- estava em uma casa de samba chamada embalos de uma sexta à noite.
- e isso é nome de casa de samba?
- o importante é inovar, oras. os donos são de muito bom gosto.
- e... porque eu não fui convidado?
- ah, achei que você não fosse gostar.
- ah, você achou...
- mas, bem, se você tem interesse, a gente pode ir lá na semana que vem.
- não, talvez eu não goste mesmo de samba.
- mas você acabou de dizer...
- é, falei por falar.
porque você me pede pra entender, se não faz a mínima questão de me entender? porque, hoje, quando completamos dez anos de casados, você me deixa em casa e vai pra uma casa de samba? porque você não lembra que hoje fazemos dez anos de casados?
- feliz aniversário de casamento.
- ah, você lembrou?
- e como eu haveria de esquecer?
- não sei, você nunca lembra.
- claro que eu lembro.
- então você lembra que tínhamos uma reserva no Buena Famiglia?
- e nós tínhamos?
- você reservou há três semanas atrás.
- desculpa.
- não.
- quê?
- não.
- não o quê?
- você me pediu desculpas. eu disse não.
- isso é o começo de uma crise?
- não, isto é a crise.
porque você não me conta logo que tem outro? porque me traz presentes sem motivo e me chama de benzinho como antigamente, se às onze da noite está naquele hotel do centro com ele? porque, mulher, você não assume que não consegue viver sem mim, mas que precisa dele pra sobreviver, e me deixa curtir o sábado na casa do álvaro jogando pôquer e tomando cerveja? porque você finge manter um casamento que não existe mais nem na minha, nem na sua cabeça? porque, afinal, preferimos nos dizer felizes, se na verdade a única coisa real que sai de nossos olhos são as lágrimas.
Thursday, July 28, 2011
porque...
Tuesday, July 26, 2011
o hoje
Saturday, July 23, 2011
Friday, July 22, 2011
me digam
ansiedade
Cria expectativas, situações imaginárias, sonhos realizados e desejos profundos. Dali me leva a acreditar que tudo vai acontecer. Em apenas vinte e quatro horas. Ouvi dizer que o tempo passa, e que a gente tem que saber aproveitá-lo. Que as oportunidades chegam quando você menos espera e você tem que saber aproveitá-las. Mas, e daí?
E daí que o tempo ainda não passou e nenhuma oportunidade chegou, mas você sente como se não tivesse mais tempo, como se aquela oportunidade que não veio não fosse dar lugar a uma outra, muitas vezes melhor. A ansiedade te torna escravo do futuro, renegante das experiências do passado e mais ainda do que está acontecendo no presente.
E o futuro? Bem, o futuro ainda não veio. E passado também já foi. O importante mesmo é olhar para o presente, agarrar a oportunidade que se coloca nas suas mãos e não à sua frente. Porque a ansiedade faz isso: faz você perder o que está ali, achando que vai agarrar o que ainda nem chegou.
Thursday, July 21, 2011
vão e vem...
Tuesday, July 05, 2011
mais do mesmo
Monday, June 13, 2011
firework
Tuesday, May 10, 2011
mães
Tuesday, December 07, 2010
primeiro, segundo, terceiro... sabe lá qual capítulo!
Rio Branco, na verdade, era a capital de um estado que, como muitos dizem, lutou para ser brasileiro. Na realidade, como muitos outros dizem, não foi bem assim. No meio da história rolou algo sobre dois milhões de libras esterlinas, construção de estrada de ferro e límitrofes territoriais. Mas isso não importa. Já era ano 2000 e alguma coisa e o que se importa dizer é que a cidade tinha crescido bastante. Os pontos turísticos na cidade não era lá essas coisas, mas, sim, era bonito de se ver. Muitos deles tinham relação com o passado, com a história do estado. Raros eram aqueles monumentos recentes, construídos ali no meio de uma praça ou no meio da mata. De uma certa forma, era caótico morar ali. De diversão algumas poucas casas noturnas, uns barzinhos, uns botecos, e alguns restaurantes. Um cinema meio que caindo aos pedaços, um shopping que há anos se arrastava para ser construído. E quando Mariana dizia que odiava o lugar, era, nada mais nada menos, isso que a incomodava: diversão. Não era tão caseira como alguns achavam. Na realidade eram as opções escassas que a deixavam em casa. Pub? E o povo sabe o que é Pub? dizia quando mais um barzinho aderia a essa categoria.
Naquela terça-feira a ansiedade tomava conta dela. Se achasse ao menos o tecido para fazer o véu já ficaria feliz. A amiga, Amanda, estava lá como sempre, ao lado dela. Era amiga para todas as horas, para a alegria e a tristeza. Para Amanda definitivamente aquela terça-feira não era feriado. Muito menos folga. Estava com o ponto do trabalho cortado por falta mesmo. Mas era amiga, oras. E amiga pra todas as horas. Seria, claro, a madrinha. E, como toda madrinha que se preze, seus serviços começavam antes de assinar aqueles papéis como testemunha da união dos pombinhos. Mariana nutria um amor por Amanda tão forte que, por dentro, pensava que tinham sido feitas uma para a outra. Pena que não era lésbica. E, bom, graças que Amanda não era lésbica também. Se sentia prazer com tantos homens, imagine como seria sua vida fazendo sexo com aquelas que sabem melhor onde dar prazer a uma mulher. No seu mais ínfimo pensava mesmo é que deveria casar com Amanda e não com Vinícius.
