As pessoas reclamam por estarem apaixonadas. Não gostam, acham tosco, fora do normal. Hã? Estar apaixonado é uma das melhores coisas da vida. Por menos correspondido que seja. Estar apaixonado faz bem, faz o coração bater mais forte, faz o corpo pedir pra ser mais cuidado que o normal. A paixão te invoca a fazer loucuras, que você não faria são, apesar de querer ao tempo todo fazer. A paixão te deixa bêbado sem álcool. Te deixa como dopado de uma droga que nem você conseguiria descrever exatamente como é. Seu corpo todo estremece, por vezes, quando não resolve simplesmente desfalecer. Você escuta a voz e é como se a sua música preferida estivesse simplesmente encantando todos ao redor. Você sente um simples toque, até sem querer, e é como se o resto do mundo sumisse da sua frente. Estar apaixonado é muito mais que mandar flores ou se declarar publicamente. Estar apaixonado envolve muito mais o sentir-se bem que o sofrer por quem não está ao lado. Precisar saber onde o outro está o tempo todo não é amor, tampouco paixão. Isso é doença. Paixão é estar disposto mesmo quando não se está. É sorrir, mesmo quando se está a ponto de chorar. Estar apaixonado é ver o pôr-do-sol mais colorido do que ele já é. É não ver apenas um azul, mas um azul turquesa, um azul claro, um azul escuro, um azul-oceano dentre tantos outros que existirem por aí. Porque até isso a paixão faz: consegue te fazer enxergar até coisas que não existem ali, a olho nu. Estar apaixonado não é sofrer, mesmo que por vezes isso aconteça. Estar apaixonado é ver em cada amanhã uma nova possibilidade de vários ‘ontens’ ainda acontecerem. Apaixonar-se está muito mais além do que simplesmente esperar uma ligação ou uma mensagem. Apaixonar-se tem mais a ver com o egoísmo de sentir-se mais feliz que qualquer outra pessoa do mundo. Mesmo que não tenha motivo para isso.
Sunday, April 28, 2013
Tuesday, March 12, 2013
Eu tive um cachorro
Eu tive um cachorro. Eu tinha lá pelos meus dez, onze anos. A cadela de uma vizinha tinha
tido alguns filhotes e ela perguntou se eu não queria um. Com o aval dos meus pais
escolhi aquele filhotinho marrom. Não era bem um marrom. Era mais claro. Não
sei bem definir a cor específica que ele era. Mas lá foi aquele cachorrinho
parar na varanda da minha casa. Era tão bonitinho. Aquele latido fino quando
começou a rosnar como se pudesse amedrontar quem se aproximasse.
Minha irmã, que, à época, morava comigo, não era
muito fã de cachorros. Ela tinha – tem – essa coisa com bichos de estimação. Meus
pais já haviam tido um cachorro, dos grandes inclusive, mas até aquele pequenininho
lhe causava um pouco de medo. Mas, conforme ele foi crescendo, até ela se
acostumou com ele. Não o queria por perto, roçando suas pernas ou simplesmente
clamando por carinho, mas também não se incomodava com sua presença em casa.
O Tobby cresceu. E eu também. E eu passei a não
querer responsabilidades. Então ele se virava sozinho. Aprendeu a viver nas
ruas. Estava sempre pela praça próximo à minha casa, com os outros cachorros da
vizinhança. Quando eu saía de manhã pra ir pra aula lá estava ele, estirado na
calçada, aproveitando aquele sol das sete da manhã para deixar seus pêlos mais
brilhantes, que agora tinham uma aparência cobre e, conforme ele se
movimentava, via-se estampado ali um brilho que raramente eu havia visto em um
cachorro.
Minha tia o chamava
de “o cachorro elegante”. Se referia ao andar dele, todo pomposo, sem
abaixar a cabeça e com um reboladinho que era só dele. Mas eu só brincava com o
Tobby. Talvez pelo fato de eu estar seguro que ele realmente era independente e
sabia se virar quando eu não estivesse por perto. Mas o fato é que a moça que
trabalhava na minha casa, Dona Francisca, é que cuidava dele enquanto eu não
estava ali.
Na verdade o que me faltava era responsabilidade.
Era muito fácil eu querer um cachorro. Tinha dez, onze anos, e não imaginava
que ter um cachorro dava trabalho. Ter um cachorro, pra mim, era uma questão de
diversão. E, mesmo eu não estando presente na maior parte do tempo, sempre que
eu aparecia ele corria pra cima de mim. Pulava nas minhas pernas, mordia sutilmente,
latia de felicidade. Hoje eu recordo que, muitas vezes, em momentos assim, eu
acabava simplesmente pedindo que ele saísse. E, ainda assim, ele repetia as
mesmas coisas todos os dias.
