ainda assim, o meu foi ótimo. x)
Thursday, December 25, 2008
Wednesday, December 24, 2008
Tuesday, December 23, 2008
madrugada
- não fique chateado.
- talvez eu devesse ficar, mas isso importaria agora? isso traria alguma solução?
- não sei.
- não, não solucionaria nada. eu não sou criança, que pega o pirulito e diz que é só dela. eu cresci, talvez ainda não tanto quanto você, mas aprendi muita coisa nos últimos três anos.
- eu estou sendo sincero com você.
- eu também. eu entendo. e eu sabia disso.
- como você sabia?
- porque três anos não são três dias. e eu sei que não é fácil. talvez você me ache muito condescendente por isso, mas não é assim. a questão é saber entender certas coisas que acontecem em nossas vidas, e eu entendo.
- você é legal, sabia? é legal estar com você.
- eu sei, sou uma pessoa agradabilíssima.
- e modesto...
- gosto de brincar com essas coisas. sou assim. e gosto de arriscar. se não fizer isso, empaco a vida inteira pensando que posso sofrer, pensando no que o futuro guarda pra mim.
- isso é verdade.
- a vida segue, sabe? a fila anda. se for pra ser, será. mas por isso vamos deixar de aproveitar o momento?
- não.
- é justamente isso que eu queria te dizer.
- talvez eu devesse ficar, mas isso importaria agora? isso traria alguma solução?
- não sei.
- não, não solucionaria nada. eu não sou criança, que pega o pirulito e diz que é só dela. eu cresci, talvez ainda não tanto quanto você, mas aprendi muita coisa nos últimos três anos.
- eu estou sendo sincero com você.
- eu também. eu entendo. e eu sabia disso.
- como você sabia?
- porque três anos não são três dias. e eu sei que não é fácil. talvez você me ache muito condescendente por isso, mas não é assim. a questão é saber entender certas coisas que acontecem em nossas vidas, e eu entendo.
- você é legal, sabia? é legal estar com você.
- eu sei, sou uma pessoa agradabilíssima.
- e modesto...
- gosto de brincar com essas coisas. sou assim. e gosto de arriscar. se não fizer isso, empaco a vida inteira pensando que posso sofrer, pensando no que o futuro guarda pra mim.
- isso é verdade.
- a vida segue, sabe? a fila anda. se for pra ser, será. mas por isso vamos deixar de aproveitar o momento?
- não.
- é justamente isso que eu queria te dizer.
Saturday, December 20, 2008
sms
Thursday, December 18, 2008
no dictionary
é como quando se dorme: seu corpo fica estático, mas seu espírito passeia pelos sonhos. só que acontece quando você está acordado: o pensamento a aproximadamente quatro mil quilômetros de distância. e a única coisa que acontece com sua forma física é aquilo que não tem definição, tradução ou qualquer outra atribuição que não apenas seu nome: saudade.
Tuesday, December 16, 2008
teorias
algumas pessoas acham que o seu passado foi melhor do que será o futuro. mal sabem elas que o maior desejo do futuro, para o presente, é ser melhor do que o passado foi.
Monday, December 15, 2008
Sunday, December 14, 2008
do aeroporto
vai,
mas volta.
falta,
por 240 horas.
sentido,
não há.
se tiver
razão,
mais
emoção.
ter você
aqui
sem saber
o que fazer.
o novo,
a experiência.
só querer
uma chance
pra provar
que pode ser
melhor.
mas volta.
falta,
por 240 horas.
sentido,
não há.
se tiver
razão,
mais
emoção.
ter você
aqui
sem saber
o que fazer.
o novo,
a experiência.
só querer
uma chance
pra provar
que pode ser
melhor.
Posso?
Saturday, December 13, 2008
Thursday, December 11, 2008
Wednesday, December 10, 2008
closer
o pensamento traz um frio na barriga, alimentando algo incerto que pode estar por vir. existe, então, a dificuldade em descobrir se as palavras são verdadeiras, ou meramente meios de se conseguir aquilo que se quer. como saber? arriscando-se. a verdadeira essência da descoberta é essa: arriscar. de qualquer forma, bem vindos ao mundo adulto. aquele pelo qual você tanto ansiou e de repente ficou com medo de encarar.
me deixa que hoje eu to de bobeira
hoje eu desafio o mundo sem sair da minha casa
hoje eu sou um homem mais sincero e mais justo comigo
podem os homens vir
que não vão me abalar
os cães farejam o medo
logo não vão me encontrar
não se trata de coragem
meus olhos estão distantes
se camuflam na paisagem
dando tempo pra cantar
hoje eu sou um homem mais sincero e mais justo comigo
podem os homens vir
que não vão me abalar
os cães farejam o medo
logo não vão me encontrar
não se trata de coragem
meus olhos estão distantes
se camuflam na paisagem
dando tempo pra cantar
me deixa - o rappa (na versão das chicas)
de ontem
bem, antes da sexta vem a quinta, antes da quinta vem a quarta, e antes da quarta vem terça, aliás, hoje!
Monday, December 08, 2008
um dia eu volto!
em um ano você consegue se apaixonar por algo, a ponto de chorar exaustivamente quando sabe que vai acabar. pessoas, papéis, fitas e canetas deixadas para trás. quatro dias para despedidas. uma vida inteira para lembrar.
virgo
Esta semana não será muito fácil a você virgem, que será pressionado severamente para fazer escolhas definitivas para a construção de seu novo caminho em 2009. Procure usar de discernimento, não se altere e nem deixe a adrenalina subir. Mantenha a razão.
as vezes me surpreendo com o que eles dizem.
Sunday, December 07, 2008
'palavras de um futuro bom'
os lados opostos, positivo e negativo, respectivamente, significam aquilo que você fala e aquilo que os outros falam. então qual deles importa? aquele que você quiser acreditar. só depende disso.
Saturday, December 06, 2008
Friday, December 05, 2008
2008
janeiro
fevereiro
março
abril
maio
junho
julho
agosto
setembro
outubro
novembro
dezembro ainda é invisível. não sabe qual cor terá.
Tuesday, December 02, 2008
eu sou quase um gato
(...)
Me diziam todo momento
Fique em casa, não tome vento
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua
Toda a noite vão cantando assim
Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora, senhorio
Felino, não reconhecerás
(...)
Por causa da cantoria
Mas agora o meu dia-a-dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata
Eu sou mais eu, mais gato
Numa louca serenata
Me diziam todo momento
Fique em casa, não tome vento
Mas é duro ficar na sua
Quando à luz da lua
Tantos gatos pela rua
Toda a noite vão cantando assim
Nós, gatos, já nascemos pobres
Porém, já nascemos livres
Senhor, senhora, senhorio
Felino, não reconhecerás
(...)
Por causa da cantoria
Mas agora o meu dia-a-dia
É no meio da gataria
Pela rua virando lata
Eu sou mais eu, mais gato
Numa louca serenata
história de uma gata - bando de maria
Monday, December 01, 2008
Wednesday, November 26, 2008
tem horas que você percebe
você passou tanto tempo olhando pro espelho, que acabou esquecendo dos outros objetos que existiam no seu quarto. a poeira cobriu aqueles belos adornos, os mais bonitos que você tinha na cabeceira da cama e nas outras partes da estante. a grande questão é: você vai pegar o pano e limpar tudo? ou vai deixar como está?
1175
durante mil cento e setenta e cinco dias eu fui feliz. eu aprendi. eu reconheci. eu briguei. eu xinguei. eu tentei ser melhor. eu talvez tenha sido. eu tive a primeira. aliás, várias primeiras. eu me tornei homem. eu fiz o possível. sempre que possível. e hoje eu tenho aquela me mostrou tanta coisa do meu lado pra sempre.
tapa na cara
- você é uma pessoa inconveniente.
- da mesma forma que não me interessa as coisas que você fala.
- da mesma forma que não me interessa as coisas que você fala.
Tuesday, November 25, 2008
feliz
Conseguir pôr sua cabeça em ordem é algo que talvez você nunca consiga. Apesar das mais variadas tentativas, sempre vai haver algo que o incomoda e que te deixa confuso. Não adianta: ordem não combina com estar sempre fazendo escolhas. Pelo menos do meu ponto de vista. Mesmo assim, creio que arrumar a bagunça da vida te dá um descanso. Não que a partir disso você poderá viver em paz, na beira da praia, tomando água de côco pra sempre. Mas é legal de repente fazer uma faxina. Às vezes você faz e nem percebe, pra falar a verdade. Deixa de lado aquilo que não lhe traz bem-estar, aprende a dizer não sem se preocupar em magoar. Você definitivamente percebe que tem uma hora, cara, que ou é você ou não é ninguém, entende? Deve-se saber escolher bem aqueles para te acompanharem. Mesmo sabendo que nem todos aqueles que você escolhe estarão lá. E que aqueles que você desprezou vão te dar uma mãozinha em alguma coisa. São as conseqüências das escolhas. Isso, aquelas mesmas escolhas que não deixam sua cabeça em ordem. Mas o grande lance é não se preocupar com isso. É saber que é assim. É estar bem resolvido quanto à isso. É saber olhar no espelho e conversar com seu reflexo, não como uma outra pessoa, mas como você. Como uma pessoa, enfim, completa. Pensar que problemas todos nós temos muitos. Que nenhum é menor do que o outro, pois cada pessoa é cada pessoa, e com isso podemos considerar que o problema é, definitivamente, do tamanho que cada um lhe dá. Quando você está bem, quando você se preocupa em ser feliz, tudo isso vira pouco. Tudo isso se torna pequeno diante daquele sorriso que você decidiu se dar de presente todos os dias de manhã, frente ao seu reflexo. Tudo isso se torna pequeno, até mesmo o mundo, quando você decide que nunca é tarde pra recomeçar, que as chances e oportunidades estão aí sempre, que é só tentar. Esqueça os outros, deboche daqueles que não acreditam em você, mande os invejosos à merda. Saia na rua, tome banho de chuva e grite pra todo mundo ouvir que sua felicidade só depende de você mesmo. Carpe diem meus caros.
