Saturday, March 10, 2012

atrasado



Maquiagem. Bolsa. Sapato. Chapéu. Sombrinha. Calcinha. Penteado. Sutiã. Bob. Secador. Chapinha. Vestido. Salto Alto (sério que vocês conseguem andar com isso?). Delicadeza. Brutalidade. Ciúme. Chute no saco. Remorso. Culpa. Drink. Curva. Leite condensado. Chocolate. Enfermeira. Coragem. Foi com a maior parte do mundo que vocês brigaram. E merecem nossa reverência por isso. A maior representação do amor. Parabéns.

Monday, March 05, 2012

uma noite calma

Uma noite calma, céu estrelado. E vinha você, andando sutilmente por entre os arbustos já gastos pelo tempo. Reconheci pelos sapatos, já que as sombras das árvores não me deixavam te enxergar por inteiro. Aqueles mesmos passos pelos quais me apaixonei na primeira vez que te vi. Estava sentada ali, à beira do lago, já esperando você há alguns minutos. Sabia que traria com a sua presença aquelas mesmas desculpas de sempre: mãe, trânsito, cigarro e etc. Mas não me magoava, porque eu sabia que, atrasado ou não, você sempre viria até mim. A luz da lua iluminou seu rosto, já iluminado por aquele sorriso tão lindo que eu me apaixonei logo que te conheci. E sempre o mesmo início de conversa, como estou, como você está, como anda a vida, o que andamos fazendo. Até o momento de tirar os sapatos, como sempre fazemos, e balançar os pés na água, fazendo círculos infinitos, assim como sugerimos ser o nosso amor. Eu deito a cabeça no seu ombro e você segura minha mão, exatamente do mesmo jeito que segurou quando nos apresentaram, sem que nem soubéssemos ainda que poderíamos estar juntos algum dia.

- Olha a lua, que linda.
- É. Acho que ela está nos abençoando.
- Não.
- Não?
- Nós já somos abençoados.

Tuesday, January 03, 2012

samir ed roma

quis apenas te lembrar
te fazer saber
te mostrar o que foi
e o que não poderia ser

encontramo-nos de novo
exteriorizando desejos proibidos
rimos, gargalhamos
e nos despedimos de novo

mas ficou a lembrança
ficou o pensamento
o anseio de um retorno
que talvez não tenha jeito

agora só Deus sabe
como sempre, sempre soube
e nos resta esperar
no que o futuro vai se transformar

Saturday, December 31, 2011

fim

cantar ou declamar as 'marcas do que se foi' já virou clichê. mas não deixou de ser verdade. dois mil e onze foi um ano difícil. MUITO difícil. mas, ao mesmo tempo, cada dificuldade trouxe um aprendizado, uma lição que vai ficar pra vida toda. pessoas entraram na minha vida, umas permaneceram e outras poucas foram embora. mas a vida é como o mar do rio de janeiro: a onda vem e volta. a cada ano que passa a gente vai deixando nossas marcas. seja na vida das pessoas, seja na nossa própria. e é importante que não nos esqueçamos disso. é, é... final de ano chega e vem todos aqueles sentimentos de final de ano. é natural, não é? uma hora bate a tristeza, a melancolia, outra hora a esperança e a alegria. porque sempre que um novo ano se inicia vem o friozinho na barriga de como vai ser dessa vez. vai ser diferente? vai ser pior? vai ser melhor? será que minhas metas serão alcançadas? não interessa. porque, isso eu aprendi bem, você está vivo. mais importante que qualquer outra coisa que você ache que é mais importante: nunca esqueça que você está vivo. agradeça sempre por isso. agradeça a Deus, a Buda, a Alah, à ciência ou qualquer outra coisa em que você acredite. porque não existe melhor plano, melhor meta, melhor objetivo e melhor presente de ano novo do que viver. ache alguma coisa pelo que viver, agarre-se a ela e não solte até que apareça outra. estarmos vivos é a melhor dádiva que poderíamos receber. pode viver por alguém, pra alguém ou por qualquer outra coisa. mas se conseguir viver por você mesmo, você não precisará de mais nada. o ano foi difícil? foi. mas sobrevivemos. realmente não há cruz maior que possamos carregar. um dois mil e doze cheio de infinitas surpresas para todos nós. boas ou ruins. porque em tudo na vida tem que haver o equilíbrio.