Até que, em decorrência de seus passeios na rua e
da minha falta de cuidado, ele se encheu de carrapatos. Era 2002 e eu tinha
acabado de completar quatorze anos. Estava no último ano do meu primeiro grau.
Tobby estava chegando ao seu quarto aniversário. Meu pai resolveu dar um jeito
nos carrapatos e passou veneno por todo o corpo dele. O único porém foi que
aquele veneno para os carrapatos deveria ser utilizado em bovinos. E meu pai
havia despejado por todo o corpo do meu cachorro.
Percebendo-se molhado, Tobby começou a se lamber.
Achava que era água, talvez, e queria se enxugar. Fui informado, então, que ele
não queria mais comer nada, que estava muito debilitado e deveria ser levado ao
veterinário. Não lembro bem, mas acho que minha mãe o levou. Ele dormiu lá
nesse dia. Então no dia seguinte estávamos com ele em casa, ainda debilitado,
mas o doutor havia receitado um remédio para lhe dar de tantas em tantas horas
via oral. Naquele momento, ali, no auge do meu desespero, eu percebi que não
queria perde-lo. Que o fato de não cuidar não era simplesmente não gostar. Era
só que eu não era responsável.
No dia seguinte, quando voltei da aula, Tobby não
estava em casa. Meu pai me disse que minha mãe o levara no veterinário
novamente porque ele não tinha ficado muito bem. Fiquei tranquilo, pois tinha
dado o remédio igual o doutor havia falado. Então almocei e fui para o meu
quarto ver um pouco de televisão antes que ele chegasse. Mas ele não chegou.
Minha mãe voltou pra casa sem o meu cachorro. Tobby morreu. Lá, na mesa da
clínica, sem que eu pudesse me despedir ou simplesmente enterrá-lo em algum
lugar.
Meu cachorro simplesmente foi largado para que o
veterinário desse um destino para ele. Ninguém perguntou o que eu queria fazer
com ele. Ninguém me deu uma chance de, pelo menos, abraçar meu cachorro uma
última vez. Eu, que nunca tinha cuidado dele, estava ali, agora, arrependido de
todo o tempo que o deixei de lado, como se ele fosse simplesmente um brinquedo
meu, que eu podia pegar e largar a hora que quisesse.
Meu pai se culpou por muito tempo. Até arranjou um
novo cachorro, mas eu decidi não ter mais animais de estimação até que garantisse
a mim mesmo que eu poderia cuidar dele. Minha irmã, aquela que não gosta de
animais de estimação, pela primeira vez disse pra mim que o Tobby era o único
cachorro que ela gostava. O grande lance é que não havia ninguém em casa que
não gostasse dele. Ele era respeitador, era nosso guarda, era quem, sendo
cuidado ou não, estava ali do nosso lado no momento que fosse.
Por quatro anos eu tive um companheiro. Que seria
inseparável se eu não o tivesse separado tanto de mim. Espero que ele tenha
levado lembranças boas de mim. A D. Francisca com certeza ficou na sua memória.
Era como uma mãe pra ele. Eu talvez tenha ficado como o irmão mais velho, que
não dá muita atenção, mas sabemos que é seu jeito de amar. Eu não tive mais
nenhum cachorro desde então, mesmo querendo muito. Porque já prometi a mim
mesmo que só darei amor a outro bicho de estimação quando tiver plena
capacidade que estou disposto a assumir a responsabilidade. Saint-Exupéry,
sabiamente, já nos ensinou: tu és responsável por aquilo que cativas.
Monday, February 18, 2013
do amor
- eu acho que já o amo.
- como é que é?
- eu o amo.
- não, você não o ama.
- então o que é isso que eu to sentindo?
- paixão. você tá apaixonada.
- mas é muito forte.
- continua sendo paixão. a gente não ama com três dias. a gente pode se apaixonar, mas amar não. amor, como dizem os indianos - e nisso eu concordo com eles -, vai sendo construído com o tempo. você precisa conhecer os defeitos do outro para amá-lo.
- que loucura!
- mas é. quando você conhece alguém e se interessa por, você olha as qualidades, olha o que aquela pessoa tem de bom e de diferente. conforme o tempo passa todo mundo vai mostrando seus defeitos, seus problemas, e aí sim, depois disso é que você pode dizer que ama alguém. não adianta dizer que ama sem amar por inteiro. você não pode amar só um pedaço. amor é ou não é. e ponto. é por isso que não dá pra medir, sabe? "você ama mais fulano ou beltrano?". não dá. você só ama por inteiro. você pode se importar mais com um ou com outro, mas amor não é medida. amor é sentimento. ou você sente ou não.
Thursday, February 14, 2013
ontem eu aprendi
Nunca fui bom em oratória. Pelo contrário, falar em público sempre me deixou nervoso, com mãos trêmulas e suando frio. Apresentar trabalho na sala de aula era a maior tortura da minha vida. Nunca soube lidar em ser o centro das atenções para coisa séria. Talvez tivesse vergonha das minhas ideias ou simplesmente não conseguisse ser firme para ensinar alguma coisa.