Monday, November 24, 2008
sonhando
- E por acaso eu te conheço?
- Aparentemente não. Mas isso é um problema?
- Não sei.
- Bem, suponho que não, afinal estamos aqui para conhecer pessoas, não é?
- Eu não freqüento esses lugares para conhecer pessoas, apenas para dançar.
- Quero dizer que estamos aqui, nesse mundo, para conhecer pessoas – disse enquanto apontava o dedo para baixo.
- Isso quer dizer que eu sou obrigado a conhecer você?
- Não, de forma alguma. Mas eu posso querer conhecer você. Então façamos o seguinte, eu te pergunto tudo e você não me pergunta nada. Aí eu te conheço e você não me conhece. Assim ficamos todos felizes, o que acha?
- Eu não acho nada. Só não tenho interesse em conversar agora.
- Tudo bem, eu espero. – ficou calado por cinco segundos – E aí? Já?
- Acho que quanto mais rápido eu responder suas perguntas, mais rápido você vai embora, né?
- Talvez. Mas talvez daqui a pouco você nem queira que eu vá embora mais.
- Veremos.
Felipe perguntou tudo o que queria saber à seu respeito. Onde havia morado, se era casada, se tinha namorado, filhos, um cachorro ou um gato. O que gostava de fazer em seu tempo livre, com o quê trabalhava, se ainda estudava. A conversa foi sendo tão construtiva que ela começou a interagir com ele, deixando de apenas responder perguntas. Começou a contar histórias de sua vida, perguntou sobre a vida dele. Ao invés de dançarem, passaram a noite conversando, sentados em um local afastado da enorme concentração de pessoas que se mexiam de um lado para o outro.
- Bem, vou indo.
- Mas já?
- Você queria que eu fosse embora rápido. Já demorei mais do que deveria, não é?
- Fica. Desculpa minha arrogância.
- Tem certeza?
- Na verdade eu preferia que nós fôssemos embora.
- E nós vamos pra onde?
- Não sei. Vamos dar uma volta. Você está de carro?
- Não. Pedi que um amigo me deixasse aqui.
- Já sabia que ia me encontrar não é?
- Tinha esperanças.
- Bem, eu to no meu carro. Vamos?
- Claro.
Os dois deram algumas voltas, conversando sobre planos futuros, trabalho e faculdade. Felipe não conseguia pensar direito. Achava engraçado estar onde estava, sendo sempre tão pessimista como era. Nunca achou que fosse ter aquela oportunidade e, de repente, estava ali, ao lado de alguém com quem sonhara estar.
- Você pode me deixar em casa?
- Já?
- Sim, preciso ir. Já são quatro horas da manhã. Minha mãe deve estar acordada me esperando.
- Onde você mora?
- Aqui perto. Pode ir por ali.
Ao chegarem em frente à casa, os dois ficaram imóveis. Olhavam para os pés, sem saber o que dizer. Felipe, achando-se corajoso ao extremo, resolveu quebrar o gelo do silêncio:
- Er.. – falaram os dois ao mesmo.
- Pode falar.
- Não, pode falar você.
- Tudo bem. É que eu queria agradecer a oportunidade.
- Que oportunidade?
- De responder minhas perguntas.
- Eu que agradeço por você não ter desistido.
- Eu não desistiria tão fácil. Quando eu quero alguma coisa eu corro atrás o máximo que eu posso.
- Bem. Acho que não será mais necessário correr tanto assim. Agora estamos lado a lado.
Felipe corou. Sem saber o que dizer foi abrindo a porta do carro.
- Espera.
- Fala.
- Vem aqui.
Ela chegou mais próxima dele...
- Felipe! Felipe! São sete horas! Você vai se atrasar.
- Aparentemente não. Mas isso é um problema?
- Não sei.
- Bem, suponho que não, afinal estamos aqui para conhecer pessoas, não é?
- Eu não freqüento esses lugares para conhecer pessoas, apenas para dançar.
- Quero dizer que estamos aqui, nesse mundo, para conhecer pessoas – disse enquanto apontava o dedo para baixo.
- Isso quer dizer que eu sou obrigado a conhecer você?
- Não, de forma alguma. Mas eu posso querer conhecer você. Então façamos o seguinte, eu te pergunto tudo e você não me pergunta nada. Aí eu te conheço e você não me conhece. Assim ficamos todos felizes, o que acha?
- Eu não acho nada. Só não tenho interesse em conversar agora.
- Tudo bem, eu espero. – ficou calado por cinco segundos – E aí? Já?
- Acho que quanto mais rápido eu responder suas perguntas, mais rápido você vai embora, né?
- Talvez. Mas talvez daqui a pouco você nem queira que eu vá embora mais.
- Veremos.
Felipe perguntou tudo o que queria saber à seu respeito. Onde havia morado, se era casada, se tinha namorado, filhos, um cachorro ou um gato. O que gostava de fazer em seu tempo livre, com o quê trabalhava, se ainda estudava. A conversa foi sendo tão construtiva que ela começou a interagir com ele, deixando de apenas responder perguntas. Começou a contar histórias de sua vida, perguntou sobre a vida dele. Ao invés de dançarem, passaram a noite conversando, sentados em um local afastado da enorme concentração de pessoas que se mexiam de um lado para o outro.
- Bem, vou indo.
- Mas já?
- Você queria que eu fosse embora rápido. Já demorei mais do que deveria, não é?
- Fica. Desculpa minha arrogância.
- Tem certeza?
- Na verdade eu preferia que nós fôssemos embora.
- E nós vamos pra onde?
- Não sei. Vamos dar uma volta. Você está de carro?
- Não. Pedi que um amigo me deixasse aqui.
- Já sabia que ia me encontrar não é?
- Tinha esperanças.
- Bem, eu to no meu carro. Vamos?
- Claro.
Os dois deram algumas voltas, conversando sobre planos futuros, trabalho e faculdade. Felipe não conseguia pensar direito. Achava engraçado estar onde estava, sendo sempre tão pessimista como era. Nunca achou que fosse ter aquela oportunidade e, de repente, estava ali, ao lado de alguém com quem sonhara estar.
- Você pode me deixar em casa?
- Já?
- Sim, preciso ir. Já são quatro horas da manhã. Minha mãe deve estar acordada me esperando.
- Onde você mora?
- Aqui perto. Pode ir por ali.
Ao chegarem em frente à casa, os dois ficaram imóveis. Olhavam para os pés, sem saber o que dizer. Felipe, achando-se corajoso ao extremo, resolveu quebrar o gelo do silêncio:
- Er.. – falaram os dois ao mesmo.
- Pode falar.
- Não, pode falar você.
- Tudo bem. É que eu queria agradecer a oportunidade.
- Que oportunidade?
- De responder minhas perguntas.
- Eu que agradeço por você não ter desistido.
- Eu não desistiria tão fácil. Quando eu quero alguma coisa eu corro atrás o máximo que eu posso.
- Bem. Acho que não será mais necessário correr tanto assim. Agora estamos lado a lado.
Felipe corou. Sem saber o que dizer foi abrindo a porta do carro.
- Espera.
- Fala.
- Vem aqui.
Ela chegou mais próxima dele...
- Felipe! Felipe! São sete horas! Você vai se atrasar.
Thursday, November 20, 2008
luv
e a gente vai à luta
e conhece a dor
consideramos justa toda forma de amor
e conhece a dor
consideramos justa toda forma de amor
Lulu Santos
toda forma de amor vale à pena, seja a sua qual for.
sejamos todos livres para amar da forma que nos convenha.
sejamos todos livres para amar da forma que nos convenha.
Wednesday, November 19, 2008
algo novo
Desceu a barragem e sentou-se próximo ao rio. Não era branco como denominava o nome da cidade dividida por ele, mas lhe dava paz. As águas barrentas, iluminadas pelas luzes do calçadão da Gameleira, corriam, como que fugindo de algo que estivesse a dobrar a curva lá atrás violentamente. Ele, então, fechou os olhos. Ouvia apenas o som da água. Ainda era cedo da manhã, e poucos carros passavam importunando aquele momento.
Sentia uma dor terrível cada vez que lembrava como tinha passado a noite. Nunca havia dormido com ninguém. Suas relações sempre foram simplesmente promíscuas – primeiro a chegada, depois o sexo, os beijos após o ato consumado, o banho e por último a ida para casa – e aquilo era novidade para ele. Mas sentia nojo. Um nojo incontrolável apenas pela lembrança daquelas mãos, daquele corpo colado ao seu.
Lembrava como havia saído correndo, depois de acordar e perceber o que acontecera durante aquelas últimas oito horas. Ainda assim, sentia pena. O que pensaria quando acordasse e visse que ele não mais ali estava? Agora a repugnância se misturava ao nojo. Era podre. Uma pessoa que não merecia um mínimo sentimento de misericórdia. De repente sorriu.
Estava confuso. A ficha começava a cair. Agora já não sabia como se sentia. Sorria, derramava lágrimas, batia em seu próprio rosto – o que pensariam aquelas pessoas que passavam caminhando lá no alto da gameleira ao ver um rapaz se batendo à margem do rio? –, e se embebedava em nojo, repugnância, tristeza e felicidade. Seria aquela a verdadeira sensação de liberdade?
Sentia uma dor terrível cada vez que lembrava como tinha passado a noite. Nunca havia dormido com ninguém. Suas relações sempre foram simplesmente promíscuas – primeiro a chegada, depois o sexo, os beijos após o ato consumado, o banho e por último a ida para casa – e aquilo era novidade para ele. Mas sentia nojo. Um nojo incontrolável apenas pela lembrança daquelas mãos, daquele corpo colado ao seu.
Lembrava como havia saído correndo, depois de acordar e perceber o que acontecera durante aquelas últimas oito horas. Ainda assim, sentia pena. O que pensaria quando acordasse e visse que ele não mais ali estava? Agora a repugnância se misturava ao nojo. Era podre. Uma pessoa que não merecia um mínimo sentimento de misericórdia. De repente sorriu.
