sua tatuagem de cerejinhas pra fora do vestido.
- claro né meu filho! vai que aparece alguém querendo morder.
- mas, heim, tá um calor da porra. vamo tomar uma?
- cara, to no trabalho.
- e sai que horas?
- ih, só depois das cinco.
ainda eram duas e meia da tarde.
- porra, carol! da uma fugida daí.
- oh, agora não vai dar, mas daqui a pouco eu tento.
- ok. vamos nos encontrar lá no mercantil, tá?
- uhum.
- te espero lá.

naquele dia, há um ano atrás, o artur estava descarrilhado. e a carol mais nervosa do que o normal.

[now: sinceramente não lembro o porquê dessa história. mas achei aqui nos meus rascunhos do blog. resolvi compartilhar só pra homenagear minha amiga]

Ele terminou com ela

Ele terminou comigo. E agora o que eu vou fazer? Não sei viver sem ele, não sei o que fazer sem ele. Minha vida já não faz sentido. Eu não quero mais sair de casa, não quero mais me ver no espelho. Não quero comer, dormir ou fazer qualquer outra coisa que não seja pensar nele. Se não o tenho mais, não me tenho mais também. Minha vida se foi dentro da mala que ele levou com suas coisas do nosso apartamento. Esse apartamento já não é mais o mesmo. Sem ele, ele nunca será mais o mesmo. O que eu faço agora, meu Deus, o que eu faço?

Ele terminou comigo. Por quê ele fez isso? Simplesmente disse não te amo mais e foi embora? E desde quando se deixa de amar assim, de uma hora pra outra? Ele não é a Alice/Jane de Closer para decidir se me ama ou não enquanto saio para comprar cigarros. Ele pensa que é quem? Como assim ele joga cinco anos de namoro no lixo, como se não tivesse significado nada para ele? Nunca pensei que ele fosse tão cruel a esse ponto. Como nos enganamos com as pessoas.

Ele terminou comigo. Eu já não choro mais todas as noites. Apenas quando, por acaso, encontro algo que ele esqueceu no que agora é meu apartamento. Ele realmente sumiu da minha vida, apagando todo e qualquer rastro que pudesse trazê-lo até mim. E assim eu também o fiz. Queimei todas as fotos , cartas e até joguei fora aquelas pétalas secas das rosas que ele me mandou em todos os nossos aniversários de namoro. Mudei de telefone, comprei novas roupas.

Ele terminou comigo. Agora chegou a hora da vingança. Vou sair, curtir a vida, encher a cara e ficar com o primeiro que aparecer na minha frente. Ou os primeiros. E até as primeiras. Vou me entregar a todos os corpos que encontrar, de forma que uma hora eu não o veja mais em nenhum deles. Quero sentir as mãos, os dedos e todos os pêlos do corpo deles roçando meus seios, meus braços, minha vagina. Quero que todos me possuam. Vou virar bicho entre quatro paredes. E fora delas também. Quero escadas, carros e até mesas de trabalho.

Ele terminou comigo. E minha vida não acabou. Ele foi embora da minha vida sem deixar rastros. E eu sou feliz por isso. Eu não entendi por quê. Hoje eu sei que ele não me merecia. Hoje eu sei que era muito mais do que ele podia ter. E ele me fez um favor. Saiu da minha vida e levou junto com ele todo o peso de estar ao lado dele. Ele terminou comigo e me deixou viver. E hoje eu sou grata a ele por isso.

porque...

porque você me conta histórias da qual não faço parte? porque me fala de sonhos, se eu sei que quando você fecha os olhos não lembra de mais nada? porque me faz promessas que não pode cumprir e depois me pede desculpas, como se fosse fácil perdoar assim? porque me arrepia os pêlos do braço, se ao amanhecer vai partir e simplesmente esquecer de ligar? porque, quando não quero, me toma nos braços e diz que aquela será a última vez, se sabe que é a partir dali que vai começar a saudade? porque se embrigada no fim de semana e me liga de madrugada só para dizer eu te amo? porque diz que sou só seu, se você não é só minha? e porque, diabos, nos seus planos não se inclui a minha felicidade?