'este ano quero paz no meu coração
quem quiser ter um amigo
que mê a mão
o tempo passa e com ele caminhamos todos juntos sem parar
nossos passos pelo chão vão ficar
marcas do que se foi
sonhos que vamos ter
todo dia nasce novo em cada amanhecer'

Thursday, December 29, 2011

in in in

ok. de repente tá lá tudo bem, tudo no seu devido lugar, tranquilo e calmo como deveria estar. você, não satisfeito com a situação cômoda em que se encontra, resolve mexer no que tá quieto. pimba! acordou aquele que vive no fundo do lago ness num piscar de olhos. sedenta vontade nos olhos, nas mãos, no corpo inteiro. e é bem naquela hora que não dá pra resistir. você ainda tenta raciocinar, deixar completamente o lado sentimental de lado e partir numa viagem completamente cética para o seu interior. impossível. quando você tenta é porque a resistência já não surte tanto efeito quanto você achava. e aí, meu irmão, fudeu. claro que nem tudo tem um lado negativo, mas, instantaneamente, o redemoinho de emoções cerebrais te deixa tão zonzo que você esquece até o caminho de casa. não há receita, não há remédio pra curar a dor, senão o tempo. e tem aquelas dores que você até achava que tinham sido curadas, mas não foram. então aguenta mais um pouco, segura a onda, não se deixa levar pela emoção. pensa, pensa, pensa. talvez não fosse possível antes, mas é o melhor que se tem a fazer hoje.

Tuesday, December 27, 2011

o que há de vir

as vezes é assim. as vezes é assado. as vezes não é a hora certa, as vezes pode, também, não ser a hora errada. as vezes, simplesmente, você pode não estar estar preparado. e aceitar isso pra si é complicado. porque, quando você carrega uma bagagem positiva do ano que vai acabando, a possibilidade das coisas negativas tomarem seu assento é completamente inexplicável. e você, de repente, quer deixar tudo pra trás. sem saber distinguir o que deve realmente ficar e o que deve ultrapassar as barreiras de um trinta e um de dezembro. porque... é complicado. dizem por aí que a vida é simples e quem complica somos nós. mas o que seríamos sem as complicações que colocamos à nossa frente, não? seríamos chatos. completamente chatos. sem complicações a vida não teria emoção, não teria o desgaste da separação, muito menos a constatação saudável de uma conciliação. e não estar preparado é completamente justificável. porque preparação não envolve rito, não envolte juntar todas as armas disponíveis, muito menos traçar uma estratégia fictícia sobre como seria algo que nem você mesmo sabe explicar o que é. preparação envolve muito mais do que a própria cabeça é capaz de raciocinar. envolve sentimento, sentimentalismo e algumas burocracias interminentemente solicitadas pelo coração. preparação envolve cuidado. é assim. ou assado.

Sunday, December 25, 2011

papai noel,

esse ano me comportei direitinho. comecei o ano pedindo a deus para que o restante fosse bom. pedi que muitas coisas boas acontecessem. é, definitivamente, aconteceram. talvez eu tenha me comportado como um menino bobo de vez em quando, mas quem não é de vez em quando nesse mundo adulto cheio de responsabilidades, não? e, bem, posso ter dito algumas palavras indesejáveis a pessoas que não mereciam. mas se eu soube pedir desculpas, conta? extrapolei o limite de minha própria sanidade, agi comigo de uma forma que eu jamais agiria com qualquer outra pessoa. mas... me arrependi, serve? tomei atitudes desesperadas, outras pensadas, outras arriscadas. e sofri as consequências. de todo, veio os aprendizados. aprendi a pedir perdão de coração, e que ser perdoado pode fazer comigo quase setenta por cento do que um orgasmo faz. comi minha família, como devoraria um prato de brigadeiro de panela igual o que a minha mãe faz. meus irmãos, meus pais, meus tantos outros parentes e amigos me possuíram de uma forma que eu jamais chamaria um exorcista para retirá-los de mim. e, olha papai noel, mesmo que mais perto do fim do ano, eu tive a lição mais importante da minha vida, e espero que isso conte quando pensar em me dar um presente: aprendi a cuidar de mim. passei a realmente existir para mim mesmo. me tornei egoísta, egocêntrico como talvez nunca tenha sido. e isso é um ponto positivo. ser altruísta demais não me trouxe somente satisfação pessoal - o que, na verdade, nem é tão altruísta assim, nao é mesmo? - mas algumas decepções pelo caminho. e ser altruísta comigo mesmo me fez acreditar que, sim, eu ainda posso ser feliz. eu não sei o que pedir de presente, porque, definitivamente, meu maior presente já me foi dado. apesar de todas as angústias, meus maiores presentes já me foram dados durante todo ano. e - hehe -, se isso conta, eu posso ter deixado de acreditar em você lá quando eu tinha sete anos, mas deixar de acreditar, pra mim, não significa que você não exista. essa certeza, afinal, fica para as minhas crianças. pensa aí no que eu mereço. juro que aceito sem juros, sem correção monetária e sem piedade. afinal o senhor ainda é o bom velhinho, não?