Estava confuso. A ficha começava a cair. Agora já não sabia como se sentia. Sorria, derramava lágrimas, batia em seu próprio rosto – o que pensariam aquelas pessoas que passavam caminhando lá no alto da gameleira ao ver um rapaz se batendo à margem do rio? –, e se embebedava em nojo, repugnância, tristeza e felicidade. Seria aquela a verdadeira sensação de liberdade?
momento desabafo
ter meu nome metido em algo que não me diz respeito não significa, simplesmente, nada pra mim. me acostumei a estar metido em confusões que nada tinham a ver comigo. da mesma forma que me acostumei a não dar mais bola pra isso.
galera! falem o que quiserem. meu nome sempre esteve na boca do povo e já me preocupei muito com isso. estou tão bem hoje que não me preocupo mais. cansei de perder meu tempo pensando no que as pessoas pensam sobre a minha pessoa. o que importa é como eu estou pensando sobre mim mesmo. e, em relação a isso, eu estou muito bem resolvido, obrigado.
galera! falem o que quiserem. meu nome sempre esteve na boca do povo e já me preocupei muito com isso. estou tão bem hoje que não me preocupo mais. cansei de perder meu tempo pensando no que as pessoas pensam sobre a minha pessoa. o que importa é como eu estou pensando sobre mim mesmo. e, em relação a isso, eu estou muito bem resolvido, obrigado.
Tuesday, November 18, 2008
expectativa
- Então, a gente pode se encontrar no restaurante?
- Pode sim. Acho uma ótima idéia.
- Quer que eu vá te buscar?
- Não, não precisa. Meu amigo vai sair e peço pra ele me deixar lá. Só vou querer carona de volta pra casa, tudo bem?
- Ah, ok. Até oito e meia então.
- Até.
Era a terceira vez que se falavam, apenas. Sempre diálogos curtos, sem muito conhecimento um do outro. Aguardavam pelo primeiro encontro para que não faltasse assunto. E, mesmo assim, ainda achavam que faltaria. Luís estava mais ansioso. Pra variar. Já tinham trocado olhares outras vezes, conheciam-se de vista, mas nunca tinham tido um contato pessoal.
Por volta das oito e meia, Luís já estava à espera de Rita. Sentado em uma mesa com duas cadeiras, ele tomava uma taça de vinho. Imaginava como ela seria, o que gostava de fazer, quem seriam seus amigos, se morava com seus pais. Não sabia como começar a conversar, afinal era a primeira vez que saía para algo assim.
- Boa noite.
- Oi Rita. Boa noite. Senta.
- Obrigada. Tudo bem com você?
- Tudo. E você, vai bem?
- Ah, claro.
- Então, você quer comer o quê?
- Hmm... Pensei em uma macarronada.
- Ótima idéia.
Chamaram o garçom e fizeram o pedido. Luís serviu a taça de Rita com vinho.
- Er, quantos anos você tem?
- 25 e você?
- 20.
- Novo heim?
- Ah, o que são cinco anos de diferença depois dos 15?
- É, idade não é nada. Cabeça é o que importa. Você estuda?
- Sim, faço faculdade.
- Trabalha?
- Também. E você, faz o que da vida?
- Bem, há um ano terminei a faculdade de agronomia. Agora estou fazendo pós e trabalhando em um escritório. Você faz faculdade de quê?
- Direito.
- E faz direito?
- Bem, não tanto quanto deveria.
- Você não entendeu...
Luís fez como se não tivesse entendido e mudou de assunto.
- Esse seu sotaque... Você não é daqui, é?
- Não, sou do interior de São Paulo.
- E mora aqui há quanto tempo?
- Faz cinco anos.
- Por conta da faculdade?
- Não. Tava afim de outros ares. Um amigo me falou sobre o Acre e eu tinha muita vontade de conhecer. Aproveitei a vinda, larguei a faculdade de Publicidade que eu fazia lá e resolvi cursar agronomia.
- Chutou o balde?
- Mais ou menos.
- Sou louco pra fazer isso.
- E por que não faz?
- Medo.
- Medo? De quê, rapaz?
- Sei lá. Sabe quando você quer se arriscar e não tem coragem? Seu maior desejo ficar par a par com seu maior medo? É mais ou menos assim.
- Ah, Luís. Você não pode ser assim. Temos que vencer nossos medos.
- Eu sei. É isso que eu estou fazendo agora, aqui com você. Estou vencendo meus medos.
- Fico feliz em saber disso – Rita sorriu sutilmente, sem graça.
- Seu sorriso é bonito.
- Obrigada.
O jantar chegou e os dois preparam-se para comer. Luís criou coragem e se atreveu a perguntar o que queria há algum tempo:
- Você é comprometida?
- Será que eu estaria com você aqui, jantando, se fosse?
- Ah, algumas pessoas fazem isso tranqüilamente.
- Então espero que a partir de hoje você perceba que eu não sou como as outras pessoas.
- Desculpa.
- Não, eu entendo. É a primeira vez que você sai assim com alguém, não é?
- É – respondeu ele, abaixando a cabeça com vergonha.
- Não sinta vergonha. É bonito. E, sei lá, fico lisonjeada que seja comigo.
Enquanto comiam, eles trocavam alguns olhares, rindo das bocas meladas com molho do macarrão. Levaram cerca de meia hora para terminar o jantar, pedindo a conta em seguida.
- Você quer mesmo ir direto pra casa, digo, quer dar uma volta?
- Não, acho que prefiro ir pra casa mesmo.
- Ah, tudo bem – ele consentiu meio entristecido.
Rita explicou o caminho e eles continuaram a conversa, agora já falando de família, viagens, ex namorados e namoradas, e do dia-a-dia na cidade natal de Luís. Chegaram em frente ao prédio onde Rita morava:
- Obrigado pelo jantar, você é uma pessoa adorável.
- Não quer entrar?
- Não seria incômodo?
- Estou sozinha. A mim com certeza você não incomoda.
- Hehe, ta certo.
Os dois subiram as escadas, calados. Aquela era a hora onde não se sabia o que viria depois. Era imprevisível o que aconteceria depois da porta do apartamento. E eles dois sabiam disso.
- Você quer alguma coisa, uma água, um vinho? – ela perguntou educadamente.
- Você.
Os dois entreolharam-se. Até mesmo Luís se impressionou com a facilidade com que havia dito aquilo. Rita estava ansiosa por aquele momento a sós. Ele puxou-a para mais perto e deu-lhe um beijo. O primeiro. De repente a coisa ficou mais quente. Os corpos colados encostados na parede. As mãos de um perdidas, sem parar de se mover pelo outro. Agora, mais do que nunca, Luís sabia qual seria seu futuro.
- Pode sim. Acho uma ótima idéia.
- Quer que eu vá te buscar?
- Não, não precisa. Meu amigo vai sair e peço pra ele me deixar lá. Só vou querer carona de volta pra casa, tudo bem?
- Ah, ok. Até oito e meia então.
- Até.
Era a terceira vez que se falavam, apenas. Sempre diálogos curtos, sem muito conhecimento um do outro. Aguardavam pelo primeiro encontro para que não faltasse assunto. E, mesmo assim, ainda achavam que faltaria. Luís estava mais ansioso. Pra variar. Já tinham trocado olhares outras vezes, conheciam-se de vista, mas nunca tinham tido um contato pessoal.
Por volta das oito e meia, Luís já estava à espera de Rita. Sentado em uma mesa com duas cadeiras, ele tomava uma taça de vinho. Imaginava como ela seria, o que gostava de fazer, quem seriam seus amigos, se morava com seus pais. Não sabia como começar a conversar, afinal era a primeira vez que saía para algo assim.
- Boa noite.
- Oi Rita. Boa noite. Senta.
- Obrigada. Tudo bem com você?
- Tudo. E você, vai bem?
- Ah, claro.
- Então, você quer comer o quê?
- Hmm... Pensei em uma macarronada.
- Ótima idéia.
Chamaram o garçom e fizeram o pedido. Luís serviu a taça de Rita com vinho.
- Er, quantos anos você tem?
- 25 e você?
- 20.
- Novo heim?
- Ah, o que são cinco anos de diferença depois dos 15?
- É, idade não é nada. Cabeça é o que importa. Você estuda?
- Sim, faço faculdade.
- Trabalha?
- Também. E você, faz o que da vida?
- Bem, há um ano terminei a faculdade de agronomia. Agora estou fazendo pós e trabalhando em um escritório. Você faz faculdade de quê?
- Direito.
- E faz direito?
- Bem, não tanto quanto deveria.
- Você não entendeu...
Luís fez como se não tivesse entendido e mudou de assunto.
- Esse seu sotaque... Você não é daqui, é?
- Não, sou do interior de São Paulo.
- E mora aqui há quanto tempo?
- Faz cinco anos.
- Por conta da faculdade?
- Não. Tava afim de outros ares. Um amigo me falou sobre o Acre e eu tinha muita vontade de conhecer. Aproveitei a vinda, larguei a faculdade de Publicidade que eu fazia lá e resolvi cursar agronomia.
- Chutou o balde?
- Mais ou menos.
- Sou louco pra fazer isso.
- E por que não faz?
- Medo.
- Medo? De quê, rapaz?
- Sei lá. Sabe quando você quer se arriscar e não tem coragem? Seu maior desejo ficar par a par com seu maior medo? É mais ou menos assim.
- Ah, Luís. Você não pode ser assim. Temos que vencer nossos medos.
- Eu sei. É isso que eu estou fazendo agora, aqui com você. Estou vencendo meus medos.
- Fico feliz em saber disso – Rita sorriu sutilmente, sem graça.
- Seu sorriso é bonito.
- Obrigada.
O jantar chegou e os dois preparam-se para comer. Luís criou coragem e se atreveu a perguntar o que queria há algum tempo:
- Você é comprometida?
- Será que eu estaria com você aqui, jantando, se fosse?
- Ah, algumas pessoas fazem isso tranqüilamente.
- Então espero que a partir de hoje você perceba que eu não sou como as outras pessoas.
- Desculpa.