Com o tempo acabei aprendendo a lidar melhor com isso, acabei aprendendo que, em determinadas situações, eu seria obrigado a encarar as pessoas à minha frente. E, mais importante ainda, eu iria aprender a encarar até mesmo aquelas que eu não conhecia. Claro que isso não acontece em todas as ocasiões, mas consigo ser suficientemente corajoso pra apresentar um trabalho, pra expor uma ideia a um grupo, para ler meu discurso de formatura da forma mais natural possível e até para me declarar àquelas pessoas por quem me apaixonei. Alguns eu conquistei assim.
Já outros por pequenas atitudes que eu também sempre considerei muito mais importantes que quaisquer outras extremamente magníficas. Sempre me ateei ao simples, aos detalhes. Porque, pra mim, era aí que tava a beleza da coisa. O significado era mais importante do que o próprio objeto. Alguns eu conquistei assim.
Mas eu sempre fui bom em escrever. Sempre fui elogiado pela letra, pelas palavras bem articuladas no papel, pela criatividade nas atividades que exigiam o uso da imaginação. Sempre fui bom em me esconder atrás dos papéis. Foi assim que uma vez namorei por cartas, ou na vez em que quis contar aos meus pais que eu fumava, ou até mesmo na hora de pedir desculpas por algo errado que fiz. Muitos eu conquistei assim.
No acontecer das coisas acabei conquistando por cada parte dessas. Mas, se gostaram de mim, me amaram foi porque conheceram pelo menos um pouco de todas delas. Só que o tempo passa, as coisas mudam, quer você queira, quer não. Aqueles com as quais você mais agia, você passa a falar mais. Aqueles com que você mais falava, acaba escrevendo mais. E aqueles para os quais mais escrevia, agora se relaciona apenas por pequenos gestos.
Nem eu seria capaz de entender isso sem vivenciar. Porque passei quase minha vida inteira acreditando que as coisas não podiam ser assim. Que essas mudanças não significavam o natural ciclo da vida, mas uma falta de amor, uma falta de sentimento, um desprezo que chegava a ser muito desprezível. Nunca foram justos comigo aqueles que isso faziam. Até que eu visse, ouvisse, lesse, sentisse na pele, no sabor e, por fim, entendesse.
E quando você entende você acaba querendo que todos os outros entendam também. Essa é a parte difícil que você também demora pra aceitar. Que os outros tem o próprio tempo. E esse tempo um dia chega. O tempo que você percebe que pode estar feliz sozinho. O tempo que você percebe que te amam, mas a forma como demonstravam isso pode ter mudado. E até não existir mais. Mas isso não quer dizer que o sentimento não está ali.
Mas é o ciclo natural da vida. Nem todo mundo entende. Nem eu entendia. Nem você, talvez, entenda. Isso é crescer. Pra mim crescer é entender. Desde que eu comecei a olhar para as coisas da vida com um olhar de aprendizado e não da vítima perseguida na sua felicidade, eu passei a estar mais feliz. Porque, sim, eu sei que meus problemas não são maiores que os dos outros. Mas eu já sei discernir, dentre os meus, para os quais eu devo realmente buscar soluções ou para os quais eu tenho que tirar da categoria de problema e colocar na prateleira de simples egocentrismo.
Wednesday, February 13, 2013
então esse ano
então eu tentei, de todos os jeitos, dar um passo pra direita. quando não deu certo eu dei um passo pra esquerda. mas também não deu certo. frente? trás? diagonal? o fato é que não adiantava eu dar passo pra qualquer lado que fosse. se fugir de você parecia difícil, agora eu percebia o quanto era impossível. porque, com todas as dificuldades e sofrimentos que a vida me deu, eu aprendi a te amar em cada pequeno defeito que se tornava verdadeiramente pequeno em cima de todas tuas qualidades. e se alguém reclama que eu te exalto demais, eu olho e digo que é porque eu sei que você precisa disso pra saber quem é. pra nunca deixar de acreditar em todas as possibilidades que existem bem aí, na sua frente. e meus passos, pra qualquer lado que forem, de nada adiantarão enquanto eu não olhar nos seus olhos e perceber a verdadeira felicidade dentro deles. porque eu sou um pouco dela, eu sei. aquela princesa que te protege é mais ainda. mas, tem algo aí, sabe? algo bem aí dentro que ainda falta vir pra fora e tornar teus olhos verdadeiramente felizes. e não, enquanto eu não puder ver isso aos meus olhos nus, eu não vou descansar. e posso até ficar parado aqui, sem ter qualquer lado pra ir, porque eu prefiro aguentar a espera do que desistir.