[quem se dispor a colaborar comigo, estou de olhos abertos para ler as sugestões de como prosseguir, ok?]
Tuesday, November 30, 2010
Prólogo
Não se faz necessário contar minuciosamente como estava aquele dia. Não é importante para a história. Mas, tendo em vista os acontecimentos, é importante que se tenha uma idéia. Era sexta-feira, talvez uma como outra qualquer. O céu escureceu mais cedo, nuvens cinzentas, um sereno bastante sutil se comparado aos temporais que vinham acontecendo naquele mês de novembro. Algumas poucas pessoas com guarda-chuvas, outras tantas correndo, aflitas com qualquer gota mais forte que pudesse cair do céu.
O prédio era amarelo, com três andares e janelas gradeadas. Nunca tinha percebido, mas olhando agora parecia um hospital psiquiátrico que não queria parecer um hospital psiquiátrico com aquela placa de bem vindo na porta de entrada. Estava, ainda, dentro do carro. Mãos suando, corpo tremendo, boca seca. Medo. Era exatamente dezessete horas e dezessete minutos. Rezava a lenda que quando se olhasse no relógio e a hora fosse exatamente igual aos minutos, devia-se fazer um pedido. Seja o que Deus quiser.
Saiu do carro. Dirigiu-se à porta de entrada, suspirou profundamente e entrou. Àquela hora só a atendente e uma grávida. Laboratório quase vazio, a novela das cinco na televisão, atendente de cinqüenta e sete anos com aquela cara de poucos amigos, louca para que chegasse a bendita hora de fechar tudo e ir pra casa. Ficou estagnado, sem saber se perguntava ou se dava meia volta. Era uma situação da qual não adiantava fugir. Uma hora ia pegá-lo. Resolveu.
Vim buscar um exame. Qual o seu nome? Vinícius. Vinícius de quê? Lima Barreto, ta aqui o protocolo. Hm, só um minuto. A senhora impaciente para ir pra casa discou um número no telefone e ditou o número escrito no papel que ele tinha entregado. Desligou. Você pode aguardar um momento? O médico quer falar com você. Vinícius sentiu seu sangue gelar por todo o corpo. Por um momento pensou que iria desmaiar, mas conseguiu alcançar uma cadeira e sentar. O médico? pensou. Pro médico querer falar comigo é porque não são boas notícias.
Sua cabeça começou a dar reviravoltas. Começou a castigar-se mentalmente: porquê? Como pude fazer isso comigo? Onde estava com a cabeça? Meu Deus, por favor, me ajuda. Meu Deus, me perdoa por qualquer coisa. Meu Deus, qualquer castigo, menos esse. Como eu fui confiar? E eu? E eu? E eu, onde fico? Olha o que eu fiz comigo. Puta que pariu, que merda. O quê que eu vou fazer agora? Minha vida acabou. Minha vida acabou. Minha vida acab...
Pouco mais de cinco minutos depois, a atendente com cara de poucos amigos pediu que ele a acompanhasse. Seguiram por um corredor que, em outro momento, talvez não aparentasse aquela morbidez que exalava dele. Sentia frio na espinha, sentia medo, arrependimento. Eram tantos sentimentos misturados que não sabia como lidar com eles. Só sabia que sua vida estava prestes a mudar. E que jamais voltaria a ser o mesmo Vinícius. É aqui, pode entrar.
O consultório era bonito, limpo, organizado. O médico estava sentando por trás de sua mesa, com as mãos entrelaçadas em cima de um envelope que, ele tinha certeza, era o seu exame. Olá Vinícius, tudo bem com você? Não sei, está? Bom, precisamos conversar. Doutor, por favor, antes de qualquer coisa me diga: eu vou morrer? Não, rapaz, sente-se vamos conversar. Se essa conversa é sobre remédios e como atrasar a morte, eu prefiro simplesmente que o senhor me dê esse envelope e me deixe sair daqui. Silêncio.
Friday, November 26, 2010
Convivência
Wednesday, October 20, 2010
pra você
Como te dar certeza, como te prender a mim, se eu não sei? Se não sou sabedor dessa coisa que ainda chamo de mente. Escura mente. Indecifrável mente. Estúpida mente. Como te segurar com minhas mãos, te pedindo que não vá, se não tenho pássaros em gaiolas e os prefiro ver livres para pousar onde acharem que devem? E como não te dizer que te amo se, definitivamente, é o sentimento que me corrói inteiro por dentro? Como te dizer que não te quero, se com meu corpo e alma é isso que desejo? Como posso ser egoísta a tal ponto de te querer pra mim, mas não poder me doar como, indefinidamente, eu gostaria?
Sinto minha voz rouca, meus cabelos desgrenhados, meu corpo desfalecendo à simples percepção de que deixar ir pode significar nunca mais voltar. Sinto minhas mãos abraçando o vento enquanto durmo e tenho sonhos que outrora foram reais. Sinto-me extasiado, demasiadamente cansado, copiosamente lacrimejando ao mero sinal de que o nunca mais não existe pra mim, mas que nada é igual pra todo mundo, e que essa deve ser a conseqüência para as coisas da vida pela qual você se arrisca. Mas e não saber, e não saber, e não saber?
