Thursday, September 30, 2010

de tantas

leio. releio. leio mais uma vez. mais uma última vez.
tantas palavras não ditas, guardadas em rascunhos, presas no (in)consciente da memória.
tantos bordões ensaiados, cartas escritas, atos que ficaram apenas na história.
tantas vontades reprimidas, contorcendo por dentro todas as veias.
clama-se por socorro, socorro, socorro. e ninguém parece escutar.

..

anseia, anseia, anseia. é de ânsia que se sobrevive desgarrado.
é de sonhos, vontades, desejos, que se mantém acordado.
lava as mãos, menino. tira toda essa sujeira daí.
não dá, não dá. é a alma que está suja, não se há de lavar.

..

subi no mais alto dos morros, de impulso n'outro, e me pus a voar.
senti a brisa leve no rosto, sussurrando ao cangote do ouvido:
-você não é pássaro. é gente. desce.
e a cada letra exposta, eu era levado para mais perto do chão.
CHEGA
não se há de me dizer, ninguém há de me dizer, o que eu não posso fazer.
poder. eu posso. mas não tenho.
e, por aquele milésimo de segundo, eu pude conhecer o paraíso.

..

morfina. lexotan. cannabis sativa.
guaraná. lsd. cocaína.

..

a ciência não explica.
e ninguém sabe explicar.
mas é melhor: penetrar ou ejacular?

..

ao pó voltou. e foi jogado ao vento.
nas águas de tudo aquilo que já tinha passado por ele.

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