Wednesday, January 30, 2013
...a verdade sai.
aí eu resolvi tomar uma cerveja. é, naquele mesmo bar em que a gente se conheceu. mas eu não consegui me satisfazer com uma, então tomei mais uma, e mais uma, e mais uma, e mais várias. e aí eu lembrei de ti. lembrei de quando você se interessou por mim. quando quis me conhecer, saber meu nome, sair comigo. eu nem imaginava. você também não. seria mais uma noite como outra qualquer. aí passou um filme na minha cabeça, daqueles que em duas horas é possível resumir tudo numa coisa só. só que duas horas é pouco tempo pra resumir. porque até resumo, em relação a gente, é impossível. aí eu lembrei que tenho seu telefone. ligar? não. preferi mandar mensagem. escrever aquelas poucas - muitas - coisas que eu sempre disse, digo e vou continuar a dizer. doa a quem doer. mesmo que doa em você. porque, como já me disse uma amiga minha, passar vontade não vale à pena. eu não passo mais vontade. mas eu sinto saudade. eu sinto saudade da tua voz, do teu jeito, da tua pele colada na minha me fazendo acreditar que éramos apenas um. o que eu ainda acho que seja. e, pelo menos por enquanto, eu ainda não posso pegar essa saudade, colocar no bolso e esquecê-la lá pra que volte da máquina de lavar como um papel rasgado. mesmo que seja o que eu queira. eu queria mesmo que a vida fosse como eu sempre sonhei que fosse. um ano, dois anos, três anos. um noivado, um casamento, um apartamento, uma vida a dois. dividir as contas, comprar geladeira, sofá, arrumar direitinho o quarto da filha mais velha (ou única). rosa? ou será que ela já cresceu demais e quer escolher a cor? aí eu lembrei que eu to aqui, e você tá lá. ou que você tá aqui e eu to lá. eu sei que, no meio desses encontros e desencontros, a gente se encontra. vez ou outra. horas, dias, semanas ou meses depois. anos não. porque anos pra gente é demais. trezentos e sessenta e cinco dias é muito tempo pro que a gente sente, pra gente ficar longe um do outro. eu não digo teu nome, porque não preciso dizer algo que já tá tatuado na minha pele pra todo mundo ver. mas nem todo mundo vê. você vê, eu sei. porque eu também vejo aí, estampado na testa, o meu nome em letras garrafais. nunca te pedi pra me esperar a vida inteira. mas prometi, pra mim mesmo, não perder a esperança de te ter pra minha vida inteira.
Monday, December 31, 2012
Enfim
Não é no dia de hoje que você vai relembrar tudo o que fez durante o ano. Tenho certeza que você já vem fazendo isso desde dias atrás. A lista de promessas se perdeu por detrás do sofá. Caiu ali, entre ele e a parede, e você só achou quando afastou pra limpar e ainda assim jogou no lixo. Três, quatro, daquelas pessoas que você abraçou e desejou mais um ano de amizade, simplesmente seguiram por caminhos diferentes e vocês nem mais se falam. Sua música favorita já deu lugar a outra. E aquele livro que você tanto gostava, acabou indo parar na mão de outro. E não teve só fraternidade dentro da sua casa também. Brigou com seus pais, com seus irmãos, com seu melhor amigo. Além do que tava todo mundo esperando o fim do mundo, então você acabou se despreocupando até com o novo ano. Mas lá vem ele chegando, de mansinho, daqui algumas horas, pra nos proporcionar mais tantas falsas promessas. Mas, em contrapartida, oferecer mais uma vez o melhor ano da sua vida, o ano com mais alegrias verdadeiras, e um maior número de vitórias que o que vai acabando já trouxe. E que no próximo último dia do ano você tenha cumprido pelo menos uma das promessas de ano novo. Ou não.
Sunday, December 30, 2012
quem nunca
Você estava lá, do outro lado do bar. Uma franja curta, para não encobrir seus olhos, como você mesma dizia. Já tinham se passado cinco anos desde o nosso último encontro. E eu te olhava assim, como quem não quer nada, tentando descobrir o que já era seu e o que você tinha acrescentado ou retirado de si mesma. Muito havia mudado. E pouco havia sido retirado. Mas tinha algo igual. Algo que talvez nada retirasse de ti. Teu sorriso. Teu sorriso era o mesmo desde que tinha te conhecido no colegial. Um sorriso que eu tanto me apoiei naqueles dias mais obscuros em que bastava fechar os olhos e te ver. E eu percebi que você me olhou umas poucas vezes. Talvez querendo falar, talvez querendo apenas analisar-me do mesmo jeito que estava fazendo contigo. Até que ele chegou. Te abraçou e sentiu o perfume do seu pescoço. E a partir daí não me olhaste mais nem uma vez. E eu não conseguia tirar os olhos de ti. E foi quando eu senti a dor. A dor de saber que você estava seguindo em frente e eu parado, esperando o mundo girar e parar no mesmo lugar.