Como resistir à tentação de não te ligar, de não te enviar um torpedo ou de simplesmente olhar em seus olhos? E como olhar em seus olhos, em meio a essa luta interna de sentimento, e dizer que não consigo, que não posso, enquanto quero me jogar nos teus braços, beijar a tua boca e deitar no teu colo? Não posso fingir que você não existe e não me sinto capaz de perceber que pra você eu não existo mais. Será isso o necessário? Será que você vai me apagar, me esquecer e pensar que eu realmente já não existo mais?
Meu Deus, me ajuda. Me ajuda a compreender cada movimento, cada pensamento, cada pedacinho de angústia que insiste em reinar aqui dentro de mim. Me ajuda a resolver os problemas, os momentos de infinita solidão mental, as questões cruciais que me envolvem neste momento. Meu Deus, por favor, não me deixa sentir tanta coisa ruim como eu senti nos últimos dias. Me ajuda a superar as dificuldades, os anseios, as dúvidas. Eu peço clemência. Minha punição já dura demais. Ou será que eu ainda preciso sofrer tanto? Ou será que é necessário ainda mais provações, para que o Senhor possa finalmente perceber que eu já paguei pelos males que causei outrora a qualquer um que tenha sido? Isso é o purgatório? Isso é o inferno?
Tuesday, October 19, 2010
a solidão
- Oi.
- Oi. Co... Como você me achou aqui?
- Eu sempre te acho, rapaz. Dá licença, deixa eu entrar – e, carregando a mala, ela adentrou o apartamento antes mesmo que ele permitisse.
- O que você ta fazendo aqui?
- Ah, idiota! Para de querer ser solitário. Tu não nasceu pra isso não. Eu heim, nunca vi. E nem me venha com suas manias maníaco-depressivas que pra mim isso é tudo balela.
- Ma...
- Puta que pariu, Carlos! Lendo auto-ajuda de novo? Cara, acorda pra vida!
Ele não respondeu. Abaixou a cabeça e seguiu para o quarto.
- Epa! Pode voltar aqui, já falei pra você não vir pra cima de mim com essas suas loucuras.
- Eu só quero ficar sozinho, será que eu posso?
- Não.
- É minha casa. Você entra na minha casa assim, e ainda quer criticar o que eu ando ou não fazendo?
- Ah, deixa de ser mimado, cara! Vem, vamo descer, tomar um chopp, sei lá, qualquer coisa.
- Não.
- Então ta, vai lá pro seu quarto que eu vou descer, comprar uma caixinha daquela redondinha e volto pra cá.
- Ok.
- Não me venha com esse ‘ok’ de desdém, porque eu te conheço e é claro que vou levar a chave comigo, se não não consigo tomar um banho ou trocar de roupa depois.
- Tá sem água.
- Então tu vai ficar sentindo meu cheirinho agradável de MaCherrie.
- Ainda esse perfume?
- Claro, ué! Quem achou que precisava dar uma reviravolta na vida e esquecer de tudo foi você, não eu. Ah! Deixa eu ir logo e acabar com esse papo furado. Volto já.
Pegou a chave da porta e trancou o apartamento por fora. Ele não sabia o que fazer. Pensou em pular pela janela e fazê-la se sentir culpada. Mas ele não queria morrer. Ele só queria ficar sozinho e ela ia ter que entender isso. Decidiu. Ia realmente mandá-la embora. Ficou sentado no sofá, esperando ela voltar e quando chegou:
- Eu quero que você vá embora.
- Aham, ta, eu vou, mas você quer uma cerveja antes?
- Não.
- Ah, deixa de frescura, porra. Toma logo aí. – abriu uma lata de cerveja e colocou na mesa em frente a ele.
- Olha só, você quer que eu vá embora, eu vou. Mas antes, deixa eu te dar uma coisa.
- Não quero.
- Tá bom! Para de retrucar o que eu falo, cara! – abriu a mala e puxou um CD – Oh! Comprei no aeroporto. É uma banda daqui, nunca ouvi falar, mas tava rolando o som na loja e eu achei meio parecido com você. Mas antes de te entregar, preciso te dizer: pedi licença do trabalho. Não vim pra ficar aqui no seu apartamento, não. Aluguei um quarto num albergue aqui pertinho por duas semanas. Eu te conheço, Carlinhos. Sei que você precisa de um tempo, mas acho que esse tempo já deu. Vou ficar aqui por perto caso você queira conversar ou enfim, fazer qualquer coisa. Se não quiser, também, não tem problema, vou te respeitar. Mas escuta aí. Acho que vai te fazer bem.
Monday, October 18, 2010
devassa
Não, eu não era uma puta. Você pode até dizer que sim, mas isso também não me interessa. Na verdade a única coisa que me interessava eram tão somente meus prazeres carnais. Nunca me preocupei com sentimentos alheios. Meu único interesse era gritar, te arranhar por inteiro e gozar. Ver as estrelas que estavam na minha cabeça era puro resultado de tantas substâncias que tomavam parte do meu corpo àquelas horas.
Até que um dia perdida a mente ficou. Me apaixonei pelo seu corpo, pelos seus lábios, por tudo o que você acabou fazendo sentir no meu âmago. Pela primeira vez me apaixonei pelo sexo. Não me apaixonei por você, pelo que você era ou deixava de ser. Me apaixonei pelo que o seu membro me fez sentir ao penetrar-me. Foi diferente, de uma magnitude extrema. E foi ali então que, pela primeira vez, eu soube o que era sexo com amor.
apenas as lágrimas
Minha boca não me pertence mais. Pertence a todas as outras bocas com as quais a toquei depois que me beijastes pela última vez. Sem remorso, sem peso na consciência. Só com dor. Minha boca já não chama seu nome, já não sabe mais o seu nome, ela sequer lembra o sabor que sua língua tinha quando a penetrava fervorosamente.