- Não, eu entendo. É a primeira vez que você sai assim com alguém, não é?
- É – respondeu ele, abaixando a cabeça com vergonha.
- Não sinta vergonha. É bonito. E, sei lá, fico lisonjeada que seja comigo.
Enquanto comiam, eles trocavam alguns olhares, rindo das bocas meladas com molho do macarrão. Levaram cerca de meia hora para terminar o jantar, pedindo a conta em seguida.
- Você quer mesmo ir direto pra casa, digo, quer dar uma volta?
- Não, acho que prefiro ir pra casa mesmo.
- Ah, tudo bem – ele consentiu meio entristecido.
Rita explicou o caminho e eles continuaram a conversa, agora já falando de família, viagens, ex namorados e namoradas, e do dia-a-dia na cidade natal de Luís. Chegaram em frente ao prédio onde Rita morava:
- Obrigado pelo jantar, você é uma pessoa adorável.
- Não quer entrar?
- Não seria incômodo?
- Estou sozinha. A mim com certeza você não incomoda.
- Hehe, ta certo.
Os dois subiram as escadas, calados. Aquela era a hora onde não se sabia o que viria depois. Era imprevisível o que aconteceria depois da porta do apartamento. E eles dois sabiam disso.
- Você quer alguma coisa, uma água, um vinho? – ela perguntou educadamente.
- Você.
Os dois entreolharam-se. Até mesmo Luís se impressionou com a facilidade com que havia dito aquilo. Rita estava ansiosa por aquele momento a sós. Ele puxou-a para mais perto e deu-lhe um beijo. O primeiro. De repente a coisa ficou mais quente. Os corpos colados encostados na parede. As mãos de um perdidas, sem parar de se mover pelo outro. Agora, mais do que nunca, Luís sabia qual seria seu futuro.
Monday, November 17, 2008
do passado VI
a lua cheia reluzia no céu.
e os cabelos negros de Aurora balançavam enquanto corria.
o medo tomava conta dela. fazendo-a sumir nas sombras.
e a escuridão passou a se tornar maior.
-socorro, socorro
mas ninguém a escutava.
e um tiro, vindo de trás, silenciou todo o barulho que antes se fazia ali.
e os cabelos negros de Aurora balançavam enquanto corria.
o medo tomava conta dela. fazendo-a sumir nas sombras.
e a escuridão passou a se tornar maior.
-socorro, socorro
mas ninguém a escutava.
e um tiro, vindo de trás, silenciou todo o barulho que antes se fazia ali.
Sunday, November 16, 2008
do passado V
foi tudo muito rápido. ainda ontem éramos bebês prestes a sair do ventre de nossas mães. e enfim os anos se passaram. de repente algumas coisas passaram a fazer mais sentido do que outras. algumas outras coisas perderam o próprio sentido. e a maioria delas ficou no ar, naquela dúvida do que deveria ser. há mais ou menos um ano atrás, o artur que vocês vêem hoje não existia por completo. na verdade ele era mais sonhador, mais apaixonado por tudo, mais sentimental e, talvez, menos errado. o que aconteceu comigo esse ano, num processo que vem desde o ano passado, teve seus momentos bons e seus momentos ruins. infelizmente as coisas ruins são tão ruins quanto se possa imaginar. amizades que foram e voltaram. um santo que virou diabo. eu não sei o que mudou nesse um mês que passei fora, mas ao chegar eu senti aquela mudança nos ares rio branquenses. talvez por ter ficado tanto tempo fora, tenha dado pra refletir à respeito de certas coisas, certos atos, certas escolhas e certas vontades. alguma coisa mudou realmente. e eu, sinceramente, não sei explicar o que foi. apenas que me parece que para melhor. eu cheguei com outros objetivos, com outros pensamentos. não à respeito de tudo, mas à respeito daquilo que mais me preocupava. e à conclusão que eu cheguei foi a de que para que algo melhore, é preciso haver mudanças. hoje eu trago, provavelmente, uma fama nas costas. e não vejam essa fama como algo bom. mas é algo que pode ser mudado. aquela história de juntos para sempre, de amizade duradoura, só dá certo quando as amizades querem realmente sobreviver. e, claro, quando são verdadeiras amizades. eu decidi dar valor à certas coisas que tinha deixado de lado. e resolvi cuidar para que as coisas deêm mais certo. sem precisar que os erros venham em tamanho XXL. basta apenas uma fagulha de erro, e eu garanto que a fogueira de acerto vai ser bem melhor. já faz algum tempo que venho pensando nisso. e hoje é quarta-feira. não, não. não vou esperar até segunda fazer mudanças. qualquer dia é dia de começar de novo. e nada melhor do que uma quarta-feira, 2 dias antes do fim-de-semana. pra quem leu até aqui, obrigado. ;)
16/08/2006
do passado IV
a felicidade se completa, e os seus sorrisos me fazem crer que sozinho é aquele ser que não abriu nenhuma porta pra que alguém entrasse, que não deu passagem pra um senhor idoso da fila do banco, que não esperou 5 segundos depois que o sinal abriu pra que aquele jovem atravessasse a rua, e que, principalmente, não conseguiu dar nem um pouco de si para que a outra pessoa se lembrasse sempre do seu sorriso.
Friday, November 14, 2008
dormindo
- Sai daqui!
- Não.
- Sai, pelo amor de Deus! – seus olhos enchiam de lágrimas e sua voz quase não saía mais.
- Por quê você está assim?
- Você não entende, não é? Você nunca entende.
- Eu tento, eu tento.
- Você não faz a mínima questão de entender – as palavras ficavam quase que perdidas na garganta.
- Eu não entendo porque você acha isso.
- Simplesmente pelo fato de você não dar a mínima.
Sua alma encheu-se de coragem naquela hora.
- Querer você é não dar a mínima? Querer ficar com você é não dar a mínima? Sentir sua falta, tremer as pernas e querer te ver todos os dias é não dar a mínima?
Henrique ficara perplexo. Não esperava ouvir aquilo. Era a última coisa que imaginava ouvir naquele momento. Seu choro foi cessando, até que se desvencilhou em um singelo sorriso:
- Eu... eu...
- Desculpa, mas eu não sabia como chegar e te dizer isso.
- Estou sem palavras.
- Não precisa dizer nada – chegou mais próximo de Henrique, passando a mão em seu rosto, acariciando-o.
Os olhos fecharam e as bocas se encontraram. Sentiram os corações pulsando mais forte e as pernas tremerem.
- Não.
- Sai, pelo amor de Deus! – seus olhos enchiam de lágrimas e sua voz quase não saía mais.
- Por quê você está assim?
- Você não entende, não é? Você nunca entende.
- Eu tento, eu tento.
- Você não faz a mínima questão de entender – as palavras ficavam quase que perdidas na garganta.
- Eu não entendo porque você acha isso.
- Simplesmente pelo fato de você não dar a mínima.
Sua alma encheu-se de coragem naquela hora.
- Querer você é não dar a mínima? Querer ficar com você é não dar a mínima? Sentir sua falta, tremer as pernas e querer te ver todos os dias é não dar a mínima?
Henrique ficara perplexo. Não esperava ouvir aquilo. Era a última coisa que imaginava ouvir naquele momento. Seu choro foi cessando, até que se desvencilhou em um singelo sorriso:
- Eu... eu...
- Desculpa, mas eu não sabia como chegar e te dizer isso.
- Estou sem palavras.
- Não precisa dizer nada – chegou mais próximo de Henrique, passando a mão em seu rosto, acariciando-o.
Os olhos fecharam e as bocas se encontraram. Sentiram os corações pulsando mais forte e as pernas tremerem.
Thursday, November 13, 2008
peso na consciência
- Lembra o que aconteceu na segunda-feira?
- E como eu haveria de esquecer?
- Lembra, também, que um dia antes, no domingo, ele veio aqui?
- Lembro.
- Lembra as coisas que você falou pra ele?
- Mais ou menos. Mas o que diabos isso tem a ver com alguma coisa?
- Tem a ver que aconteceram algumas coisas antes da conversa de vocês. E na conversa de vocês, aliás, as coisas que você falou pra ele devem ter machucado muito.
- Ah, isso é porque ele ainda gosta dela.
- Puta que pariu! Será que você não entende nada do que eu quero dizer?
- ...
- Pensa um pouquinho, mas só um pouquinho, nas coisas que você falou pra ele que poderiam levá-lo a fazer algo daquele tipo. Não que seja culpa sua, mas pensa no que pode estar machucando-o.
- E como eu haveria de esquecer?
- Lembra, também, que um dia antes, no domingo, ele veio aqui?
- Lembro.
- Lembra as coisas que você falou pra ele?
- Mais ou menos. Mas o que diabos isso tem a ver com alguma coisa?
- Tem a ver que aconteceram algumas coisas antes da conversa de vocês. E na conversa de vocês, aliás, as coisas que você falou pra ele devem ter machucado muito.
- Ah, isso é porque ele ainda gosta dela.
- Puta que pariu! Será que você não entende nada do que eu quero dizer?
- ...
- Pensa um pouquinho, mas só um pouquinho, nas coisas que você falou pra ele que poderiam levá-lo a fazer algo daquele tipo. Não que seja culpa sua, mas pensa no que pode estar machucando-o.
De repente a bigorna que habitava minha cabeça, resolve dar uma volta pela cabeça de outras pessoas. Sem tanta necessidade, afinal não foi culpa delas.
à espera de um milagre
Sem saber o que fazer ele contava os minutos à espera daquele telefonema. O sol, prestes a esconder seus raios no fim da tarde, queimava levemente sua pele. Acendeu um cigarro para que o tempo passasse mais rápido. Sabia que seu telefone não ia tocar, mas sua esperança sempre era a última a desfalecer. Que sentimento era aquele que insistia em permanecer em seu coração?
Aumentou o volume do som para tentar fazer com que seu corpo absorvesse a música. Trazia recordações de tempos anteriores àquele que vivia agora. Tempos em que a vida era mais fácil, quase não tinha problemas e bastava saber da existência. Olhou-se no espelho e percorreu todo o seu rosto, constatando o quanto envelhecera naqueles anos da faculdade. Tinha sede de viver, viver com a mesma intensidade que, outrora, o acompanhara.