Thursday, December 20, 2012
então sinto nossos dedos entrelaçados. tento lhe guiar, mas seu perfume me guia. sei onde está o tempo todo e todo o tempo. e não consigo de você me desvencilhar. sigo meu olfato pra te encontrar. e te encontro, não sei se felizmente ou felizmente, em cada olhar. você encosta a bochecha na minha. e sussurra algo em meu ouvido, como que clamando pra que te puxe mais pra perto de mim. então eu te envolvo em meus braços e te trago aqui pra perto. nossos lábios quase colados, quase selando todo esse tempo em que eu tanto esperei pra te ter. mas não te tenho. porque a vida poderia ser mais fácil, e eu poderia estar ao seu lado. mas, antes de me despedir, eu preferi estar ao seu lado. e estarei. um pra sempre sempre será um pra sempre. independente do tempo que durar. porque nos contos de fada todos vivem felizes para sempre. esquecendo de todos os percalços que passaram para que isso acontecesse. um pra sempre não é pra sempre até que a bruxa má jogue a maldição e alguém a quebre. dificuldades sempre vão existir. e a vontade de vencê-las também. não te levo no tango hoje, mas, como o futuro é incerto, posso te levar amanhã. não tenho olhos pra te enxergar, mas tenho meu coração pra te sentir.
Friday, November 09, 2012
do coração
Um dia eu fui apresentado a ele. Na melhor das hipóteses, pra não culpar ninguém, digo que o conheci sozinho. E o pior é que foi. Eu tava ali, calmo, na minha, como se nada ao meu redor estivesse acontecendo. E aí ele chegou, naquela pisada flutuante dos pés, como quem não quer nada, e se apresentou. Não exclamei um “puta que pariu” porque decidi confiar plenamente naquele, até então, desconhecido. E mandei bem. Fui feliz. “Pra caralho” como dizem. Mas ele esqueceu de me falar sobre os defeitos que ele tinha. Ele trazia um quê de mágoa, uma certa demonstração de desafeto, por vezes uma falta de carinho, que um dia o fez desabar. Então ele chorou. Ele chorou por não acreditar em si mesmo. Por ver que aqueles ao redor simplesmente o ignoravam e se faziam não entender. Ele veio e me cativou. Mas esqueceu de me dizer que na sua partida eu sofreria. Esqueceu-se de me dizer que, em determinando momento, eu me decepcionaria. E acabou não me ensinando como tentar vencer essa decepção. Ele veio, com todas as forças, e me atirou no chão, sem me deixar, por momento sequer, levantar sem aprender a andar novamente. Esse filho da puta chegou sem avisar, fingiu me agradar, me mandou tomar no cu e foi embora sem se despedir. Mas ele me fez sentir algo que nunca senti em toda a minha vida. O amor veio, se apresentou, invadiu qualquer ambiente do meu ser, me fez sonhar, idealizar e até a me sentir usado. Mas ele mesmo disse, quando chegou, que nem todos seriam iguais a ele. Que viriam outros amores, outras dores, dentre outros entre o bem e o mal. Só que o amor é isso mesmo: é saber dos defeitos, conhecê-los e, ainda assim, sentir prazer em tê-lo em você.
Tuesday, October 23, 2012
"...até bem pouco tempo atrás..."
Nasci da solidão em que se encontrava minha mãe naquele fim de noite fria. Foi meu pai, que nunca soubemos quem foi, que a acalentou naquela noite, junto com tantos outros. Mas foi apenas dele que ela carregou a lembrança. Mesmo sem saber quem. Foi a última vez, como deveria ser. Ela não agüentava mais se entregar. Nasci da falta de pudor que aquela senhora tinha naqueles anos. Senhora, sim, pois era casada, mas se deitava com outros. Meretriz, diziam sem que seu marido se importasse. Ele não podia mesmo ter filhos. Era aleijado, como dava pra se observar. Mas ela cuidava bem dele, meu padrasto, digamos. Nasci da melancolia que invadia aqueles olhos baixos de minha mãe, que sempre quisera tanto ter um filho. Período fértil era a hora de dar por encerradas as desventuras pornográficas do centro da cidade. Era senhora, já. Estava cansada. O marido dela me deu amor, mas eu não retribuí. Sempre fui filho rebelde, afinal nasci da rebeldia que assolou a cabeça daquela mulher que sempre vivera tanto pelo conservadorismo. Nasci da luta dela pra deixar alguma coisa pro mundo. Não plantou árvore nem escreveu livro, mas fez filho. Único. Nasci por querer, sem querer. E sofri a dor de ser um bastardo para sempre nas bocas e ouvidos dos que nos cercavam. Nasci já predestinado a carregar a culpa de uma mulher que queria mesmo era transferir sua culpa pela vida para alguém que pudesse agüentar o que ela não agüentava mais. Nasci culpado, por fim, sem nem saber o que era culpa. E continuo sem saber, tanto que talvez não agüente mais.