Minha vagina não me pertence mais. Pertence aos outros. A todos os outros com os quais dormi depois que você saiu porta afora e não voltou mais. A todos os corpos a que me entreguei quando percebi que a chance da sua volta não era nada mais que uma estúpida desesperança minha.
Minha alma não me pertence mais. Pertence a tudo aquilo em que acreditava antes de você partir. A única coisa que ainda me pertence são as lágrimas que você fez brotar quando olhou profundamente em meus olhos e disse que não me amava mais.
não quero que leiam
me toma nos braços
Friday, October 15, 2010
antes da cegonha me dar uma carona
Quando você chegar lá, vai perceber que tudo é lindo e maravilhoso. As cores, os animais, os próprios seres semelhantes a você. Você vai ficar maravilhado com toda e qualquer coisa que aparecer na sua frente. Vai ser tudo novo. As primeiras pessoas que você vai conhecer vão ser aquelas que irão te acompanhar até o fim da vida. Ou da sua ou das delas. A primeira pessoa que você vai enxergar bem fundo vai ser a primeira prova de amor na sua vida. Essa fase vai durar bastante tempo. Mas, infelizmente, pra você vai ser como um piscar de olhos. E aí, quando você menos esperar, passou. Nesse meio tempo você vai conhecer pessoas. De todos os tipos e tamanhos. Pessoas más e pessoas boas. Pessoas ingênuas e pessoas espertas. Algumas espertas até demais. Algumas vezes você será traído. E as vezes serão as pessoas boas que farão isso. Não é culpa delas. Quero que você aprenda que nem tudo na vida deve ser culpa de alguém. Nem sempre haverá um culpado para todas as situações. E você vai sentir tudo. Você vai ser um potencializador de sentimentos. E vai ser frágil também. Não muito, mas o suficiente para sofrer algumas vezes. Você não será feliz o tempo inteiro, mas tudo te servirá como aprendizado, como crescimento. Será magro apenas nos primeiros dias. Mas vai ser o seu estereótipo mais ou menos incomum que te deixará tão cativante. Claro que não vai agradar a todo mundo. Mas agradará o suficiente para nunca se sentir sozinho. Nunca esqueça isso: você nunca estará sozinho. Já existem pessoas lá que te esperam. E vão chegar outras daqui um tempo, pelas quais você já estará esperando. Sem saber, é claro. Na hora certa você vai saber quem são. E ser gordinho, você vai perceber, vai deixar suas bochechas gordinhas e todos vão querer apertar. Vai chegar um tempo que você vai deixar todas essas pessoas um pouco de lado. Mas não esqueça: tudo te servirá como aprendizado, como crescimento. E, é certo, o bom filho à casa torna. Já é chegada a hora, são dez e meia da manhã. Daqui cinco minutos. Mas, antes que você vá, deixe uma coisa bem clara na sua mente: nunca é tarde.
E foi assim que eu me recordei da primeira conversa que tive com Deus, antes de olhar bem fundo nos olhos da minha mãe.
Thursday, October 14, 2010
muros
Durou mais ou menos ainda meia hora até que se encontrassem ao lado de fora da sala de desembarque. Ele saiu, sorridente, mas seu semblante ficou frio quando olhou para os dois que lhe esperavam. Deu um meio sorriso, fingido, e se dirigiu até o lugar onde estavam. Deu um olá meio seco e perguntou onde estava o carro. A moça de olhos puxados não entendeu, perguntou como tinha sido a viagem, se tinha aproveitado a estadia. Ele não respondeu. O rapaz também não entendeu nada.
Ninguém teve coragem de perguntar. A moça de olhos puxados voltava do aeroporto dirigindo. Ele estava no banco do passageiro e o rapaz entre os dois, no banco de trás. Não trocaram nenhuma palavra. Ele não abriu a boca nem para agradecer por terem ido buscá-lo. Pelo percurso que fariam, o primeiro a ser deixado seria o rapaz no banco de trás. E, logo após ele descer do carro, foi quando ele falou pela primeira vez desde o aeroporto:
- O que ele estava fazendo lá?
- Como assim?
- Como assim? Você ainda tem coragem de perguntar “como assim”?
- Ele é nosso amigo, estava ansioso para que...
- Ele é SEU amigo – interrompeu.
- Mas eu achava que...
- Não, você não achava nada. Você não acha nada. Eu to cansado, acabei de chegar. Só queria ver você e aí você aparece com ele lá.
- Mas eu pensei que...
- Quer saber? Desculpa ser tão babaca, mas eu preciso falar isso: ou ele ou eu.
- O que você ta querendo dizer com isso?
- Não entendeu? É simples. Ou ele, ou eu.
- Eu não posso fazer essa escolha.
- Por quê? Tá com medo de ser sincera e me perder para sempre?
- Não, to com medo de... de... Sei lá. Não quero fazer essa escolha. Não é necessário.
- Bom, é você quem sabe. Pode parar aqui?
- Pra quê eu vou parar no meio da rua?
- Pra eu descer.
- Deixa de ser babaca.
- Eu não to sendo babaca. Diferentemente de você eu estou sendo sincero.
- Ah, vai se fuder.
- Viu? Não é difícil ser sincera.
- Eu não vou parar, vou lhe deixar em casa.