- estava em uma casa de samba chamada embalos de uma sexta à noite.
- e isso é nome de casa de samba?
- o importante é inovar, oras. os donos são de muito bom gosto.
- e... porque eu não fui convidado?
- ah, achei que você não fosse gostar.
- ah, você achou...
- mas, bem, se você tem interesse, a gente pode ir lá na semana que vem.
- não, talvez eu não goste mesmo de samba.
- mas você acabou de dizer...
- é, falei por falar.

porque você me pede pra entender, se não faz a mínima questão de me entender? porque, hoje, quando completamos dez anos de casados, você me deixa em casa e vai pra uma casa de samba? porque você não lembra que hoje fazemos dez anos de casados?

- feliz aniversário de casamento.
- ah, você lembrou?
- e como eu haveria de esquecer?
- não sei, você nunca lembra.
- claro que eu lembro.
- então você lembra que tínhamos uma reserva no Buena Famiglia?
- e nós tínhamos?
- você reservou há três semanas atrás.
- desculpa.
- não.
- quê?
- não.
- não o quê?
- você me pediu desculpas. eu disse não.
- isso é o começo de uma crise?
- não, isto é a crise.

porque você não me conta logo que tem outro? porque me traz presentes sem motivo e me chama de benzinho como antigamente, se às onze da noite está naquele hotel do centro com ele? porque, mulher, você não assume que não consegue viver sem mim, mas que precisa dele pra sobreviver, e me deixa curtir o sábado na casa do álvaro jogando pôquer e tomando cerveja? porque você finge manter um casamento que não existe mais nem na minha, nem na sua cabeça? porque, afinal, preferimos nos dizer felizes, se na verdade a única coisa real que sai de nossos olhos são as lágrimas.

Tuesday, July 26, 2011

o hoje

é uma dor de cabeça que não passa. e entope-se o corpo de remédios. para dormir. dorme que passa. passa nada. quando acorda ela volta. e quando volta, vem com tudo. dormindo ela some. mas, não satisfeita, quando acorda ela aparece. e não é de vez em quando, como a tia que traz bolo. é como aquele primo chato, que trabalha perto da sua casa e vai almoçar todos os dias.

Saturday, July 23, 2011

anoite

um cigarro de menta entre os dedos.
uma sacada.
um pensamento sóbrio.
um pensamento sombrio.

Friday, July 22, 2011

me digam

me digam qual a receita para que as coisas saiam exatamente como o esperado. qual o remédio que cura ressaca, mas também cura o arrependimento do dia seguinte. me digam qual a probabilidade de, entre milhões de jogadores da mega-sena você ser o sorteado. me digam, mas me digam com toda sinceridade, como você vai sair seco se o mundo inteiro tá molhado?

ansiedade

Todo mundo fala pra eu controlar a ansiedade. Mas como eu posso controlar algo que me controla? Aí dizem que eu não posso me deixar controlar. Eu nem gosto de nada que me controle. Mas eu vou fazer o quê? Ansiedade me consome, invade meu corpo, invade minha alma e toma conta de mim.

Cria expectativas, situações imaginárias, sonhos realizados e desejos profundos. Dali me leva a acreditar que tudo vai acontecer. Em apenas vinte e quatro horas. Ouvi dizer que o tempo passa, e que a gente tem que saber aproveitá-lo. Que as oportunidades chegam quando você menos espera e você tem que saber aproveitá-las. Mas, e daí?

E daí que o tempo ainda não passou e nenhuma oportunidade chegou, mas você sente como se não tivesse mais tempo, como se aquela oportunidade que não veio não fosse dar lugar a uma outra, muitas vezes melhor. A ansiedade te torna escravo do futuro, renegante das experiências do passado e mais ainda do que está acontecendo no presente.

E o futuro? Bem, o futuro ainda não veio. E passado também já foi. O importante mesmo é olhar para o presente, agarrar a oportunidade que se coloca nas suas mãos e não à sua frente. Porque a ansiedade faz isso: faz você perder o que está ali, achando que vai agarrar o que ainda nem chegou.

Thursday, July 21, 2011

vão e vem...