Monday, September 03, 2012
aquele verão
- teve um verão, minha filha - começou o pai para a filha de dezessete anos, que havia acabado de terminar um relacionamento e achava que o mundo tinha acabado - lá pelos meus vinte e três anos, em que o mundo desabou. eu fui de encontro ao chão em questão de horas, minutos, segundos. numa atitude insensata eu consegui fazer minha vida virar ruína naquele momento. e dali foram se passando dias, semanas, meses. eu perdi as esperanças, sabe? cheguei a desistir de procurar um sentido pras coisas. a única certeza que eu tinha era a de que não haveria recuperação. até mesmo depois do retiro na qual passei pouco mais de quinze dias eu achei que definitivamente nada haveria de melhorar. e então eu segui com a vida. e as coisas começaram a se encaminhar. devagarzinho, sem que eu mesmo percebesse. tudo foi se encaixando, aos pouquinhos minha vida foi voltando ao normal. eu sofri muito durante pouco mais de seis meses. mas o sofrimento foi diminuindo a partir daí.
- eu não aguento um ano, pai.
- eu achava o mesmo, ana. mas eu aguentei. foi daí a maior lição que eu tirei da minha vida. a gente nunca vai receber de Deus um fardo maior do que possamos carregar. infelizmente a gente só percebe isso depois que tudo passa. eu não estou falando tudo isso pra você simplesmente deixar pra lá que passa. depois de se encantar, você precisa passar por todo o processo: a decepção, o sofrimento, a aceitação, a redenção e, por fim, a liberdade. mas você é minha filha e meu trabalho como pai é apenas mostrar uma parte do caminho. e, se alguma coisa quiser te machucar, reza. talvez eu não tenha confiado tanto nisso naquela época e por isso passaram-se tantos meses para que as coisas melhorassem. mas depois que tudo aconteceu, eu sempre rezo pra agradecer por tudo que Deus veio me proporcionando todo esse tempo.
- só isso? rezar?
- não, meu amor, rezar é só uma parte de tudo isso. você tem que aprender, cair no chão pra levantar, ter auto-crítica, literalmente se tornar independente. não que você não vá precisar das pessoas. mas antes disso acontecer você tem que precisar de si mesma primeiro. confie em você. assim as coisas hão de melhorar. eu amo você. e estou aqui para o que precisar. mas saiba que na hora que eu souber que alguma lição você vai tirar da situação, eu vou deixar você ir lá sozinha. aqui, no nosso mundo, a gente só cresce assim. tenta dormir. amanhã é um novo dia - completou lhe dando um beijo na testa.
- boa noite, pai.
Sunday, September 02, 2012
bilhetes
Cheguei. Era tarde já. Você dormia em nossa cama. Eu estava sem sono. Acabei por, na ponta dos pés, colocar o nosso pufe próximo da cama e sentei-me nele pra te admirar. Tentava não fazer barulho nem com a minha respiração. Tudo pra não atrapalhar seu sono. Lembrei da primeira vez que dormimos juntos, depois daquele primeiro mês de namoro. Você relutou bastante e eu acabei tendo que ficar mais de um mês sem dormir com ninguém. Sim, porque te fui fiel desde o dia em que te conheci. Nunca te traí nem por pensamentos, que foram todos seus. E foi uma noite maravilhosa. Fizemos amor de uma forma tão conectada que não sei como não ficamos ali para sempre. E aí naquele dia você acabou me fazendo café da manhã, lembra? Acordou mais cedo, foi ao mercado, arrumou a mesa inteira e me deixou um bilhete de bom dia antes de voltar pra sua casa. Agora moramos juntos. E eu talvez ande trabalhando demais. Então talvez seja a hora de eu retribuir o carinho. É por isso essa mesa toda posta essa manhã. Eu amo você, meu amor. Bom dia!
Seu,
Augusto
Tuesday, August 21, 2012
Sinal
Eles se encontram no sinal vermelho. Ele se lembra: o passado os une. Ela não lembra, e liga o som. As lembranças trazem de volta aqueles momentos em que estavam sozinhos. A música a distrai. Ela dança com os ombros. Ele se perde no rosto, nos movimentos, na delicadeza. Ela muda a música e olha pro lado. Ele vira o rosto pra frente, mas os olhos se encontraram. Ela lembrou. Sinal verde. Ele parte desesperamente. Ela acorda das recordações com os carros que buzinam atrás. Até logo. Até breve. Ou talvez nunca mais.