- Não, não vai. O sinal ta fechando. Vou descer aqui.
- Para com isso.
- A escolha é simples: ou ele ou eu.
- Você não está me deixando escolher. Você está me obrigando a escolher.
- Ok. Se eu sou uma obrigação, adeus.
- Espera.
- Adeus.
Ela parou o carro no sinal vermelho. Ele aproveitou, pegou sua mochila e se retirou. Pegou seu emepetrês e colocou os fones no ouvido. O sinal abriu e ela seguiu. Com lágrimas nos olhos. Não podia fazer aquela escolha. Era seu melhor amigo ou seu namorado.
Você já é um homem
Monday, October 11, 2010
dia dos adultos
naquele dia das crianças, ele ganhou um robô. ficou tão feliz e agradecido que não disse ao menos obrigado para seus pais. correu para o seu quarto: aquele momento seria só seu. de mais ninguém. agora não precisava de mais ninguém. aquele robô era tudo o que precisava. agora ele ia dominar o mundo, ia dominar todas as pessoas a sua volta, ia mandar até mesmo em seus pais, aqueles dois nojentos que ficavam chamando-o de sonso. poderia se vingar daqueles garotos maiores que tinham batido nele anos atrás, poderia se vingar da tia que insistia em apertar suas bochechas, poderia até mesmo arrancar todas as flores daquela vizinha fofoqueira da casa ao lado. e nada o poderia deter. passaram-se dias e o robô era a única coisa que o acompanhava. sua turma de fortinhos da escola se dissipou. até mesmo aqueles mais próximos tinham medo daquele robô. e o tempo passou mais ainda. passou. passou. passou. até que o menino de nove anos se envolveu profundamente com o robô. começou a passar-lhe óleo todos os dias, lubrificando todas as suas juntas metálicas. desligava-o à noite para que pudesse descansar as baterias. pela primeira vez, o garotinho teve sentimento por algo em sua vida.
passados dois anos, o garotinho contava com onze: não tinha amigos, não tinha família, não tinha sequer outras crianças com quem brincar. e ele não sentia falta disso. aquele robô o bastava. mas o robô já estava se deteriorando. dali alguns dias ele realmente precisaria ser aposentado, o que naturalmente significava jogá-lo fora. seus pais insistiram, mas o garotinho não dava o braço a torcer. era impossível conseguir separá-lo daquele robô. o fatídico dia chegou quando o garotinho dormiu na sala. seus pais levaram o robô sorrateiramente até um ferro velho, passaram na loja de brinquedos e compraram um novo. tirando os arranhões, um dos dedos quebrados e a cabeça torta, não havia nenhuma outra diferença entre o antigo e o novo brinquedo. era apenas um brinquedo. falaram pro garotinho que tinham mandado consertar, trocaram algumas peças e ele tinha ficado novinho em folha. o garoto, autoritário, egoísta e completamente centrado nas suas coisas, acreditou. e continuou a viver enclausurado em torno daquele desejo de consumo tão antigo.
difícil é começar
temos tempo para fumar um cigarro, para ficar bêbado no fim de semana, para assistir um bom filme ou seriado na televisão. temos tempo para escrever posts, para postar no twitter, para mandar e-mails. até mesmo para ver vídeos do SWU no youtube. e as coisas mais importantes? ficam onde? em que lugar nós as colocamos? sempre por último. mas elas não são as mais importantes? é engraçado: você sabe o que é importante, mas é mais fácil fazer o que te dar prazer. o que falta a gente entender é que as coisas importantes podem te dar prazer. mas só é possível saber isso depois de começar. e aí é que está a parte mais difícil.
Saturday, October 09, 2010
sentimental ao extremo
O quanto eu te falei?
Que isso vai mudar
Motivo eu nunca dei
Você me avisar, me ensinar
Falar do que foi pra você
Não vai me livrar de viver
Quem é mais sentimental que eu?
Eu disse e nem assim se pôde evitar
De tanto eu te falar
Você subverteu o que era um sentimento e assim
Fez dele razão pra se perder
No abismo que é pensar e sentir
Ela é mais sentimental que eu
Então fica bem
Se eu sofro um pouco mais
"Se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e te
Ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente.
Se ela te fosse direta, você a rejeitaria."
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim, mas deixa
Eu só aceito a condição de ter você só pra mim
Eu sei, não é assim, mas deixa eu fingir e rir.
me falaram pra soltar, pra soltar tudo.
Friday, October 08, 2010
tapa na cara, aprendizado e verdades inconvenientes
"enquanto você continuar deixando a programação da rede globo, o bbb, os passeios, as baladas, o futebol, a cervejinha, etc., mandando na sua vida, esqueça qualquer pretenção de passar num concurso desse jaez."
isso soou como um tapa na minha cara hoje. meu discurso é sempre do tipo: não abro mão do meu final de semana. são os únicos dias que tenho pra me divertir e sair do ócio que é o período de segunda a sexta-feira. mas aí me vem à mente uma coisa que uma amiga minha me disse um dia, sobre o que é um ano estudando pro resto da vida aproveitando as consequências desse estudo. eu tenho tantas oportunidades, já fiz tantos concursos e passei em apenas três. nem a maldita oab eu consegui tirar de primeira. não, não me perdoo por isso. não me venham com lições do tipo é assim mesmo, a maioria não passa de primeira. eu tive cinco anos para passar de primeira. e não soube aproveitar isso. eu sei, eu sei, não adianta chorar pelo leite derramado, o que importa é o daqui pra frente e outros tipos de auto-piedade-ajuda, mas se eu não chorar pelo leite derramado e pensar no que eu podia ter feito e não fiz, eu vou continuar do mesmo jeito. preciso me martirizar para progredir. comigo funciona assim. não, não deu certo de primeira, então preciso corrigir os erros. e quais os erros? só olhando pra trás e me lamentando é que vou saber.