com carinho,
Jeronymo Artur

um dia foi

deito-me na sacada ao som do vento, que insiste em me fazer companhia. sozinho nesse apartamento, minha vida, de longe, parece tão vazia, insignificante. insignificante eu: gênio indomável, cavalo selvagem, palhaço de circo com platéia formada de espelhos. e não de narciso, mas de um vazio interior. internamente desato meus cadarços, como se fosse possível voar. esqueço-me que não tenho asas e praticamente cometo suicídio ao tentar me lançar desse tão alto precipício que é a minha mente. mentalizo lembranças infantis como se pudessem me fazer voltar no tempo, como se pudesse ser criança novamente e me livrar de todos os males que o amadurecimento traz. trago em mim o desejo de que, certa ou incertamente, consiga renovar meu espírito e transformar espelhos na platéia que um dia desejei ter.

Friday, December 23, 2011

se perdeu

as palavras me escapam a toda hora. elas vem num momento em que não tenho a possibilidade de dizê-las ou mantê-las presentes. no caminho em que dirijo, enquanto atravesso a rua, quando olho uma vitrine. e vem bonitas, charmosas, cheias de encantos que outrora eu até poderia pensar não serem meus. mas aí somem. e quando tenho a chance de eternizá-las elas não vem de jeito nenhum. ultimamente acredito que elas não fazem questão de manter-se comigo. abandonam-me. me deixam em um canto qualquer de sua imensidão, onde só se pode encontrar as mesmas, as mesmas, as mesmas. e me repito, vou sempre me repetindo. tento transformar o vácuo literário em um redemoinho de emoções e pensamentos e não me sobra nada. nada. o nada que me acompanha. tem coisas que te pegam de surpresa e te deixam sem palavras. tem situações que acontecem e te deixam sem palavras. tem dias que passam e te deixam sem palavras. coisa meio que anormal pra mim, pois teria um mundo de vocábulos a despejar, no mais sincero dos agradecimentos. hoje? hoje anormal é eu conseguir corresponder às expectativas daqueles que conhecem meu ‘dom’. peço de presente de natal, meu presente do papai-noel, que eu volte a escrever como antes. não precisa ser melhor, basta que eu consiga escrever novamente.

Thursday, December 08, 2011

perdoa


Perdoa pelo tardar de minha vinda
Perdoa pelo aumento de gasto da renda mensal
Perdoa pelo receio em dizer que te amo
Perdoa por gritar contigo quando me fazia cócegas
Perdoa por ter exigido tanto quando não precisava
Perdoa pelo receio em dizer que te amo
Perdoa por sempre te querer mais em casa
Perdoa por ter medo de falar com você
Perdoa pelo receio em dizer que te amo
Perdoa por não ter sido o melhor aluno sempre
Perdoa por não ter feito o curso que eu queria
Perdoa pelo receio em dizer que te amo
Perdoa por ter dormindo tantas vezes fora de casa
Perdoa pelas noites de insônia que te dei
Perdoa pelo receio em dizer que te amo
Perdoa por não te visitar por muito tempo
Perdoa por não fazer um papel que deveria estar fazendo
Perdoa pelo receio em dizer que te amo
Perdoa por não te honrar com um casamento
Perdoa por não saber se vou te dar um netinho
Perdoa pelo receio em dizer que te amo
Perdoa por não saber como dar a força necessária
Perdoa pelo choro, pela preocupação, pela noite mal dormida
Mas é que, se antes eu tinha receio, hoje eu preciso dizer que eu te amo.

Tuesday, December 06, 2011

...

acho que cansei um pouco das palavras.
ou elas cansaram um pouco de mim.