Lili
já faz tanto tempo eu sei
oito* anos se passaram
mas parece que foi ontem
que você se foi
eu ainda era uma criança boba
que não conhecia a vida
como conheci aquele dia:
o dia da sua partida
você não era tão alta
mas eu só alcançava a sua cintura
e aquele sorriso seu
que eu bem conhecia
de onde você está
eu sei que olha por mim
e a sua lembrança
faz minhas lágrimas caírem
"vem pra cá, o que você quer ganhar
vai dormir, já já deve acordar"
e me olhava sumir na esquina
da varanda da sua casa
oito* anos se passaram
mas parece que foi ontem
que você se foi
eu ainda era uma criança boba
que não conhecia a vida
como conheci aquele dia:
o dia da sua partida
você não era tão alta
mas eu só alcançava a sua cintura
e aquele sorriso seu
que eu bem conhecia
de onde você está
eu sei que olha por mim
e a sua lembrança
faz minhas lágrimas caírem
"vem pra cá, o que você quer ganhar
vai dormir, já já deve acordar"
e me olhava sumir na esquina
da varanda da sua casa
*hoje são quase quatorze.
Friday, May 11, 2012
aprendendo a voar
subiu, deixou cair a pena que segurava há tantos anos.
e dali a pouco, soube quando deveria sorrir sem se preocupar.
os mistérios embalados nas canções,
e os pródigos que insistiam em voltar
abriu os braços ali mesmo
onde o sol seria visto pela primeira vez
-vai, que o vento te leva!
Thursday, May 10, 2012
au
Eu não pedi pra ver, porque já aprendi bem que quem procura acha. Um quê de malícia, troca de farpas, de olhares, de, talvez, bobagens no ambiente. E o caminhar inocente de um cachorro até o poste sempre utilizado para suas necessidades. Foi aquele pobre cachorro que me chamou atenção. Andava em passos firmes, cabeça erguida, orelhas em pé. Tem pedigree pensei. Seguia calmamente o caminho até parar abruptamente, olhando fixo para seu destino - ê, lelê. A cadelinha outrora sua passeava de rabo encostado com outro cão. Percebi suas patinhas bambas. E, logo em seguida, uma delas curvar e fazê-lo cair no chão. Os dois cruzaram com o pobre cachorro e um único au foi o que ele ouviu da cadelinha. Todas as vezes que fui àquele lugar, inclusive hoje foi um deles, eu vejo o pobre cachorrinho deitado na calçada, com a patinha ainda manca. Ninguém tratou de consertar.
Thursday, April 19, 2012
dos sonhos um
Olhei pro porta-treco da porta e de lá tirei um espírito-santo. Vinha colorido, com fitilhos variados, encantando o entorno de um aramado que o protegia. Reconheci ali tua delicadeza. Aquela mesma que vez ou outra, querendo ou não, você deixa transparecer. Me embebedei de dúvidas. Se te ligava, se te encontrava, se te beijava, se te amaldiçoava, se me beliscava pra acordar daquele sonho. Não soube escolher. Mas já estava com o telefone em mãos, como se Deus ali o tivesse posto. E ouvi tua voz, do lado de lá, dizer alô. Do lado de cá eu não sabia se agradecia, se me deixava envolver, se me permitia lidar com a insegurança de, de repente, ter ficado feliz com tal gesto. Sorri. E meu sorriso lhe foi percebido. Porque, do lado de lá, tu sorristes também, eu percebi. A gente sabe quando alguém sorri do outro lado. Agradeci pela lembrança. Não entendia como ela tinha ido parar ali. E nem você quis dizer. Talvez eu tenha deixado a porta do carro aberta enquanto comprava o sanduíche ali do lanche da praça, onde estava antes de qualquer outra coisa. Você só disse que não precisava agradecer. E que me amava. E talvez isso tenha se tornado algo tão inimaginável que eu nem acreditei. Mas senti necessidade de dizer o mesmo. Não uma obrigatoriedade. Mas antes que te dissesse, talvez tenha sido Deus, eu acordei. Despertei e, quando fechei os olhos novamente, não consegui te ver mais. Você já tinha ido.
Tuesday, March 13, 2012
a espera
Era nove horas da noite. O relógio de parede fazia seu tic tac costumeiro. Marcos estava sentado na poltrona, a poucos metros da porta de entrada de sua casa. Esperava sua esposa chegar para que pudessem jantar. Tinha feito um spaghetti aquela noite. Os pratos estavam postos, as taças de vinho também. Aguardava ansiosamente por aquele encontro diário.
Tinha conhecido Cíntia há mais ou menos dez anos. Casaram cedo, com poucos meses de namoro. Mas tinham certeza que o encontro deles era obra do destino. Se complementavam plenamente e viviam em perfeita harmonia. Ele trabalhava em uma empresa de prestação de serviços. Ela era secretária em um consultório psiquiátrico. Entrava no trabalho às duas da tarde e chegava em casa pontualmente às nove horas da noite.
Não era do seu agrado que ela trabalhasse até tão tarde. Mas, diferente de muitos outros maridos, nunca desconfiara de sua esposa, apenas respeitava sua escolha de trabalhar daquela forma. Ele sempre a esperava com a mesa posta. Gostava de cozinhar e, se fosse pra ela, sentia mais prazer ainda. Os dois sentavam juntos, falavam sobre o dia que passara e iam para o quarto de mãos dadas.