"não acredite em sorte! (...) descubra qual é o seu limite. e aprenda a superá-lo. sono? família? falta de tempo? dívidas? filhos? problemas de saúde? há jeito pra tudo. tem mais: você terá que ser egoísta. um egoísmo bom, no sentido de que você terá que pensar mais em si mesmo, no seu futuro, nos seus estudos (...). se o seu maior vilão é o tempo, SE VIRA! ninguém trabalha mais do que 10 horas por dia (se trabalhar, estará sendo escravizado)"
é fato que o anseio da maioria dos acreanos é passar em um concurso público, ser servidor de algum órgão e garantir a aposentadoria. diria que é o meu também. mas mais pela estabilidade financeira que por qualquer outra coisa. eu aprendi com o decorrer do tempo que você sempre terá escolhas. algumas serão as mais corretas, outras as mais erradas. mas você só vai descobrir isso com o tempo. enfim, com o tempo eu descobri que meu negócio é comunicação. que o direito foi uma mera forma de achar que me agradava a idéia que eu tinha quando tinha 7 anos de idade: ser advogado, promotor, diretor do tribunal de justiça, juiz, desembargador e virar nome de rua quando me aposentasse. sim, eu tinha esses planos. mas aí eu vivi várias reviravoltas no decorrer desses cinco anos. e eu percebi que não é só a estabilidade e a grana certinha no final do mês que vai me fazer feliz. é a correria, a imprevisibilidade, a escrita, a discussão (apesar do que preciso fazer um curso de oratória). eu sonho em escrever um livro, um romance, um livro de contos, de poesias, enfim. to correndo pra terminar a faculdade de direito. só depois disso vou me sentir uma pessoa livre para fazer tudo o que eu quero fazer. então eu lanço para vocês: corram atrás dos seus sonhos, das suas vontades, dos seus desejos. no fim da vida, sinceramente, é o que talvez mais vá valer à pena. publicitários me aguardem. vou estudar para ser como vocês.
"aproveite cada minuto do seu precioso tempo para construir seu capital intelectual: folgas, feriados, finais de semana, consultórios, trânsito, academia, vôos, etc. depois (...) você volta para suas futilidades"
abrir mão de um final de semana regado a vodka, cigarros e músicas dançantes. não precisa ser todos, basta uns dois por mês. feriado prolongado? aproveita e estuda cara! tá no trabalho sem nada pra fazer? larga o twitter, o blog, o e-mail. ou então utilize desses meios para adquirir mais conhecimento. porque, apesar de todas as coisas fúteis que existem, esses meios podem ajudar muito. temos fóruns, páginas pessoais e muitas coisas mais por essa internet mundo afora. baixa aulas sobre aquilo que você precisa estudar e escute-as ao invés do samba que sai agora das caixas de som. tudo o que vem fácil, vai fácil. então se você quer alguma coisa pra sua vida, se você tem realmente um sonho e deseja conquistá-lo, faça a dificuldade. abra mão de certas coisas e certamente, lá na frente, você vai olhar para trás e sua única lamentação vai ser: porque eu não tinha feito isso antes?
Thursday, October 07, 2010
Confuso é complicar
Porque, de uma certa forma, você também é uma pessoa confusa, não é? Não que você não tenha certeza do que sente por ele, mas é que agora apareceu uma pessoa na sua vida, bem bacana, e te confunde saber se troca o certo pelo duvidoso, certo? Mas que certo? Porque ele é legal, bacana, gente fina, te chama pra viajar, te chama pra tudo e quer compartilhar tudo com você? Nós virginianos somos muito certinhos, então daríamos belos indianos do tipo: amor se constrói. E não iríamos arriscar a vida procurando amores por aí, pra só casar quando estivéssemos realmente apaixonados.
Mas, apesar de certinhos, nós não somos tão virginianos assim. Preferimos uma paixão arrebatadora, que doa no peito de tão intensa, a um amor mais calmo. E sabe porque? Porque a nossa vida tão certinha carece muito de emoção. E a nossa emoção vai entrar justamente aí, na parte que nós realmente não podemos controlar: o coração. E é por isso que a gente se confunde tanto quanto estamos falando especificamente de relacionamentos amorosos. Nossa cabeça é um mar profundo, mas tão profundo, que a gente não sabe se vai conseguir chegar ao fim. No caso em questão, chegar a uma conclusão. Você sabe se é isso que você quer? É ele que você quer? Ou é simplesmente o fato de isso estar mexendo profundamente com suas emoções que te faz querer isso?
Acho que você nunca desistiu dele. Ele está marcado em você de uma forma que só quem já passou por isso sabe. Eu sei. E não há nada que vá mudar isso. Isso é amor? É. É amor o que você sente por ele. Mas isso não quer dizer que você precise estar com ele pra ser feliz. É um amor que vai ficar aí pra sempre. Não vai sair de você nunca. Porque, assim como eu, você ama de verdade. E quem ama de verdade não esquece jamais. Não esquece porque de cada amor que passa pela sua vida, você carrega um pouquinho pra sempre. A pergunta, então, aqui é se você realmente QUER estar com ele, ou é simplesmente esse desejo, essa vontade de estar com aquele cara lá, aquele cara que representou tanto na sua vida.