Friday, December 02, 2011

em tantas cores

foi na diferença entre o riso e a saudade que se fez. um dia precisou abrir mão de um futuro promissor. mas precisou por si só. sua riqueza não se fazia de moedas de ouro, mas de sorrisos alheios. não era lá, nem cá. era, simplesmente. sem passado, sem futuro, vivendo apenas no presente. sem rosto, sem nome, sobrenome ou coisas afins. apenas uma identidade. um passo saltado. maquiagem, maquiagem, maquiagem. não para se esconder, mas para deixar-se ser. e ser uma infinitude de outros seres. um onde, um quando. um não existe, talvez. porque sua alma, essa sim, há de existir. e existir em outros, em tantos, em tantos outros. outros que carregam no corpo, no cérebro, no coração a fantasia de que, um dia, poderão vir a ser.

*imagem gentilmente cedida por V.M.

Tuesday, November 08, 2011

é só o vento lá fora

e não foi que, de repente, você se viu onde jamais pensou estar? por toda a vida você se preocupou tanto em cuidar para que tudo estivesse bem conosco, que esqueceu de cuidar mais de você. não, nossa intenção não é criticá-lo. porque, sabe? de uma forma ou de outra, do seu jeito, você fez o seu trabalho. e não só o seu trabalho, mas algo que lhe deu prazer. com todos os percalços, dificuldades enfrentadas, teu foco te fazia seguir em frente, superando todos os obstáculos. teu foco? nos ver levando a vida que você sempre desejou para nós: próspera. quantos anos sem férias, quantos investimentos educacionais, quantos anos dedicados a estar dentro de uma sala simplesmente para que nos visse dentro de nossas próprias salas lá na frente. e aí você se viu vitorioso. conseguiu o que mais queria. e foi se deixando desistir. porque o que era preciso fazer já estava feito. mas nós queremos te falar que não. ainda não está feito. porque nunca vai estar. a não ser que todos partamos para outro plano. e é importante que você saiba que não queremos que pense assim, justamente porque queremos que você participe também das nossas próprias batalhas. se você lutou tanto por isso, porque se entregar agora? levanta daí, põe esses membros pra funcionar. não se deixe abater por uma provação que Deus colocou no seu caminho. é só mais uma das tantas que você já enfrentou na vida. porque nós, Pai, nós queremos você aqui, juntinho da gente, sorrindo, brincando e, claro, rabugento. a gente te ama. e é por te amar que agora estamos cumprindo um papel que já não é preciso que seja mais seu. agora quem está cuidando somos nós. cuidando de você para que, aí sim, nossa vida seja próspera.

Thursday, October 27, 2011

acreditar

dizem por aí que as palavras tem poder. ao meu ver, os pensamentos também tem. e um sonho só vai deixar de ser um sonho quando você acreditar que ele pode deixar de ser. quando o medo de fracassar for perdido, dando lugar a uma sensação de confiança que talvez nunca se tenha sentido. não que eu queira ser o senhor da razão - que, aliás, nem seria possível - mas o fato de acreditar, pra mim, sempre fez mais sentido. acreditar que é capaz transforma um ser humano num ser extraordinário. porque, acreditando, se vai além. tentar, tentar, tentar. ninguém se torna experiente sem ter errado pelo menos uma vez na vida. errar é o que faz acertar. e não desistir também. eu, particularmente, costumo acreditar mais nas pessoas do que em mim mesmo, então é meio que faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. mas acredito nas pessoas, sim. acredito no potencial que todas elas tem. pode ser que, hoje, seja pouco, mas garanto que, amanhã, esse pouco será muito. acredite em si mesmo. encare as possibilidades que a vida traz. porque, de uma forma ou de outra, você vai descobrir e perceber quantas coisas você é capaz de fazer. eu sempre acreditei. e continuo acreditando.