O telefone tocou. Sentiu o coração bater mais forte, a respiração ofegar e as mãos tremerem. Um fio de medo cortou-lhe a garganta. Não era quem esperava que fosse. E era incrível como ainda não se acostumara com aquilo. Sabia. Sempre soube que a ligação nunca viria, mas tinha medo de desistir e acabar perdendo. E perdeu. Perdeu seu amor-próprio, como nunca o tinha feito anteriormente.
Aumentou o volume do som para tentar fazer com que seu corpo absorvesse a música. Trazia recordações de tempos anteriores àquele que vivia agora. Tempos em que a vida era mais fácil, quase não tinha problemas e bastava saber da existência. Olhou-se no espelho e percorreu todo o seu rosto, constatando o quanto envelhecera naqueles anos da faculdade. Tinha sede de viver, viver com a mesma intensidade que, outrora, o acompanhara.
O telefone tocou. Sentiu o coração bater mais forte, a respiração ofegar e as mãos tremerem. Um fio de medo cortou-lhe a garganta. Não era quem esperava que fosse. E era incrível como ainda não se acostumara com aquilo. Sabia. Sempre soube que a ligação nunca viria, mas tinha medo de desistir e acabar perdendo. E perdeu. Perdeu seu amor-próprio, como nunca o tinha feito anteriormente.
o gosto amargo do teu corpo
Faço nosso o meu segredo mais sincero
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E eu sei que a tua correnteza não tem direção.
E desafio o instinto dissonante.
A insegurança não me ataca quando erro
E o teu momento passa a ser o meu instante.
E o teu medo de ter medo de ter medo
Não faz da minha força confusão
Teu corpo é meu espelho e em ti navego
E eu sei que a tua correnteza não tem direção.
Daniel na Cova dos Leões - Legião Urbana
Wednesday, November 12, 2008
do passado III
quem será que irá voltar pra ver,
como eu, tudo o que hoje aconteceu?
ver bater aviões no ar
ver chover do céu estrelas do mar
caminhar na beira qualquer
ver ruir toda a fé
justiçar com as próprias mãos
sem saber onde chegar
qual caminho seguir
e uma resposta que espera
que parece nunca vir
como eu, tudo o que hoje aconteceu?
ver bater aviões no ar
ver chover do céu estrelas do mar
caminhar na beira qualquer
ver ruir toda a fé
justiçar com as próprias mãos
sem saber onde chegar
qual caminho seguir
e uma resposta que espera
que parece nunca vir
diálogos
- o que você faz com as pessoas erradas?
- ah, eu curto com a cara delas.
- sauhushaushuahsuaushahsausuahus
- sei lá, acho que não tem essa de pessoas erradas - pára um pouco pra pensar - aliás, elas existem sim. e o pior: pessoas erradas em momentos errados.
ê 2008!
- ah, eu curto com a cara delas.
- sauhushaushuahsuaushahsausuahus
- sei lá, acho que não tem essa de pessoas erradas - pára um pouco pra pensar - aliás, elas existem sim. e o pior: pessoas erradas em momentos errados.
ê 2008!
quem você tem
Era tarde da noite. A lua refletia na piscina de águas límpidas para a qual ele olhava do alto do seu quarto. Estava cabisbaixo, sem entender exatamente o por quê de estar vivendo tudo aquilo. Dúvidas, quase certezas e medo. Sentimentos que assolavam seus pensamento naquele instante. Não entendia como um rapaz tão bem sucedido como ele poderia passar por aquelas dificuldades. Provação? Sim, tinha que passar por dificuldades para dar valor a outras coisas. Egoísmo? Também, por achar que aquilo não deveria acontecer com ele.
- Marcelo!
Ouviu a voz de Lina chamar seu nome. O que será que ela queria àquela hora? Há alguns dias que eles não se viam, mas haviam marcado de almoçar juntos no outro dia. Lina era uma amiga de infância, pela qual ele tinha muito carinho, respeito e amor. Mas, definitivamente, ele não queria ver ninguém. Nem ela. Isso até lhe doía o peito, mas seu peito mesmo dizia para que ficasse sozinho por um tempo.
- Marcelo!
Ele a conhecia: ela não ia desistir. Resolveu sair da sua introspectividade e foi ao seu encontro. Desceu as escadas devagar, com esperança de que, pela demora, ela fosse embora. Não foi. Estava lá, na porta, parada à sua espera.
- Porque demorou tanto?
- Desculpa, estava no banheiro. O que aconteceu?
- Nada. Só queria ver você.
- Mas a gente não combinou de almoçar amanhã?
- Eu sei, eu sei. Mas sabe aquela pontada que eu sinto no coração?
- Aquela que avisa quando algo vai dar errado?
- É. Essa mesmo.
- E o que isso tem a ver comigo?
- Eu tava guardando umas fotos antigas e me deparei com uma nossa, há uns quatro anos atrás.
- E?
- E foi nessa hora que eu senti uma pontada. Saí de casa o mais rápido que pude, ágil para que ninguém pudesse perceber.
- Ah, mas está tudo bem.
- Como se eu não te conhecesse. O que está acontecendo?
- Nada.
- Vai mentir pra mim? – Olhou-o nos olhos, fitando-os compulsivamente. Sabia que daquela forma ele se abriria com ela.
- Estou com um turbilhão de coisas na cabeça. São muitas coisas para pensar, muitas coisas para se fazer. Muitas atitudes a serem revistas. To preocupado.
- Preocupado com o quê, especificamente?
- Com a minha felicidade.
- E o que eu posso fazer para vê-lo feliz?
- Apesar da minha insistência em não querer ver ninguém, só em você ter vindo aqui já bastou para fazer meu dia melhor.
- Marcelo!
Ouviu a voz de Lina chamar seu nome. O que será que ela queria àquela hora? Há alguns dias que eles não se viam, mas haviam marcado de almoçar juntos no outro dia. Lina era uma amiga de infância, pela qual ele tinha muito carinho, respeito e amor. Mas, definitivamente, ele não queria ver ninguém. Nem ela. Isso até lhe doía o peito, mas seu peito mesmo dizia para que ficasse sozinho por um tempo.
- Marcelo!
Ele a conhecia: ela não ia desistir. Resolveu sair da sua introspectividade e foi ao seu encontro. Desceu as escadas devagar, com esperança de que, pela demora, ela fosse embora. Não foi. Estava lá, na porta, parada à sua espera.
- Porque demorou tanto?
- Desculpa, estava no banheiro. O que aconteceu?
- Nada. Só queria ver você.
- Mas a gente não combinou de almoçar amanhã?
- Eu sei, eu sei. Mas sabe aquela pontada que eu sinto no coração?
- Aquela que avisa quando algo vai dar errado?
- É. Essa mesmo.
- E o que isso tem a ver comigo?
- Eu tava guardando umas fotos antigas e me deparei com uma nossa, há uns quatro anos atrás.
- E?
- E foi nessa hora que eu senti uma pontada. Saí de casa o mais rápido que pude, ágil para que ninguém pudesse perceber.
- Ah, mas está tudo bem.
- Como se eu não te conhecesse. O que está acontecendo?
- Nada.
- Vai mentir pra mim? – Olhou-o nos olhos, fitando-os compulsivamente. Sabia que daquela forma ele se abriria com ela.
- Estou com um turbilhão de coisas na cabeça. São muitas coisas para pensar, muitas coisas para se fazer. Muitas atitudes a serem revistas. To preocupado.
- Preocupado com o quê, especificamente?
- Com a minha felicidade.
- E o que eu posso fazer para vê-lo feliz?
- Apesar da minha insistência em não querer ver ninguém, só em você ter vindo aqui já bastou para fazer meu dia melhor.
virgo
Você preza pela estabilidade e durabilidade dos relacionamentos. Por laços profundos de afeto. Mas deve refletir se não está agindo com medo da solidão. O amor é um vínculo que se quer liberto das tradições e preceitos sociais. Amor e criatividade são temas evidenciados.
do passado II
o suor dos corpos
teu cheiro no meu
com os olhos fechados
e a imaginação
o gosto do beijo
teus braços nos meus
como se fosse o último abraço
e a única saída
o adeus que vem breve
teus olhos nos meus
fitando-os profundamente
e a saudade
teu cheiro no meu
com os olhos fechados
e a imaginação
o gosto do beijo
teus braços nos meus
como se fosse o último abraço
e a única saída
o adeus que vem breve
teus olhos nos meus
fitando-os profundamente
e a saudade
do passado
é difícil, o quanto é difícil
a vida prega peças
e a gente nem sabe, nem sonha
que essa é a realidade
deixei a porta aberta
e não vi você entrar
eu to aqui sozinho
naquele mesmo canto
em que nos encontramos pela última vez
a vida prega peças
e a gente nem sabe, nem sonha
que essa é a realidade
deixei a porta aberta
e não vi você entrar
eu to aqui sozinho
naquele mesmo canto
em que nos encontramos pela última vez
Thursday, November 06, 2008
o susto
O suor fazia sua pele arder. Ardia como fogo onde ele outrora havia arrastado a lâmina fria em forma de cruz. O líquido rubro e viscoso escorria em uma mistura de sal e ferro que não se sabia para onde iria. Revirava os olhos, alucinado, fraco, quase morto. Mas morto daquela vida. Precisava acordar de novo, renascer das cinzas, como fênix. E assim o fez. Com a ajuda dela, aquele anjo que o concebera, ele reergueu-se. Ela abriu suas asas e o protegeu de todos os males, por aqueles tristonhos momentos. Mesmo sem nada entender. Lá estava ela, ao seu lado, como sempre esteve. Ali permaneceu, em corpo ou em pensamento, pedindo para que se cuidasse. Ele não conseguia dizer nada. Estava mudo, bêbado e desesperado. Mas conseguiu ver seus olhos banhados em lágrimas, tristes, clamando por alguma palavra. Dali tirou forças para dizer o que achava ser mais propício àquela hora:
- Obrigado, mãe.