O que aquele moço representa pra você hoje? Eu sei que ontem ele representava um carinha legal, mas que num rolava muita coisa assim. E hoje? Como está hoje? Como você se sente perto dele hoje? Amanhã... Bem, amanhã é amanhã. Se preocupar com o amanhã só traz mais problemas pra gente (e nem adianta eu falar isso... nós virginianozinhos metódicos não conseguimos olhar pra hoje sem pensar no amanhã). A pergunta fatal, que eu te fiz há alguns meses atrás, lembra?, é a seguinte: quem te faz sentir borboletas no estômago? É difícil. É muito difícil tomar decisões, refletir sobre tudo isso e chegar a uma conclusão só. Isso se chegar a alguma conclusão. Deixa a poeira baixar, o coração acalmar, a cabeça pensar.
Wednesday, October 06, 2010
na fragilidade do olhar
Tuesday, October 05, 2010
momento desabafo º
Monday, October 04, 2010
de braços abertos
carbolithium
desculpas
Sunday, October 03, 2010
nem lá, nem cá
"ainda é cedo
...
em cada esquina cai um pouco a tua vida
e em pouco tempo não serás mais o que és
...
preste atenção: o mundo é um moinho
vai tritutar teus sonhos tão mesquinhos
..."
lucky strike
- vai tomar no seu cú.
dezesseis segundos depois, o outro retrucou:
- ô idiota, cu não tem acento.
e procura houaiss, pasquale, aurélio e tudo o mais o que poderia trazer aquela resposta. e nada. não há nada. as ofensas não interessam a um dicionário. interessam ao cérebro de cada um deles.
onde está você, onde está eu, onde estamos nós? onde nós fomos parar?
- eu te amo.
- e porque permanecemos aqui, tão longe?
- desconheço a resposta dessa pergunta.
achavam que voltariam juntos para casa. que se excitariam juntos ao olhar para o espelho. mas aquele momento pareceu pertencer a um só deles. o outro, ninguém sabe quem, preferiu manter-se inerte, solitário, a olhar para o espelho. reflexo só seu. egocentrismo falando mais alto que o sentimento aquela hora. ninguém sabia quem, mas só a um deles importava o sentimento àquela hora. e aquele permaneceria sendo um mistério para ambos. para mim e para você que o lê.
Friday, October 01, 2010
acriadora
momento desabafo - mais uma vez
Thursday, September 30, 2010
e a primeira vez é sempre a última chance
de tantas
tantas palavras não ditas, guardadas em rascunhos, presas no (in)consciente da memória.
tantos bordões ensaiados, cartas escritas, atos que ficaram apenas na história.
tantas vontades reprimidas, contorcendo por dentro todas as veias.
clama-se por socorro, socorro, socorro. e ninguém parece escutar.
..
anseia, anseia, anseia. é de ânsia que se sobrevive desgarrado.
é de sonhos, vontades, desejos, que se mantém acordado.
lava as mãos, menino. tira toda essa sujeira daí.
não dá, não dá. é a alma que está suja, não se há de lavar.
..
subi no mais alto dos morros, de impulso n'outro, e me pus a voar.
senti a brisa leve no rosto, sussurrando ao cangote do ouvido:
-você não é pássaro. é gente. desce.
e a cada letra exposta, eu era levado para mais perto do chão.
CHEGA
não se há de me dizer, ninguém há de me dizer, o que eu não posso fazer.
poder. eu posso. mas não tenho.
e, por aquele milésimo de segundo, eu pude conhecer o paraíso.
..
morfina. lexotan. cannabis sativa.
guaraná. lsd. cocaína.
..
a ciência não explica.
e ninguém sabe explicar.
mas é melhor: penetrar ou ejacular?
..
ao pó voltou. e foi jogado ao vento.
nas águas de tudo aquilo que já tinha passado por ele.
Wednesday, September 29, 2010
(interrogação)
Tuesday, December 29, 2009
camisinha
chega a festa. compra um drink qualquer. qualquer um é melhor que cerveja, pensa. e a cláudia, amiga de todas as horas, vai na onda: pede um hi-fi daquele mesmo jeito de uma semana atrás, lembrando o garçom que naquela madrugada ele a comeu a noite inteira - cara de espanto, ao perceber que ele não lembra. pouco suco e muita vodka, porra! vão para a pista, cada qual com seu copo. e a música invade os ouvidos e o pensamento de cada uma. é, de forma diferente. cláudia mais balança a cabeça, mariana mexe mais o corpo. mexe tanto que ele vem até ela, segura sua cintura e mexe junto. maravilha.
e fala no ouvido, e passa a língua no pescoço. mariana está no quinto drink e se entrega como todas as outras primeiras vezes. sempre é uma primeira vez. beija, passa a mão, roça a língua e sente: hora de ir embora. se tem carro ou se não tem, lá fora tem táxis a noite inteira. tchau, cláudia. puxa pela mão e vai. estão a fim. ela mais do que ele. ele só saiu no lucro. ela saiu realizada. é gostosa, tem dinheiro e gosta de satisfazer seus desejos. ponto final. motel? apartamento? ou casa de família? fica na primeira opção. uma bodega qualquer serve, é só sexo mesmo.
tira a roupa, só calcinha e sutiã. essa parte é dele, nu. foda-se. tira tudo. aliás, me fode. mulher decidida. mais beijos, mãos e línguas. e curte o que resta da madrugada. carne com carne. seis da manhã. hora de ir para casa. acorda o bêbado infeliz. sou puta, mas tenho hora, porra. nem ouve. chega em sua casa: posso entrar? não. sorri meia boca nos lábios. tira da bolsa um papel e uma caneta, escreve algo, dobra e deixa no painel do carro. agradece e se retira do carro, piscando o olho direito: eu não moro aqui, mas pego um táxi. mulher misteriosa. ele pára na garagem. pega o bilhete. foi só uma noite. mas a aids é para minha vida toda. e agora para a sua também.