Já eram nove e meia e ela não tinha chegado. Marcos baixou a cabeça, derramou algumas poucas lágrimas, levantou-se e seguiu para a mesa. Serviu os dois pratos, mas não conseguiu dar uma garfada na comida. Já fazia mais de um mês que ela não entrava por aquela porta. Já fazia mais de um mês que ele, pontualmente, esperava seu retorno.
Cíntia nunca voltou. Seu túmulo não tinha flores. Marcos nunca aceitou que ela tivesse partido. Esperou ela entrar por aquela porta todos os dias. Até que ele mesmo não entrasse mais por ela.
Tinha conhecido Cíntia há mais ou menos dez anos. Casaram cedo, com poucos meses de namoro. Mas tinham certeza que o encontro deles era obra do destino. Se complementavam plenamente e viviam em perfeita harmonia. Ele trabalhava em uma empresa de prestação de serviços. Ela era secretária em um consultório psiquiátrico. Entrava no trabalho às duas da tarde e chegava em casa pontualmente às nove horas da noite.
Não era do seu agrado que ela trabalhasse até tão tarde. Mas, diferente de muitos outros maridos, nunca desconfiara de sua esposa, apenas respeitava sua escolha de trabalhar daquela forma. Ele sempre a esperava com a mesa posta. Gostava de cozinhar e, se fosse pra ela, sentia mais prazer ainda. Os dois sentavam juntos, falavam sobre o dia que passara e iam para o quarto de mãos dadas.
Já eram nove e meia e ela não tinha chegado. Marcos baixou a cabeça, derramou algumas poucas lágrimas, levantou-se e seguiu para a mesa. Serviu os dois pratos, mas não conseguiu dar uma garfada na comida. Já fazia mais de um mês que ela não entrava por aquela porta. Já fazia mais de um mês que ele, pontualmente, esperava seu retorno.
Cíntia nunca voltou. Seu túmulo não tinha flores. Marcos nunca aceitou que ela tivesse partido. Esperou ela entrar por aquela porta todos os dias. Até que ele mesmo não entrasse mais por ela.
Monday, March 12, 2012
não sou, nunca disse que era, nunca desejei ser
Eu não sou o cara perfeito. Nunca disse que era. E preferi me esconder no anonimato que viver a vida para as outras pessoas. Mas eu também não me escondi. Apenas não apareci. Não prometi que voltaria, muito menos que meus erros se repetiriam. E na verdade o que eu espero é acertar. Não sei o quê, não sei onde. Guardo minhas recordações no meu quarto e deixo aquilo que não quero lembrar do lado de fora. Da porta pra cá sonhos, da porta pra lá apenas o desejo de sonhar. Gostaria de sonhar todas as noites, mas como já disse não vou o cara perfeito. Na verdade nunca desejei ser. Não adianta me consertar. Até porque não tenho o que consertar. Apenas tenho defeitos também. É isso que me faz humano. Sobrevivo à opinião alheia que me condena e tenta me fazer sentir mal. Mas prefiro viver aquilo que contagia, acrescenta e me deixa bem. Talvez seja difícil conviver comigo. Ou talvez eu não queira conviver com você. Infelizmente não fomos nós que escolhemos ser do jeito que somos. Porque, como eu já disse, não sou o cara perfeito. Nunca disse que era. E nunca desejei ser.
meninatani
- Ei menina! Pra que toda essa pressa? Vai tomar remédio, fazer exame? Não? Então te acalma. Calma aí que o tempo corre devagar e você deve aproveitar. Tomar um sorvete, quem sabe? Ah, ok. Gripe. Então passear pelo parque? Dor nas pernas... Hm. Ler um livro, ver um filme, folhear uma revista? Não? Poxa, assim fica difícil. Tudo é um problema pra você. Que cara é essa? Heim? Vai chorar por quê agora? Ah! Levanta essa cabeça aí, para de onda. Ei! Ei! Que tristeza é essa? Olha pra mim. Levanta a cabeça, olha pra mim. Porquê todo esse choro? O que é?
- Carinho. Só quero carinho.
E todo aquele sofrimento foi sanado por um abraço. Um abraço único, reconfortante. Nada mais era capaz de a atingir. Desistiu dos remédios que guardava na gaveta. Sua única overdose seria de sorrisos. Estava disposta a conquistar novamente todos os sorrisos alheios.
- Carinho. Só quero carinho.
E todo aquele sofrimento foi sanado por um abraço. Um abraço único, reconfortante. Nada mais era capaz de a atingir. Desistiu dos remédios que guardava na gaveta. Sua única overdose seria de sorrisos. Estava disposta a conquistar novamente todos os sorrisos alheios.
alma gêmea
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