- Obrigado, mãe.
Wednesday, November 05, 2008
inesperado
- eu chorei a semana inteira pensando no que eu ia fazer sem você aqui.
agora as lágrimas saíam dos olhos daquele que ouvia atentamente o outro falar.
- eu preciso de ti, cara. eu te amo.
em meio às lágrimas, brotou um sorriso. que não era apenas um sorriso, mas uma forma de, sem palavras, ele dizer que sentia o mesmo.
agora as lágrimas saíam dos olhos daquele que ouvia atentamente o outro falar.
- eu preciso de ti, cara. eu te amo.
em meio às lágrimas, brotou um sorriso. que não era apenas um sorriso, mas uma forma de, sem palavras, ele dizer que sentia o mesmo.
acima de qualquer coisa, obrigado.
Monday, November 03, 2008
r.o.
já discordei muito de um amigo que ousava dizer para mim que 'tudo é fase'. não acreditava que aqueles amigos iriam partir, que alguns se distanciariam, que aquele momento trágico poderia melhorar ou que aquele ótimo teria algo de ruim depois. hoje eu vejo fotos antigas, fazendo uma retrospectiva de uns nove anos atrás. muitos amigos partiram, muitos se distanciaram, muitos momentos trágicos melhoraram e muitos momentos ótimos trouxeram algo de ruim. 'tudo é fase' dizia ele, e eu não acreditava, apesar de já ter vivido muitas dessas. talvez seja pela maturidade que vimos adquirindo ao longo do tempo que passamos a acreditar nisso. por isso faço o possível para que cada dia valha tanto à pena quanto aquele que virá daqui um ano, em outra fase da vida. nós vivemos fases, somos feitos de fases. existem aquelas que duram mais, outras que duram menos. outras, ainda, que perduram pela vida inteira, até o dia em que seu corpo morre. mas 'tudo é fase'. hoje eu acredito.
Thursday, October 30, 2008
acima de qualquer coisa
o melhor da vida, além de viver, é ter pessoas com quem contar ao seu lado. dar as mãos ouvindo que os laços não se soltam jamais. que tudo será enfrentado junto, ali, ao lado. quando precisar. amor incondicional. além do sangue. além de qualquer outra coisa. apoio. agradecimentos são poucos. o mínimo é aquele velho obrigado. que já diz muita coisa. maior (não) abandonado. com os pés no chão. cabeça, de vez em quando nas nuvens. e agora felicidade quase que completa. ao se sentir cada diz mais livre. liberdade.
Wednesday, October 29, 2008
do burrico II
O burrico, talvez até tarde demais, decidiu percorrer o caminho da mata fechada. Percebeu que, por mais que conhecesse o outro caminho a ser seguido, era mais interessante arriscar-se. Ali poderia descobrir coisas novas, n'um mundo que nunca havia sido o seu. Lembrou-se de quanto sonhou com o que estaria por trás daquelas árvores, olhando através da cerca fechada. E decidiu. Estava à risco de se arrepender, mas seu pensamento evocava aquilo que tornou-se clichê em bocas transgressoras: arrependeria por ter seguido, mas pensava que seria pior se arrepender de não ter ido. Sumiu. Aqueles muitos que o olhavam não sabem o que aconteceu. Não sabem se ele está bem, se não está, se ainda vive ou se morreu.
mas eu sei que um dia a gente aprende
'...se você quiser alguém em quem confiar
confie em si mesmo
quem acredita sempre alcança...'
mais uma vez - renato russo
quem acredita sempre alcança...'
mais uma vez - renato russo
Tuesday, October 28, 2008
desiderata
para quem não quiser ler, a versão declamada:
siga placidamente por entre o ruído e a pressa e lembre-se da paz que pode haver no silêncio. tanto quanto possível, sem sacrificar seus princípios, conviva bem com todas as pessoas. diga sua verdade serena e claramente e ouça os outros, mesmo os estúpidos e ignorantes, pois eles também têm sua história. evite pessoas vulgares e agressivas, elas atentam contra o espírito. se você se comparar com os outros, pode se tornar vaidoso ou amargo, porque sempre existirão pessoas piores ou melhores que você. usufrua suas conquistas, assim como seus planos. mantenha o interesse pela sua profissão, por mais humilde que seja. ela é um bem verdadeiro na sorte incostante dos tempos. tenha cautela em seus negócios, pois o mundo está cheio de traições. mas não deixe isso cegar você para a virtude que existe. muitos lutam por ideais nobres e por toda a parte a vida está cheia de heroísmo. seja você mesmo. sobretudo, não finja afeições. não seja cínico sobre o amor, porque, apesar de toda aridez e desencanto, ele é tão perene quanto a relva. aceite com brandura a lição dos anos, abrindo mão de bom grado das coisas da juventude. alimente a força do espírito para ter proteção em um súbito infortúnio. mas não se torture com fantasias. muitos medos nascem da solidão e do cansaço. adote uma disciplina sadia, mas não seja exigente demais. você é filho do universo, assim como as árvores e as estrelas: você tem o direito de estar aqui. e mesmo que não lhe pareça claro, o universo, com certeza, está evoluindo como deveria. portanto esteja em paz com deus, não importa como você o conceba. e, quaisquer que sejam suas lutas e aspirações no ruidoso tumulto da vida, mantenha a paz em sua alma. apesar de todas as falsidades, maldades e sonhos desfeitos, este ainda é um belo mundo.
alegre-se.
lute pela sua felicidade.
lute pela sua felicidade.
max erhmann
a gente é maior que qualquer razão
quem vai te abraçar?
quem vai te socorrer?
quando chover,
e acabar a luz,
quem vai te socorrer?
quando chover,
e acabar a luz,
pra quem você vai correr?
quem, além de você? - leoni
Wednesday, October 22, 2008
conselho dado não se olha os dentes
Já segui a filosofia de que ninguém tem nada a ver com a sua vida, da mesma forma que alguns meses depois cheguei à conclusão de que, sim, as pessoas têm a ver com sua vida. Não porque elas mereçam ou seja necessário que tenham algo a ver, mas porque o mundo em que vivemos é assim. Tem sempre alguém olhando pra você.
De repente, então, as coisas mudam novamente, e você se depara com aquele pensamento de: se ninguém paga minhas contas, ninguém tem nada a ver com isso. Mas como? A culpa se mistura àqueles sentimentos de receio, pecado, erro e pensamentos alheios. E você deve sobreviver. Se não, meu amigo, a coisa fode pra você.
Erguer a cabeça, olhar e pisar firme é tão difícil quanto subir n’uma bicicleta (sem rodinhas) pela primeira vez e sair pedalando. Os olhares que outrora nem se viravam para você, de repente te olham de canto, analíticos, julgando cada passo e movimento seu. É o preço, tão alto, de transgredir certas coisas.
O grande lance, cara, é você não dar a mínima. Ninguém se importa, fazem de conta que querem o seu melhor, entende? Importe-se você com você mesmo. E só. O que eles te falam, deixe que falem. Escuta aquilo que fará você crescer. O que te faz regredir deixa para trás que ninguém deve se prender a isso.
E, afinal, quem tiver que estar ao leu lado, irmão, vai estar. A hora que for, para o que for, independente de qualquer outra coisa. Mesmo que esteja longe, porque, afinal, não é necessário que se esteja junto para estar por perto.
De repente, então, as coisas mudam novamente, e você se depara com aquele pensamento de: se ninguém paga minhas contas, ninguém tem nada a ver com isso. Mas como? A culpa se mistura àqueles sentimentos de receio, pecado, erro e pensamentos alheios. E você deve sobreviver. Se não, meu amigo, a coisa fode pra você.
Erguer a cabeça, olhar e pisar firme é tão difícil quanto subir n’uma bicicleta (sem rodinhas) pela primeira vez e sair pedalando. Os olhares que outrora nem se viravam para você, de repente te olham de canto, analíticos, julgando cada passo e movimento seu. É o preço, tão alto, de transgredir certas coisas.
O grande lance, cara, é você não dar a mínima. Ninguém se importa, fazem de conta que querem o seu melhor, entende? Importe-se você com você mesmo. E só. O que eles te falam, deixe que falem. Escuta aquilo que fará você crescer. O que te faz regredir deixa para trás que ninguém deve se prender a isso.
E, afinal, quem tiver que estar ao leu lado, irmão, vai estar. A hora que for, para o que for, independente de qualquer outra coisa. Mesmo que esteja longe, porque, afinal, não é necessário que se esteja junto para estar por perto.
Monday, October 20, 2008
do burrico I
Depois de percorrer quilômetros de capim verde, o burrico pára. De longe muitos não entendem por quê, se ia tão feliz e saltitante por todo o caminho. De longe muitos não conseguem ver o quê o burrico encontrou no meio de seu caminho. De longe, para muitos, o capim é sempre verde e apetitoso. Mas para o burrico não. O burrico chegou em uma encruzilhada. De repente uma escolha deve ser feita: por aqui ou por ali? É que o burrico chegou no local onde o caminho se divide: há uma porteira para o curral, com um estribo quentinho e água gelada esperando por ele; e há uma porteira para a mata fechada, da qual ele não conhece nada. O burrico fica ali parado, sem saber o que fazer, com um ponto de interrogação flutuando feito uma nuvem cinza sobre a sua cabeça.
Friday, October 10, 2008
desde criança
Sempre recebi essas coisas e sempre respondi. Não por achar que seja a coisa mais legal do mundo e que todos devam saber as coisas que você gosta, mas porque acho interessante as viajadas que se dá quando ficamos pensando no que responder. Talvez nunca tenha usado o espaço deste blog para esse tipo de compartilhamento, mas, bem, segue aí. ;) Obs.: Culpa da Giselle
*Quatro trabalhos que tive em minha vida:
Emprego mesmo só um, com carteira assinada e tudo, em uma loja de projetados. Estágio é trabalho? É né?! Então foram dois: assessoria jurídica da EMURB e assessoria de imprensa da Fundação Elias Mansour. Trabalho voluntário também? Ok! Fui membro do Núcleo de comunicação do Catraia. Yes! Deu quatro.