Saturday, October 22, 2011

mal dormi

tive sonhos intercalados entre o bem e o mal na última noite. o do bem não me marcou muito, tenho algumas poucas migalhas de recordação. mas o do mal passou o dia rodando na minha cabeça como um filme. é incrível como as coisas ruins permeiam meu pensamento mais que as coisas boas. escolha própria? auto-defesa da desorganização mental? eu não sei... as vezes fico pensando no que mais preciso fazer para conseguir passar um dia inteiro tranquilo. fui torturado, massacrado e completamente deturpado com coisas que passei anos contra forjar nesse corpo. no sonho. me mostravam fotografias, falavam palavras mordazes, empurrando para dentro dos meus olhos as coisas mais tristes que eu poderia ler. tenho aqui, vivas, as imagens desse sonho que me atormentou durante todo o dia. espero dormir e sonhar coisas boas. ou pelo menos lembrar apenas delas. por favor, Deus, ajuda nesses pensamentos noturnos essa noite. peço, pelo menos, apenas essa noite.

yo

sou do tipo que desiste fácil. tão fácil que acontece antes mesmo d'eu começar. quando foco em algo que, de repente, se mostra impossível pra mim, deixo de lado e passo a buscar outra coisa. e, no fim das contas, não faço nada. inércia total. não por completo, mas odeio o fato de ficar no ócio até o fim do ano. e, mesmo odiando, vou ficar. por vontade própria. de repente, 'não mais que de repente', é disso que eu preciso.

Tuesday, October 11, 2011

culpa?

Eu me culpo sem motivo. A culpa insiste em se acumular na minha mente a cada momento em que alguém se dirige à minha pessoa para lembrar que quem fez a escolha foi você. É, definitivamente, toda escolha envolve uma renúncia. Óbvio. Aprendi isso ainda na fase do vestibular. Escolher ir embora ao invés de cursar o a faculdade que eu sonhava. (O que, no fim, nem deu certo, afinal fui obrigado a ficar aqui e me tornar bacharel no curso que motivaria minha mudança).

Eu queria, sinceramente, não me importar com infinitas coisas que me preocupam. Parar de gostar de sofrer, digamos. É difícil. Aliás, é muito difícil. Algumas pequenas coisas são inteiramente pequenas coisas. Mas sabe a bola de neve, que começa com uma bolinha que cabe na palma da mão, que se torna capaz de esmagar uma multidão? Pois é. São pequenas coisas que trazem à tona tantas outras. E, enquanto o silêncio por vezes é a melhor arma contra o sofrimento, outras é a forma mais indigna de cuidar do próprio coração.

E, por incrível que pareça, eu me culpo sem motivo. Eu transformo minha própria decepção em culpa. Sim, eu me decepcionei. Diversas vezes na vida, durante esses vinte e três anos. Com os mais variados tipos de pessoas. Mas as decepções que mais machucam aqui dentro são aquelas que sentimos através de atitudes de pessoas que você tanto, mas tanto, considera como suas. Dou ênfase à essa palavra, pois quero apenas frisar que não falo de ser dono, mas de fazer parte da minha vida.

Me perguntaram uma vez: essas pessoas te ligaram pra saber como você estava? Ou pelo menos pra saber se essa história era verdade? Eu respondi que não, claro. Afinal não tinha a menor noção do que estava acontecendo. Pois é, esses são seus amigos foi o que veio em seguida. Adoro ironia. E utilizo dela para dizer que mesmo os que ligaram para saber como eu estava ou que sabiam que a história era verdade – pela minha boca – também são meus amigos. Não faço a menor questão de me explicar, pois a carapuça, com certeza, não serve para todos, e estas exceções sabem bem disso.

Se fossem pessoas ignorantes, vá lá. Mas odeio a simpatia do sorriso que mascara as verdadeiras intenções. Até porque, infelizmente, apesar de não ser idiota, ainda tenho meu quê de ingenuidade. E cair no papo dos que são meus amigos acaba sendo, lindamente, uma prova disso. Porque, no fim das contas, só muito tempo depois é que consigo distinguir quem é o mocinho e quem é o vilão. E eu ainda me culpo sem motivo. Apesar de que eu deveria me culpar sim. Mas pelo fato de acreditar na bondade de algumas pessoas, principalmente quando elas já me provaram o contrário outras vezes.

“Eu não vou mudar não
Eu vou ficar sim
Mesmo se for só não vou ceder
Deus vai dar aval sim
O mal vai ter fim
E no final, assim calado, eu sei
Que vou ser coroado rei de mim

Los Hermanos

Saturday, October 08, 2011

preciso te dizer algo

preciso te dizer algo: é difícil encontrar você. é difícil olhar pra você. aliás, é difícil tentar não olhar pra você. mas, por quê? para que, talvez, não cruzemos os olhares. para que, talvez, não te veja olhando para outra pessoa. tento não te olhar para poder segurar a vontade de, de repente, pular em seus braços, olhar em seus olhos, beijar sua boca e depois dizer que te amo, bem baixinho, no seu ouvido.