Gosto de brincar com as palavras. Aliás, na verdade, as palavras gostam de brincar comigo. As vezes elas vem, as vezes não. Não sou eu que exerço controle sobre elas, mas elas que exercem controle sobre mim. É assim que é, e ponto. Mas não é um ponto final. É um ponto que acaba aqui e continua ali, depois, em outro texto, em outra frase, em um ou outro diálogo. É só ligá-los depois e perceber que na verdade tudo faz parte de uma única história. A minha, a sua, a de nós todos. Não tenho pretensão de buscar um significado pra qualquer existência, apenas para esses poucos momentos de nossa existência. E sei que, por ali, por aqui ou por outro caminho, um ou outro vai se encontrar. Porque toda história, por mais individual que seja, tem um quê de semelhança com outras individualidades.

Tuesday, July 05, 2011

mais do mesmo

Uma voz minúscula ecoa um grito em sua cabeça: faça, corra, aconteça. Você, destemido, do tipo que odeia desafios, lança mão do que te aflinge e parte para o ataque. Um ataque demorado, sentido, penetrante. A voz te envolvendo mais e mais a cada minuto. E você não consegue olhar pra cima e ver a luz. Só vai afundando cada vez mais n’um poço sem fundo. Entorpece a pele com a lâmina afiada, entorpece o estômago com pequenas gotas daquilo que vai te fazer voar para bem longe. Nessa certeza, então, os anjos o guiam. E que anjos mais solidários que sois. Na infinitude de um sono infantil, um sonho de luz.

Monday, June 13, 2011

firework



se torna difícil quando você olha a si mesmo e não sente o calor dos fogos de artifício implodindo de dentro de você. logo você que, sempre tão esperançoso, era a pessoa mais otimista dentre quase todas as que conhecia. seus sonhos, desejos e anseios se comprimem dentro do peito, sufocando de uma maneira impossível de se descrever.

Tuesday, May 10, 2011

mães

domingo foi dia das mães. tenho certeza que 99% das pessoas presentearam, abraçaram, ligaram ou lembraram da sua. eu fiz tudo isso. e mais um pouco. o fato é que eu e a minha mãe somos muito parecidos. na verdade, boa parte do meu caráter vem dela. mas não, a gente não se dá tão bem assim. até se dá, mas não se entende. o fato é que isso não é só uma homenagem, é uma forma franca de falar da minha. que viveu um outro tempo, que curtiu outras coisas e que se interessa por outras coisas. entendível. e pode chamar de drama, de mimo, de qualquer coisa, mas, pô mãe, dá pra me entender um pouco mais? não. e nem adianta querer, não adianta pedir, não adianta implorar. a vida é assim e pronto. cabe a mim deixar essas coisas de lado e otimizar meu relacionamento com ela, trazendo à tona todas as coisas boas que ela ensinou pra mim, e deixando esses mínimos detalhes para que minha terapeuta me ajude a lidar. (sim, eu tenho uma terapeuta). depois de muito tempo, hoje resolvi conversar com ela, pedir sua ajuda (um pouco do meu jeito, claro), mas a forma com a qual ela correspondeu (do jeito dela, claro) me fez pensar duas vezes antes de tentar novamente buscar um diálogo concernente aos meus sentimentos. "fale com ela em paz" diz um. "esteja aberto para um não" diz outro. "argumente" diz mais alguém. "busque um consenso" aconselha mais um. o que acontece é que no meio de tudo isso entra o meu orgulho, a dificuldade dela em lidar com o assunto e os objetivos diferentes. e dói, machuca, faz o peito inflar, querendo que boca transmita de repente um: "puta que pariu, dá pra perguntar o que eu to sentindo, como eu to me sentindo, se eu conversei com alguém, se isso é melhor, se não é" etc etc etc. fato: isso não vai acontecer. e não é por maldade. desde sempre eu tenho o entendimento que, por mais diferente que sua mãe pense de você ou de seus irmãos, ou de seus amigos, ela, na verdade, só busca o melhor pra você. não que isso seja o melhor, mas é o que ela considera melhor. isso é amor. e, por mais diferentes que sejam as formas das mães amarem, sempre vai ter algo que não vai combinar com você. é impossível alguém agradar a todo mundo, até mesmo as mães. uma indiferença vai te doer, um "não" vai te doer, e, não importa, em algum momento da sua vida você vai pensar que a mãe do seu amigo é melhor que a sua. mas na verdade ela também tem os defeitos dela. e, no fim, você vai perceber que você a ama não só porque ela lhe deu a vida, mas justamente porque ela não é perfeita. mãe, eu te amo.