* Quatro lugares em que vivi:
Em 20 anos nunca mudei de cidade nem de casa.
* Quatro Programas de tv que assistia quando criança:
As Aventuras de Tim-Tim, Castelo Ra-Tim-Bum, X-Tudo e Cavaleiros do Zodíaco.
* Quatro programas de tv que assisto:
Bom, eu quase não assisto TV mais, mas quando dá eu assisto as novelas da globo, Fantástico e seriados na SKY. (Não tem mais MTV mesmo )
* Quatro lugares em que estive e voltaria:
Brasília, Fortaleza, Dourados e São Paulo.
* Quatro formas diferente que me chamam:
Tuzi, Tutu, Tuti e Bola
* Quatro pessoas que te mandam correios quase todos os dias:
Minha mãe, Rose (minha chefe), e minhas duas irmãs.
* Quatro comidas favoritas:
Faço que nem a Giselle: “Pô, só quatro?”. Estrogonofe, Lasanha, Macarronada e Churrasco.
* Quatro lugares em que gostaria de estar agora:
Brasília, São Paulo, Florianópolis ou Caribe!
* Quatro coisas que espero que esse ano eu possa:
Vamos de coisas simples e significativas, já que faltam apenas pouco mais de dois meses pro ano acabar, e as coisas materiais podem não chegar: rir mais, chorar mais, brincar mais e ... bem, deixa a última pra lá. ;x
* Quatro amigos para responder:
Toma esse pepino pra ti: Thalyta, Clara, Victor e Kaline.
*Quatro trabalhos que tive em minha vida:
Emprego mesmo só um, com carteira assinada e tudo, em uma loja de projetados. Estágio é trabalho? É né?! Então foram dois: assessoria jurídica da EMURB e assessoria de imprensa da Fundação Elias Mansour. Trabalho voluntário também? Ok! Fui membro do Núcleo de comunicação do Catraia. Yes! Deu quatro.
* Quatro lugares em que vivi:
Em 20 anos nunca mudei de cidade nem de casa.
* Quatro Programas de tv que assistia quando criança:
As Aventuras de Tim-Tim, Castelo Ra-Tim-Bum, X-Tudo e Cavaleiros do Zodíaco.
* Quatro programas de tv que assisto:
Bom, eu quase não assisto TV mais, mas quando dá eu assisto as novelas da globo, Fantástico e seriados na SKY. (Não tem mais MTV mesmo )
* Quatro lugares em que estive e voltaria:
Brasília, Fortaleza, Dourados e São Paulo.
* Quatro formas diferente que me chamam:
Tuzi, Tutu, Tuti e Bola
* Quatro pessoas que te mandam correios quase todos os dias:
Minha mãe, Rose (minha chefe), e minhas duas irmãs.
* Quatro comidas favoritas:
Faço que nem a Giselle: “Pô, só quatro?”. Estrogonofe, Lasanha, Macarronada e Churrasco.
* Quatro lugares em que gostaria de estar agora:
Brasília, São Paulo, Florianópolis ou Caribe!
* Quatro coisas que espero que esse ano eu possa:
Vamos de coisas simples e significativas, já que faltam apenas pouco mais de dois meses pro ano acabar, e as coisas materiais podem não chegar: rir mais, chorar mais, brincar mais e ... bem, deixa a última pra lá. ;x
* Quatro amigos para responder:
Toma esse pepino pra ti: Thalyta, Clara, Victor e Kaline.
Thursday, October 02, 2008
mais que mil palavras
Aprendeu a dizer com os olhos aquilo que não conseguia expressar pelos lábios. Descobrira, assim, que não precisava falar ou conversar sempre: bastava um olhar para que seus pensamentos se desdobrassem em sentimentos entendidos pelos outros. Seus sorrisos, lágrimas, desespero, saudade, estavam todos ali, expressos naqueles olhos castanhos, meio pequenos e meio grandes, cobertos por uma vasta sobrancelha.
Wednesday, September 17, 2008
Friday, September 05, 2008
mais do mesmo
o título,
a vida,
como ela segue.
querer e não poder.
poder e não querer.
ou os dois.
'tudo numa coisa só'
a vida,
como ela segue.
querer e não poder.
poder e não querer.
ou os dois.
'tudo numa coisa só'
Friday, August 29, 2008
Monday, August 25, 2008
aprendendo a voar
subiu, deixou cair a pena que segurava há tantos anos.
e dali a pouco, soube quando deveria sorrir sem se preocupar.
os mistérios embalados nas canções,
e os pródigos que insistiam em voltar
abriu os braços ali mesmo
onde o sol seria visto pela primeira vez
e dali a pouco, soube quando deveria sorrir sem se preocupar.
os mistérios embalados nas canções,
e os pródigos que insistiam em voltar
abriu os braços ali mesmo
onde o sol seria visto pela primeira vez
-vai, que o vento te leva!
Thursday, August 14, 2008
Thursday, August 07, 2008
o aqui
- existem experiências que valem para uma vida inteira cara.
- é.
- estar aqui é uma delas.
- não só estar aqui. estar é só estar. o grande lance é viver isso aqui.
e, é como dizem: a primeira vez é inesquecível.
- é.
- estar aqui é uma delas.
- não só estar aqui. estar é só estar. o grande lance é viver isso aqui.
e, é como dizem: a primeira vez é inesquecível.
Wednesday, July 30, 2008
Monday, July 28, 2008
teu próprio verdugo
Morrerás, como tantos, como os peixes: da forma mais tola.
sempre há uma luz no fim do túnel
Mas ainda há chance. Sempre existe esperança para aqueles que nela acreditam.
sempre há uma luz no fim do túnel
Mas ainda há chance. Sempre existe esperança para aqueles que nela acreditam.
Thursday, July 24, 2008
quando só você não basta
Fiquei a pensar que não consigo mesmo ficar sem ninguém. Me senti orfão, sem lugar para ir. É incrível como às vezes você pensa que não precisa daquela pessoa, muito menos daquela outra, principalmente naqueles momentos. E aí a vida vem te ensinar que não é bem assim.
É claro que, como todas as pessoas, quero meus momentos solitários: aqueles em que quero pensar na vida, ouvir uma música e dançar sozinho no meio da rua, encostar a cabeça na janela e olhar para o mundo lá fora. Mas, pelo menos para mim, nos dias de hoje, esses são momentos durante o dia, e não o dia inteiro.
Matar saudade daqueles que moram longe. Aproveitá-lo como se fosse só seu e de mais ninguém, nem de lá, muito menos de cá. Como se só você existisse para ele. Colocá-lo, como de vez em quando se diz, na sua bolha. Onde só você entra e sai, e onde guarda tudo aquilo que diz respeito a você. E só a você. Egoísmo, sim!
Não sou sozinho. E, que me lembre, nunca fui sozinho. Se fui, exercitei ao máximo – e isso desde criança – a me socializar com os outros: conversar mesmo quando os conheço no dia, fazer amizades para a vida inteira. Mesmo que a vida inteira signifique alguns anos, alguns meses, ou simplesmente alguns dias.
Talvez seja pretensão minha afirmar que sou bacana, agradável e divertido. Mas é assim que me enxergo, apesar da frequente melancolia que se passa na nuvem em forma de cérebro que tenho na cabeça. Entendo que diversas vezes sou chato, também. Mas isso não condiz com minha personalidade por completo.
- Oi, como é o seu nome?
- Eduardo.
- Meu nome é Luíza. Lembra de mim?
- Er...
- Estudei com você até a sétima série.
- Mesmo? Ah, você usava óculos e sentava no canto direito da sala. Bem na frente?
- Isso.
- Nossa, como você mudou.
- É.
- Eu sei que não mudei quase nada.
- Lembra de quando...
E assim vai.
É claro que, como todas as pessoas, quero meus momentos solitários: aqueles em que quero pensar na vida, ouvir uma música e dançar sozinho no meio da rua, encostar a cabeça na janela e olhar para o mundo lá fora. Mas, pelo menos para mim, nos dias de hoje, esses são momentos durante o dia, e não o dia inteiro.
Matar saudade daqueles que moram longe. Aproveitá-lo como se fosse só seu e de mais ninguém, nem de lá, muito menos de cá. Como se só você existisse para ele. Colocá-lo, como de vez em quando se diz, na sua bolha. Onde só você entra e sai, e onde guarda tudo aquilo que diz respeito a você. E só a você. Egoísmo, sim!
Não sou sozinho. E, que me lembre, nunca fui sozinho. Se fui, exercitei ao máximo – e isso desde criança – a me socializar com os outros: conversar mesmo quando os conheço no dia, fazer amizades para a vida inteira. Mesmo que a vida inteira signifique alguns anos, alguns meses, ou simplesmente alguns dias.
Talvez seja pretensão minha afirmar que sou bacana, agradável e divertido. Mas é assim que me enxergo, apesar da frequente melancolia que se passa na nuvem em forma de cérebro que tenho na cabeça. Entendo que diversas vezes sou chato, também. Mas isso não condiz com minha personalidade por completo.
- Oi, como é o seu nome?
- Eduardo.
- Meu nome é Luíza. Lembra de mim?
- Er...
- Estudei com você até a sétima série.
- Mesmo? Ah, você usava óculos e sentava no canto direito da sala. Bem na frente?
- Isso.
- Nossa, como você mudou.
- É.
- Eu sei que não mudei quase nada.
- Lembra de quando...
E assim vai.
com os olhos fechados
Todos os dias quando acordava, ele sentia que precisava de um lugar mais tranqüilo, onde pudesse sonhar.
Monday, July 21, 2008
vênus
- Olha, Léo, lá em cima.
- O quê?
- Aquela estrela.
- Não é estrela, é Vênus – afirmou ele secamente.
- Você está estranho. Aliás, venho te achando esquisito há alguns dias. Aconteceu algo?
- Não.
- Te conheço há anos Leonardo. Você acha mesmo que eu não saberia quando algo estranho tivesse acontecido?