Monday, December 28, 2009
natal familiar
os abraços e beijos da meia noite
e, ao invés dos presentes de Noel,
o reencontro da pacificidade
quisera tanto
não se despedir às dez
dos futuros não presentes
com olhos lacrimejantes
quisera mais ainda
um vinte e cinco regado a sorrisos
verdadeiros não por obrigação
mas em nome da união
seria um dia qualquer
mas tanto desejou
mas tanto almejou
que naquele ano aconteceu
Tuesday, December 01, 2009
Síndrome dos Vinte e Tantos
O que, talvez, você não se dê conta, é que todos que estamos lendo esse textos nos identificamos com ele. Todos nós que temos 'vinte e tantos' e gostaríamos de voltar aos 15-16 algumas vezes. Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça... Mas TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos... Dizem que esses tempos são o cimento do nosso futuro. Parece que foi ontem que tínhamos 16... Então, amanha teremos 30?! Assim tão rápido?! Façamos valer nosso tempo... Que ele não passe! Afinal, 'a vida não se mede pelas vezes que você respira, mas sim por aqueles momentos que lhe deixam sem fôlego. '
[Autor Desconhecido]
Espero, sim, que o tempo passe. Cada fase, cada idade tem sua beleza. A gente envelhece melhor quando sabe envelhecer. Ainda to na casa do 2.1, mas vo tentando tomar conhecimento de tudo isso já a partir de agora. Deixando, claro, o espaço para os acontecimentos inevitáveis que possam vir. Enfim, não chamo de síndrome. Prefiro considerar apenas mais uma etapa.
é real.
mas, enquanto houver amizade,
faremos as pazes de novo.
Pode ser que um dia o tempo passe.
Mas,se a amizade permanecer,
um do outro há de se lembrar.
Pode ser que um dia nos afastemos.
mas, se formos amigos de verdade,
a amizade nos reaproximara.
Pode ser que um dia não mais existamos.
Mas se ainda sobrar amizade,
nasceremos de novo, um para o outro.
Pode ser que um dia tudo acabe.
Mas, com a amizade
construiremos tudo novamente,
cada vez de forma diferente,
sendo único e inesquecível cada momento
que juntos viveremos e nos
lembraremos para sempre.
Friday, November 20, 2009
é
aprendeu. cresceu. amadureceu. respectivamente nessa ordem. porque aprender todo mundo pode. crescer após o aprendizado apenas alguns conseguem. e amadurecer, bem, só é possível quando se passou por essas duas etapas. essa é a concepção. até sente saudade da falta de responsabilidade, mas quando esta aparece, percebe que realmente é homem de honrar aquilo que carrega desde que nasceu naquele sete de setembro quando os astros evocavam: virgem.
é. o sorriso talvez tenha mudado um pouco. a voz... bem, a voz acho que não. o senso de justiça talvez tenha adormecido junto à fidelidade aos princípios norteadores de sua personalidade. mas, afinal, pra chegar ao terceiro estágio da manga esverdeada-amarelada é necessário cruzar alguns obstáculos e encruzilhadas das quais você pode se arrepender pra sempre. mas a vida é assim: as vezes pensar antes de agir, as vezes não. as vezes arriscar, as vezes não. mas, enfim, qualquer que tenha sido sua escolha, as consequências são visíveis. aprender a conviver com elas talvez tenha sido sua maior virtude.
e lá está, com seu cigarro e seu copo de cerveja. e pensa no passado e no futuro. mas, jamais, se desliga do presente. aquele que se vive agora. porque, afinal, só há dois dias do ano em que nada pode ser feito: hoje e amanhã. é assim. o agora é aquilo que acontece. ontem já foi. amanhã ninguém sabe. e era assim que continuava. sua vida só fazia sentido mesmo naquele exato momento em que estava ali. o que acontecera antes ou o que podia acontecer amanhã não importava. feliz? era o estado de espírito do momento. aliás, é.
Friday, November 06, 2009
espelho
julgar. ô palavrinha mal dita.
antes pense nas suas atitudes.
e naquilo que já fizeram com e por você.
Monday, September 07, 2009
2.1
Pois toda idade tem prazer e medo
E com os que erram feio e bastante
Que eu consiga ser tolerante
Quando eu ficar triste que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que eu descubra que rir é bom
Mas que rir de tudo é desespero
Desejo...
Que eu tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda exista amor pra recomeçar
Eu me desejo muitos amigos
Mas que em um eu possa confiar
E que tenha até inimigos pra eu não deixar de duvidar
Eu desejo...
Que eu ganhe dinheiro pois é preciso viver também
E que eu diga a ele pelo menos uma vez quem é mesmo o dono de quem
Desejo...
Que eu tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda exista amor pra recomeçar