preciso te dizer algo: achei que fosse fácil. achei que fosse fácil lidar com todo esse turbilhão de sentimentos que me rondam a mente e o coração. pensei que iria ser fácil simplesmente apertar sua mão e lhe dar um abraço, sem sentir aquele calafrio ou tremor do coração apaixonado. pensei que seria fácil olhar em seus olhos, mas... nem isso eu consigo.

preciso te dizer algo: agir racionalmente é completamente diferente do que agir sentimentalmente. porque, sendo racional, conseguimos driblar qualquer tipo de emoção. mas, sendo sentimental, a vida nos prega peças com as quais, muitas vezes, nos tornamos impossíveis de ser protagonistas e interpretar com exatidão aquilo que o script nos pede.

preciso te dizer algo: abra mão de tudo o que lhe faz mal. antes que você perceba que definitivamente te fazem mal. talvez, nessa hora, seja tarde demais. pra você mesmo. porque, por mais que inconscientemente, alguns perpetuam o mal. e é difícil distinguir o mal do bem nos momentos em que o desespero bate à porta. sou prova disso e posso te garantir que o melhor a se fazer é se afastar enquanto é tempo.

preciso te dizer algo: eu te amo. mais do que eu podia imaginar. pode até parecer clichê, e que o seja. mas eu te amo, apesar de qualquer distância que possa existir. digo, distância física, porque meu coração, esse que bate forte aqui, ainda tá aí, do ladinho do seu. eu te amo porque eu te conheço. eu conheço essa pessoa que tá aí dentro. e, talvez, eu te conheça mais do que você mesmo se conhece. eu te amo porque, além de suas qualidades, conheço todos os seus defeitos.

preciso te dizer algo: nunca esqueça de nada que eu tenha te falado algum dia. porque nunca menti pra você. nunca ousei trair sua confiança. nunca usei a palavra nunca com você, a não ser na ocasião em que disse nunca vou te deixar. porque nunca te deixei. você sempre esteve comigo, e eu sempre estive com você. se não fisicamente, dentro do coração.

preciso te dizer algo: eu não esqueci você. e nem pretendo. você, definitivamente, é parte de mim. assim como eu sei que sou parte de você. e metades não se separam, apenas se desencontram. e um dia há de haver um encontro. não um encontro qualquer, mas mais um encontro de corpos, de beijos, de almas. como outrora já aconteceu. porque amor, ah o amor, pode demorar o tempo que for, une as pessoas. e, um dia, há de nos unir de novo.

Friday, October 07, 2011

você é bem como eu

ele tentava de todas as formas sustentar uma máscara em sua face. não conseguia utilizar da sobriedade para tanto. abusava do álcool, da maconha, da cocaína, dos cogumelos, ácidos e quaisquer outras anfetaminas que alterassem seu estado natural. justamente para não sê-lo. sua naturalidade era inerente à sua sinceridade, aos seus afagos, aos seus anseios, às suas possibilidades, à sua necessidade diária de vida. mas viver, para ele, por mais que ousasse diferenciar-se de tantos à sua volta, era justamente transgredir quaisquer normas impostas, por quem quer que fosse, ao seu ser. e não era. não era ninguém. mas também não era alguém. não conseguia, sóbrio, dizer determinadas verdades. não conseguia, sóbrio, desvencilhar-se de tantas mentiras. inebriado, por qualquer uma de suas drogas, era capaz de sonhar alto e complacer-se de todas as coisas que almejava, mas quando voltava ao seu estado normal achava tudo aquilo impossível de ser conquistado. não acreditava em si mesmo. e passou a não acreditar nas palavras alheias. era expulso dos bares, das casas noturnas e de todos os ambientes em que os serventes não conseguiam ultrapassar as sete horas da manhã. dali, se não se rendesse e fosse pra casa, estacionava no posto de gasolina e enchia o isopor - que carregava no banco de trás de seu carro - com cerveja. mas aquele, aquele não era ele. o ele era outro. o ele era forte, era determinado, era um fiel espectador dos sonhos que achava que não podia realizar. se desobrigava de cumprir as ordens porque se sentia na necessidade de estar participando ardentemente das rodas que costumava frequentar.