- Ah Bárbara, são as coisas fora do lugar.
- Que coisas fora do lugar?
- O mundo.
- Filosofando é?
- De certa forma. Ultimamente ando refletindo sobre algumas coisas.
- Hum, que tipo de coisas?
- Já ouviu O Teatro Mágico?
- Já.
- Então, porque o mar não se apaixona por uma lagoa?
- Segundo eles porque a gente nunca sabe de quem vai gostar.
- É, é mais ou menos isso.
- Tá apaixonado?
- É Vênus.
- O quê?
- Aquela estrela.
- Não é estrela, é Vênus – afirmou ele secamente.
- Você está estranho. Aliás, venho te achando esquisito há alguns dias. Aconteceu algo?
- Não.
- Te conheço há anos Leonardo. Você acha mesmo que eu não saberia quando algo estranho tivesse acontecido?
- Ah Bárbara, são as coisas fora do lugar.
- Que coisas fora do lugar?
- O mundo.
- Filosofando é?
- De certa forma. Ultimamente ando refletindo sobre algumas coisas.
- Hum, que tipo de coisas?
- Já ouviu O Teatro Mágico?
- Já.
- Então, porque o mar não se apaixona por uma lagoa?
- Segundo eles porque a gente nunca sabe de quem vai gostar.
- É, é mais ou menos isso.
- Tá apaixonado?
- É Vênus.
outros tempos
É engraçado como você passa a sentir falta de coisas que achava que nunca iria sentir. De repente aquele sentimento te invade, as lembranças tomam conta dos seus pensamentos e você pára. O que foi vivido está guardado no passado, de uma forma que não haverá de se repetir. Aqueles momentos em que o tempo, de repente, parou e onde cada coisa era algo novo, uma descoberta. Dá saudade.
teorias
Um avião num céu sem nuvens é como uma vida sem obstáculos: sem turbulências, mas sem emoção.
Thursday, July 17, 2008
se for, será
Aqueles espinhos que me corroíam por dentro, hoje são a parte exterior do meu corpo. A luta foi tão grande que alcançaram a superfície, tornando-se aquela parte mais notável de mim. São esses espinhos que lhe dão a primeira impressão. Para alguns talvez a última. Mas há um caule, verde e frágil, por detrás desses algozes. Sempre há. É aqui que você conhece aquele que eu posso ser mais verdadeiramente. Quando conseguires cortar os espinhos, verá tudo aquilo que eu realmente sou, e não apenas o que eu desejo mostrar.
Tuesday, July 15, 2008
pro alto
Onde está tu a essa hora que a escuridão já engoliu a cidade? Porque ainda não chegastes em casa, se estava tão perto até pouco atrás? Sinto falta do calor de sua presença, meu filho. Sinto falta de te ouvir dizer que não demora, que chega logo.
A solidão se tornou costumeira nesses dias em que não te vi mais. Como você pôde apenas me sorrir de tão longe, de onde nem posso te ver? Mas não te assustes: logo mais tarde te farei companhia. Iremos nos encontrar como se fosse aquela primeira vez em que te vi saindo de dentro de mim.
O relógio já bate às três da manhã, quando, em meio aquele sonho, te vi voando sobre quatro rodas. Lá estava tu, de cabelos molhados, roupas rasgadas e sorriso no rosto. Que hora foi aquela em que, de repente, eu te perdi de vista? Não sei.
A solidão se tornou costumeira nesses dias em que não te vi mais. Como você pôde apenas me sorrir de tão longe, de onde nem posso te ver? Mas não te assustes: logo mais tarde te farei companhia. Iremos nos encontrar como se fosse aquela primeira vez em que te vi saindo de dentro de mim.
O relógio já bate às três da manhã, quando, em meio aquele sonho, te vi voando sobre quatro rodas. Lá estava tu, de cabelos molhados, roupas rasgadas e sorriso no rosto. Que hora foi aquela em que, de repente, eu te perdi de vista? Não sei.
Sunday, July 13, 2008
quem te disse?
É, querida, eu não vou chorar por ter perdido o que nunca tive. Mas quem te disse que eu não tive? Posso nunca ter encostado um pêlo do meu braço, mas encostei todos os pensamentos possíveis que estiveram na minha cabeça.
E aquele carro que eu vi na vitrine e me imaginei dirigindo? Aquele prato saboroso que, só de lembrar, já dava para sentir o gostinho na boca? E, também, aquela gostosona de seios e bunda protuberantes que você viu na revista?
A gente só nunca teve aquilo que nunca quis.
E aquele carro que eu vi na vitrine e me imaginei dirigindo? Aquele prato saboroso que, só de lembrar, já dava para sentir o gostinho na boca? E, também, aquela gostosona de seios e bunda protuberantes que você viu na revista?
A gente só nunca teve aquilo que nunca quis.
bemad
'(...)
-porque só os loucos são livres, bárbara.
-sinceramente, não posso concordar. não sou louca e sou livre.
-não. tu é presa àquilo que te convém aceitar como normal. se assim não fosse, você largaria seu emprego hoje e ia comigo para São Paulo.
-ir para São Paulo sem perspectiva nenhuma, sem certeza do que eu posso encontrar? não, não..
-é isso que eu quero dizer quando digo que você não é livre.
-um dia tu vais aprender, léo. as coisas são não são fáceis para quem não aceita uma rotina.
-eu sei. eu poderia aprender isso de hoje para amanhã, e quem sabe mudasse de idéia. mas por enquanto, bá, eu vou. sem perspectiva nenhuma, sem idéia do que eu posso encontrar, sem saber, diabos, como eu vou comer, dormir ou viver lá. mas eu me viro.
(...)'
-porque só os loucos são livres, bárbara.
-sinceramente, não posso concordar. não sou louca e sou livre.
-não. tu é presa àquilo que te convém aceitar como normal. se assim não fosse, você largaria seu emprego hoje e ia comigo para São Paulo.
-ir para São Paulo sem perspectiva nenhuma, sem certeza do que eu posso encontrar? não, não..
-é isso que eu quero dizer quando digo que você não é livre.
-um dia tu vais aprender, léo. as coisas são não são fáceis para quem não aceita uma rotina.
-eu sei. eu poderia aprender isso de hoje para amanhã, e quem sabe mudasse de idéia. mas por enquanto, bá, eu vou. sem perspectiva nenhuma, sem idéia do que eu posso encontrar, sem saber, diabos, como eu vou comer, dormir ou viver lá. mas eu me viro.
(...)'
Friday, July 11, 2008
os trechos de uma história
- Não me importo em ser culpado pra você. Eu te amo.
- Ah, sem essa. – levantou o tronco e cruzou as pernas – Não sei se devo acreditar em você.
- E eu nem peço que você faça isso. Você é livre.
- É disso que eu tenho medo.
- De que? De ser livre?
- Não, dessa sua humildade, da sua tranqüilidade. Do seu respeito.
- Você não deveria ter medo.
- Mas não é medo de você. É medo de magoar você.
- Coisas inevitáveis essas, sabe? Todo mundo vai magoar alguém algum dia. A gente só precisa saber superar.
- Nunca vou esquecer você, aconteça o que acontecer.
- Não me interessa que você não me esqueça. Eu já fiz parte da sua vida. Faço, aliás. E isso me importa. Saber que em alguma página desse caderno de variadas folhas, meu nome foi escrito. Se você não lembrar, não interessa. Continuarei lá como sempre estive.
- Ah, sem essa. – levantou o tronco e cruzou as pernas – Não sei se devo acreditar em você.
- E eu nem peço que você faça isso. Você é livre.
- É disso que eu tenho medo.
- De que? De ser livre?
- Não, dessa sua humildade, da sua tranqüilidade. Do seu respeito.
- Você não deveria ter medo.
- Mas não é medo de você. É medo de magoar você.
- Coisas inevitáveis essas, sabe? Todo mundo vai magoar alguém algum dia. A gente só precisa saber superar.
- Nunca vou esquecer você, aconteça o que acontecer.
- Não me interessa que você não me esqueça. Eu já fiz parte da sua vida. Faço, aliás. E isso me importa. Saber que em alguma página desse caderno de variadas folhas, meu nome foi escrito. Se você não lembrar, não interessa. Continuarei lá como sempre estive.
Thursday, July 10, 2008
em uma manhã eu leio tudo
os diálogos são mesmo interessantes, até porque meu quarto também tem cheiros e cabelos de outras pessoas. bem, meu antigo quarto, que tem mais da metade da minha vida.
da mesma forma, as fotos desbotadas, apesar de desbotadas, contam um pouco de história. e eu gosto de mantê-las assim. sem restauração. não é que as quero apodrecidas no canto da estante, mas as quero originais, com aquele gosto de bom momento.
uma árvore no sofá da sala não seria uma péssima idéia, ainda mais abaixo de nuvens de algodão. oh, seriam as nuvens todas feitas de algodão?
lembranças com cheiro de tempero. casa da tia, da irmã, da avó, e até da mãe, depois que a gente sai de casa. é o olfato apurado, que às vezes some com o cheiro do cigarro.
sou de virgem e também gosto de domingos, ainda mais dos domingos ao acaso, quando coisas inesperadas e nada programadas acontecem. será que alguém perdeu outro celular na porta do ônibus?
percebeu, criança?
da mesma forma, as fotos desbotadas, apesar de desbotadas, contam um pouco de história. e eu gosto de mantê-las assim. sem restauração. não é que as quero apodrecidas no canto da estante, mas as quero originais, com aquele gosto de bom momento.
uma árvore no sofá da sala não seria uma péssima idéia, ainda mais abaixo de nuvens de algodão. oh, seriam as nuvens todas feitas de algodão?
lembranças com cheiro de tempero. casa da tia, da irmã, da avó, e até da mãe, depois que a gente sai de casa. é o olfato apurado, que às vezes some com o cheiro do cigarro.
sou de virgem e também gosto de domingos, ainda mais dos domingos ao acaso, quando coisas inesperadas e nada programadas acontecem. será que alguém perdeu outro celular na porta do ônibus?
percebeu, criança?
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