- eu odeio esse tipo de coisa, sabe?
- o quê?
- a pessoa sabe que não pode fazer uma coisa, e faz do mesmo jeito.
- ?
- é como uma autoflagelação. você é brilhante, tem força de vontade, mas luta contra ela e eu, sinceramente, não consigo te entender.
- mas...
- mas nada. não existe uma resposta, não tem como eu te entender, cara. como é que tu não pode tomar essa merda e fica tomando? isso não é teimosia, rapaz. isso é fraqueza. você é fraco.
- você me acha fraco?
- não. aliás, eu acho você uma das pessoas mais fortes que eu conheço.
- e como você diz que é fraqueza?
- não se entrega, bixo. você é forte. mas o que eu quero te dizer é que você tá sendo fraco.
- não to, não.
- está. e muito.
- só porque eu to tomando uma cerveja?
- não, porque você tá indo contra tudo aquilo que você tanto me frisou.
- e o que foi?
- se você não fizer por você, ninguém vai fazer.
- isso eu sei.
- pois é. e ninguém vai fazer. não que ninguém se importe com você. mas você tem que se bastar, lembra?

ele lembrou que tinha força de vontade. lembrou que conseguia sobreviver sem tudo aquilo que acreditava precisar para viver. lembrou que, na realidade, ele não precisava sobreviver. ele precisava viver. e percebeu que, para que isso acontecesse, aquela máscara tinha que ser tirada de sua face. conseguiu desatar o nó que a atava em sua cabeça. ainda era difícil olhar o mundo com outros olhos depois de tanto tempo. mas já era possível perceber que, olhando naturalmente, aquele mundo era ainda mais bonito.


*homenagem muito intensa para priscila luena

Wednesday, October 05, 2011

brasília

como uma saída do ambiente nebuloso dá uma revigorada no espírito.

Tuesday, October 04, 2011

o silêncio as vezes diz mais que mil palavras. por outras, corta como lâmina qualquer coisa que exista dentro de nós.

o retorno

de braços abertos eu fui. de braços abertos eu voltei. bem recepcionado lá eu fui. bem recepcionado aqui eu estou. o que muda mesmo, de verdade, é o ambiente, sabe? o que muda mesmo é sair da popularização para o anonimato e voltar deste para àquele. a gente tem que ter uma visão de 360 graus sim. mas na nossa mente, não na vida dos outros. welcome home, jeronymo artur.

saí em busca de uma paz espiritual. não para um encontro com jesus cristo, mas um encontor com mim mesmo. posso garantir que não me encontrei completamente, mas encontrei as respostas para muitas de minhas questões. em todos os sentidos. saí em busca de uma paz interior no lugar por onde me apaixonei. brasília me trouxe muitas coisas positivas, muitos pensamentos positivos, muito foco positivo. não só pelas conversas, pelas experiências, pelas confidências, mas pelos pensamentos meus colocados quase que completamente em ordem. voltar para rio branco me traz paz porque sei as pessoas que vou encontrar aqui. encontrar, vulgo, celebrar com. porque tem algumas que eu não faço a mínima questão de encontrar. quarenta e duas páginas tem meu diário de viagem. não transcreverei pra cá porque, como já disse uma vez, sei bem o que devo escrever ou não. sei bem distinguir o que eu quero que os outros saibam e o que não saibam. os que precisam saber, sabem. e ponto. valeu os últimos vinte dias. foram vinte dias que talvez me guiem pela vida inteira. convivência familiar, cumplicidade na amizade, auto-retiro mental. voltei para minha cama, para meu quarto, para minha casa, minha rua, minhas pessoas, minha cidade. mas voltei também para a boca dos outros, para o olhar dos outros, para a fofoca e assunto dos outros. e sabe o que é melhor? voltei sem me importar muito com isso. rio branco me traz paz, pelas pessoas que eu tenho aqui. rio branco me traz paz porque foi aqui que nasci. rio branco me traz paz porque, hoje, mais do que nunca, eu sei diferenciar o que é bom do que é ruim. daqui uns dias começo a varredura física, porque a mental, deus me ajude, eu espero ter deixado lá em brasília. brasília de tão perto distâncias. brasília de tanta poesia, história, lugares, pessoas. brasília, filha de um visionário. brasília que um dia eu volto. de passagem, de férias e, quem sabe, de vez. permaneço aqui, então. mas agora me permaneço em movimento. porque é dele que eu preciso pra realizar meu sonho. não me basta mais sonhar e idealizar. agora eu quero realizar.